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Estado de Minas DA ARQUIBANCADA

O atleticano é um ser azarado e injustiçado

Com o time fazendo mais uma temporada pífia e contratando um técnico acostumado ao rebaixamento, resta ao torcedor alvinegro torcer para que tudo dê certo no final


postado em 30/11/2019 04:00 / atualizado em 29/11/2019 21:51

O técnico do Atlético, Vagner Mancini(foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press - 10/11/19)
O técnico do Atlético, Vagner Mancini (foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press - 10/11/19)


Dizem que não há mais bobo no futebol. Esse pessoal, no entanto, precisa conhecer os dirigentes do Atlético, Sette Peles e seu diretor de futebol. Para fugir do rebaixamento, ambos acharam por bem escolher um especialista no assunto: Vagner Mancini é um pentarrebaixado, um às, coitado.

Sejamos justos, ele não tem culpa de nada. É como se um dia este escriba recebesse um telefonema do diretor do New York Times oferecendo a ele o posto de chefe para assuntos, digamos, de beisebol, e um salário de algumas dezenas de milhares de dólares. Assim como Mancini em relação ao futebol, eu não entendo absolutamente nada de beisebol. Apenas aceitaria o convite.

Mancini cumpre o que se espera dele: rebaixar os times que dirige. Empenha-se com especial denodo nesta inglória tarefa. Tira os melhores e coloca os piores. Se faz um gol inesperado, que desgraça, trata logo de entregar a rapadura e oferecer o empate, ufa. No entanto, tem falhado em seus planos, não se sabe o porquê: de ponto em ponto, o Galo enche o papo.

Deus queira que nada de outro mundo esteja sendo preparado contra a gente, uma reviravolta nunca vista, uma série de resultados pra lá de improváveis, o azar e a injustiça que nos persegue desde Wright até o terreno do nosso novo estádio, de repente repleto de animais em extinção, fontes de águas especiais, ossadas pré-históricas que prometem reescrever a história do mundo. Toc-toc-toc.

Dando tudo certo, ou nem tanto, escapamos do rebaixamento na bacia das almas, enquanto o incaível mergulha no poço profundo da série B, terreno movediço de onde pode nunca mais vir à tona. Não me estenderei muito sobre esta parte, porque sou o pior dos secadores, o secador atleticano por excelência, azarado e sofredor, um corvo de asa quebrada, bico de pardal e espírito de porco.

Ciente disso, estava eu aguando as plantas, na paz do meu quintal, quando resolvi dar uma banda na vila onde resido. Faltando 15 minutos para terminar Flamengo e River, passei em frente a um bar repleto de flamenguistas e só então me dei conta de que os argentinos encontravam-se a um passo do paraíso. Parei. Não tenho dúvida de que este foi o motivo daquele revés.

Na quinta-feira, concentrei-me em montar e desmontar uns móveis, limpar um quarto de despejos e carregar umas tralhas. Enquanto se desenrolava o que imagino ter sido uma pelada monumental, o arranca-toco se deu em minha casa, na preparação de um canteiro de samambaias. Ao terminar a empreitada, consultei o noticiário: tava lá um corpo estendido no chão. Era o Cruzeiro. Mais não falarei.

Agora então vai se findando o campeonato. Que participação patética, meus amigos! Nas duas próximas rodadas, enfrentamos em casa Corinthians e Botafogo, alvinegros cheios de ódio e malícia, duas britas em nossas chuteiras. Porém, contudo, no entanto, passaremos por ambos com galhardia, enterrando as pretensões do Mancini de nos enterrar. Por fim, no Beira-Rio, tiraremos o Inter da Libertadores, afinal, Geral e Galoucura formam a união sinistra Sul-Minas, o Goiás agradecerá (o Goiás, olha que várzea!).

Então estaremos próximos do Natal, e Papai Noel terá sido generoso com a gente, esse povo dedicado e sofrido, azarado e injustiçado. Ainda que ali na posição de número 13 da tabela – 13 é Galo! –, nos juntaremos a Flamengo e Athletico Paranaense como os grandes campeões de 2019. Quiçá o maior. Vem, fundo do poço, sua treva é a única luz no fim do nosso túnel! #Fora7C



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