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Pela primeira vez, BH ficou sem o tradicional Baile dos Artistas

Opiniões dos organizadores da festa são divididas a respeito da manutenção do evento, que sofre com a falta de patrocínio


postado em 23/02/2020 04:00

“Carnaval é deboche,
sensualidade e alegria”

O carnaval de BH está pegando fogo. Porém, assim como a letra da marchinha Quarta-feira, este ano não vai ser igual aquele que passou, pelo menos para o Baile dos Artistas. O tradicional evento da folia não foi realizado em 2020. Sem dinheiro, Clermen Gosling – irmã de Claide Gosling, que ao lado de Fernando Couto e Márcio Machado idealizou a festa no fim dos anos 1980 – não conseguiu colocar o bloco na rua. “Fiquei bastante triste. Além de ser tradicional, é um prazer tão grande pra mim, uma alegria enorme continuar o legado da Claide, que morreu há 12 anos”, diz.

Clermen conta que desde que ela e o irmão, Wilson, decidiram continuar com o baile, a preocupação era manter o formato da festa idealizada por Claide, Fernando e Márcio. Houve um período em que Belotur patrocinava e o Sinparc ajudava. “Mas a burocracia foi aumentando e dificultando para nós, amadores, continuarmos cumprindo as exigências”, diz Clermen. Várias vezes, ela usou recursos próprios, pois a verba disponibilizada pela Belotur só chegava meses depois da festa.

Com tantas dificuldades, Clermem desistiu do desgaste burocrático e decidiu tocar o evento por conta própria. Isso ocorreu até 2019. “Não houve como assumir o investimento este ano. Você não imagina a minha frustração. Esperamos encontrar apoio para o carnaval de 2021. Não visamos lucro ou ganho pessoal, foi assim que aprendemos com a Claide”, reforça. Para o diretor de teatro Fernando Couto, o Baile do Artistas já cumpriu sua missão: “Tudo tem começo e fim.”

COM A PALAVRA

FERNANDO COUTO
Diretor de teatro

Pela primeira vez em 34 anos, o Baile dos Artistas não foi realizado...
Tudo tem começo e fim. Os bailes de salão, principalmente os pré-carnavalescos, já tiveram seus dias de glória. Não há mais o Vermelho e Preto (do Flamengo), o Vert, Rouge et Blanche (do Fluminense) nem os famosos bailes gays. Com a crise econômica que se instalou em 2013, houve grande aumento da procura por bloquinhos de rua, que cresceram e tomaram conta. Bailes de salão perderam o encanto. O carnaval voltou às ruas e com muita força.

O que significa para BH a não realização desse baile? 
Belo Horizonte estava sem carnaval desde o fim da administração Maurício Campos. Não havia nada, a capital era uma cidade morta. O Baile dos Artistas veio cobrir a ausência de folia. Eramos nós no salão e a Banda Mole na rua, ambos em sessão pré-carnaval. Cleyde, Márcio e eu demos essa contribuição cultural para Belo Horizonte. Antes de sair da cidade para outros cantos, as pessoas aguardavam com expectativa o nosso baile, que era uma mistura de artistas, foliões e o público gay, que ajudou em muito a valorizar o evento..

Quais foram as histórias mais marcantes do evento?
O baile, em si, já era marcante. Mas fatos importantes ocorreram, como a presença de políticos como Ciro Gomes e Roberto Freire (na época, bem expressivo), além de governadores, como Eduardo Azeredo, e de artistas, como Guilherme Arantes.

Para você, qual seria o Baile dos Artistas ideal?
Hoje em dia, é difícil pensar num Baile dos Artistas ideal. Está está tudo muito chato, cheio de patrulhamento ideológico, de politicamente correto. E carnaval é o contrário de tudo isso. Carnaval é sátira, deboche, sensualidade, alegria. Essa gente “feia”, “mal-amada” e “mal resolvida” acha que tem a voz da razão, um patrulhamento seletivo. Aí fica difícil.

Você pensa na edição do ano que vem?
Acho que o Baile dos Artistas deve ficar na memória, assim como tantos que marcaram época. Quem curtiu, curtiu... As pessoas mudaram. BH tem eventos pré-carnavalescos em janeiro e fevereiro, além do carnaval de graça. A vida é assim. Há tempo de plantar e tempo de colher. Agora é o carnaval dos blocos, de rua.

E as rainhas do baile? Fale um pouco sobre elas
Foram tantas que não me lembro mais. Minha função era escolhê-las. Lembro-me da atriz Célia Thaís, a primeira Rainha dos Artistas, quando o baile iniciou sua trajetória no antigo Cine Floresta. Depois vieram Mamélia Dornelles, Wilma Henriques, Manoelita Lustosa, Lorena Jamarino, Heloisa Duarte...

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