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Estado de Minas DA ARQUIBANCADA

Agora danou-se: presos numa bolha, queremos jogos do Galo na veia

A boa fase do Atlético lava a alma do atleticano, que comeu o pão que o Wright amassou, foi perseguido, mas deu a volta por cima


21/08/2021 04:00

Em sua última façanha, o Atlético atropelou o River Plate com gols que pareciam uma pintura, como o Zaracho (foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)
Em sua última façanha, o Atlético atropelou o River Plate com gols que pareciam uma pintura, como o Zaracho (foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)

Você, atleticano, já se beliscou hoje? Depois de se beliscar, naturalmente, você foi conferir o gol do Zaracho pela quinquagésima vez, certo? Com os 3 a 0 sobre o River na quarta-feira, adentramos aquele período da vida em que o cérebro só pensa em Atlético. Pra essa doença não tem vacina, tamo lascado.

Sorte têm aqueles que ainda estão em home office, uma posição privilegiada para fingir que trabalha, enquanto vê o gol do Zaracho de novo. O problema, nesse caso, é a convivência mais próxima com os familiares – o que se fala entra por um ouvido e sai pelo outro, justamente porque a cabeça está a reprisar a cavadinha do Hulk, um legítimo gol de Reinaldo. Faltou ao atacante apenas a presença de espírito para erguer o punho cerrado – nada que você não possa fazer na mesa de jantar, do nada. Normal.

Desde o sábado passado, a bem da verdade, o atleticano foi abduzido pelo Atlético. Aqueles 2 a 0 no Palmeiras, os cinco pontos de vantagem na liderança do Brasileirão – eis o convite para que se baixasse a entidade, o Exuzão da Massa. Agora danou-se: estamos presos nessa bolha de pensamento único, e tudo que almejamos da vida é o próximo jogo. Dormiremos, sonharemos e acordaremos pensando em Atlético. Faremos amor pensando em Atlético. Tudo o mais empurraremos com a barriga.

E a ressaca? Meu Deus, não se pode beber, aí é que o Exuzão vem com tudo. Mas como não beber depois do gol do Zaracho? Eu queria mergulhar num ofurô de cerveja! Embriagalo total! Aquele voleio abriu oficialmente o Carnaval de 2022. Ao acordar na quinta-feira, estava acometido por severa amnésia, o que me fez acorrer ao computador para saber o resultado do jogo. Quando (re)vi o gol do Zaracho, fui obrigado a abrir uma cerveja. Até o fechamento desta edição, a ressaca não tinha ido embora, os compromissos foram todos adiados e a vida caminha para o caos.

Você imagina agora o público que estava no Mineirão. Será que alguém realmente acha possível que se cumpra qualquer protocolo de segurança sanitária diante do gol do Zaracho? Eu teria engolido a minha máscara! Na cavadinha do Hulk, abraçaria todos os desconhecidos à minha volta. A não ser que se prenda cada atleticano numa jaula individual, já podemos desistir da volta do público aos estádios. O atleticano feliz é uma fonte inesgotável de perdigotos saídos de seus gritos de Galo.

Se já não bastassem as vitórias sobre Palmeiras e River, jogando o fino da bola, o Galo ainda veio com Diego Costa, a cerveja do bolo. Meu Deus do céu, eles querem matar a gente, de COVID, de infarto, de cirrose. Genocidas! Antes era a seleção da Ursal, agora tem até espanhol desembarcando na nossa praia. Será preciso um Tratado de Tordesilhas para estabelecer os espaços de Hulk e dom Diego. E o Vargas? E o Savarino? Belisquem-se! E bora ver o gol do Zaracho, que tá pouco só as 800 reprises.

O atleticano merece tudo nessa vida. Comemos o pão que o Wright amassou, fomos roubados, injustiçados, perseguidos por toda sorte de azares. Resistimos, levantamos, sacudimos a poeira, demos a volta por cima. Acontece que a dívida de Deus com a gente é tipo a do Cruzeiro com os seus credores – infinita. De modo que chegou a hora de cobrar as duplicatas. Tirar o Palmeiras e ganhar do Flamengo na final. Ganhar a Libertadores, o Brasileiro e a Copa do Brasil. Ganhar o Mundial. Eu acredito. E espero apenas sobreviver a isso. Gaaaaaaloo!


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