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Estado de Minas DA ARQUIBANCADA

A última esperança, votar o afastamento da diretoria, alimentará nossas vozes

"O mais doloroso é saber que isso não é dos 'outros contra nós', do 'adversário A ou B versus o nosso time'. A besta-fera se apossou por dentro, carcomeu tudo como um verme inofensivo, silencioso, faminto e destruidor"


postado em 18/12/2019 04:00 / atualizado em 17/12/2019 23:28

A torcida do Cruzeiro apoiou até quando pôde e sofreu com o descaso da diretoria com o time(foto: ALEXANDRE GUZANSHE/EM/D.A PRESS)
A torcida do Cruzeiro apoiou até quando pôde e sofreu com o descaso da diretoria com o time (foto: ALEXANDRE GUZANSHE/EM/D.A PRESS)


Se a chantagem e o oportunismo não permitiram a renúncia coletiva, suspiramos por um afastamento da diretoria ou novas eleições. O pesadelo parece não ter fim. A sensação é de paralisia. Em que se assiste a nossa casa ser invadida. Remexem nos problemas até aumentá-los, mas, principalmente, destroem soluções e princípios de caráter ou de “berço”, como se costuma dizer no interior de Minas Gerais, que levamos inúmeras gerações para construí-los. Sem serem incomodados, os invasores se passam por salvadores da pátria e, na ilusão provocada pelas promessas, aproveitam-se para pilharem tudo que amamos. Do nosso nome limpo e honrado ao sonho de nossos filhos.

Nove milhões de torcedores do Cruzeiro, de alguma forma, estão vivenciando esse pesadelo coletivo. O mais doloroso é saber que isso não é dos “outros contra nós”, do “adversário A ou B versus o nosso time”. A besta-fera se apossou por dentro, carcomeu tudo como um verme inofensivo, silencioso, faminto e destruidor.

Encontrou um hospedeiro pacífico, conivente e amável para com a negligência em combater o mal. Um paquiderme chamado Conselho deliberativo. Sua lentidão nos obriga a lembrar também que essa invasão não se deu da noite para o dia, de uma gestão para a outra. O caminho para a destruição do Cruzeiro vem sendo aberto há algum tempo, com a ajuda involuntária (ou não) de centenas de pessoas que escamotearam a obrigação de fiscalizar em troca de réplicas de medalha, camisas, pares de ingressos, um “carguinho” aqui e uma “prestação de serviço remunerada” acolá.

Agora, no estado febril provocado por esses parasitas invasores, arrancá-los dói e, ao mesmo tempo, requer paciência, pois eles – como têm demonstrado dia após dia – irão se debater. Quando perceberem que não há escapatória, decidirão por sair só após abafar os últimos suspiros de vida do corpo doente do Cruzeiro.

Nós, torcedores, patrimônio maior do clube, passamos a última semana buscando esses suspiros, formas de extirpar os vermes. O presidente do Conselho deliberativo, Dalai Rocha, após muita pressão, tomou a corajosa decisão de encabeçar a proposta de renúncia coletiva da diretoria e da sua própria mesa diretora. Mas tanto ele quanto nós vimos o oxigênio para esse suspiro ser bloqueado ora pela chantagem de uns, ora pelo oportunismo barato de outros.

A negativa pela renúncia, proposta pelo presidente do Conselho, trouxe consigo a perpetuação do caos. No dia 6 de janeiro de 2020, os clubes de todo o país estarão se reapresentando. Elencos montados; contratações anunciadas; planejamento de cortes de despesas; técnicos e preparadores físicos colocando em prática tudo o que deixaram desenhado no ano anterior.

E o Cruzeiro? Não existe previsão de receitas e gastos, consequentemente, nenhum planejamento. O mesmo elenco partido ao meio, com salários milionários e desmotivado para iniciar qualquer novo projeto. O último suspiro por uma convocação do Conselho deliberativo para votar o afastamento da diretoria ou novas eleições alimentará nossas vozes nas ruas. O tempo para uma solução em curto prazo já se foi, mas nossa indignação e vontade de lutar pelo Cruzeiro, não.

Nessa última crônica escrita para a versão impressa do jornal Estado de Minas nesse catastrófico 2019, me resta apenas fazer um pedido de Natal e para a passagem de ano: afastai esses maus do Cruzeiro enquanto ainda há tempo, amém!


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