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Estado de Minas DA ARQUIBANCADA

Que o Atlético vire uma bola incendiária na briga pelo título

Os jogadores precisam retomar a luta incessante em busca do gol pro Galo atropelar na reta final e ser campeão brasileiro


16/01/2021 04:00

Se depender da fé dos atleticanos, a conquista nacional virá, mas o time precisa abraçar de vez esse nosso sonho(foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press %u2013 7/3/19)
Se depender da fé dos atleticanos, a conquista nacional virá, mas o time precisa abraçar de vez esse nosso sonho (foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press %u2013 7/3/19)

Eu sou um estrangeiro no Brasil doidão. Por mais que leia, busque me informar e me manter aberto para a complexidade da vida, cada vez compreendo menos como pessoas queridas podem ter escolhido um entusiasta da tortura, um racista homofóbico antimulher, claramente limítrofe, no lugar de um professor. Não, não era uma escolha difícil. Cada vez mais me escandalizo com o apoio que de certa forma mantém esse genocida e seus despachantes, intrinsecamente maus, caricaturas de mensageiros da morte, cafonas, ridículos, burros, personagens ruins em um filme do Zé do Caixão.

Me perdoe, amigo atleticano, que tão acertadamente busca nas páginas dos cadernos de esportes o ópio do povo. Também preciso do meu Rivotril! Mas é que há dias que são noites, e um ser humano que tenha preservado um quinhão da sua humanidade acaba absorto diante da escalada de mortes que se deixam morrer, agora asfixiadas, enquanto os cretinos fazem lives e se riem de suas piadas escrotas, matando a gente aos poucos, de falta de ar e de esperança.

Preciso do meu Rivotril! Só uma dose cavalar de Atlético Mineiro para nos fazer levitar sobre a merda, de preferência nos levando pra bem longe, como aquele padre do balão, bendito seja o gás hélio. Acontece, porém, que o ópio do povo tem se apresentado de qualidade duvidosa, um orégano danado. E o efeito, bem, acaba sendo limitado.

Tivéssemos ganhado do Bragantino, estaríamos agora com 90% da nossa cabeça animal ocupada de Atlético, e isso corresponde a uma névoa que se aloja no cérebro impedindo que se processem adequadamente as informações reservadas aos 10% restantes. A asfixia em Manaus seria asfixiada pela tabela do Brasileirão. Infelizmente, não foi o caso.

Se não há oxigênio, se não há governo, se não há vacina, só o Atlético salva! Por isso urge uma força-tarefa, um Gabinete de Comando – em Manaus, sem dúvida, mas falo mesmo da Cidade do Galo. Que todos se abracem (depois de um ofurô de álcool em gel) em torno do objetivo de recuperar a intensidade e o jogo de poucas rodadas atrás.

Estamos a seis pontos do São Paulo, em crise. A três do Inter, hoje o grande candidato ao título. Temos um jogo a menos do que os dois, carajo! Bora ganar esta puerra, Sampaoli, hay que endurecerse pero sin perder un ponto jamás!

Falta ao Atlético uma centelha que se acenda, uma qualquer coisinha que nos devolva o apetite para a luta incessante em busca do gol. Falta um pouco de Luan nesse caldo de Arana. Vou desconsiderar qualquer rumor de sabotagem a Sampaoli, qualquer suposição sobre um elenco rachado – já me indigno com outras rachadinhas, motivo pelo qual preciso do meu Rivotril. E para tê-lo de volta faz-se necessária a prescrição: uma centelha que se acenda para o sprint final.

É como diz o Chico César em seu reggaezinho maneiro: “Ê, República de Parentes, pode crer, na nova Babilônia eu e você somos só carne humana pra moer. E o amor não é pra nós. Mas nós temos a pedrada pra jogar, a bola incendiária está no ar, fogo nos fascistas, fogo Jah!”. Digamos que a bola não pode queimar no nosso pé, mas, sim, tá faltando a bola incendiária. Ela está no ar. Fogo Jah!

Não sei o que é preciso para deflagrar a centelha. Talvez seja urgente informar aos atleticanos novos do elenco sobre a história dos nossos infortúnios, sobre o que significa, nesse contexto, ganhar o título impossível, que tantas vezes nos escapou pelos dedos. Precisa botar o Éder chorando pela chance de ganhar agora o que tiraram dele na mão grande, não sem antes mostrar quem foi o Éder na Copa de 82. Precisa botar o Reinaldo falando de 1977, o Cerezo contando sobre o torcedor que lhe presenteou com seu próprio dente no ano daquele vice-campeonato invicto. Precisa trazer o Kalil (sim, o Kalil) pra falar de 2013.

O Victor, o Leo Silva, o Pierre, o Tardelli. Precisa botar o Tardelli pra jogar, porque ele tem mais estrela do que dez generais Pazuellos. Precisa mostrar o vídeo daquele cara infartado no hospital comemorando nossa Libertadores. Precisa mostrar a arquibancada do Independência quando Victor pegou o pênalti. Precisa mostrar como caímos cantando o hino, e como subimos. Precisa trazer o R10 pra falar da dona Miguelina e de como subiu sua bandeira na Galoucura. Temos pouco tempo, mas o negócio é que esse pessoal precisa se tornar atleticano. Façamos um intensivão. Esta é a nossa bola incendiária. Fogo Jah!

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