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Escolas de baixo custo: uma nova tendência?

'Os sistemas tradicionais, de repente, se sentem desafiados por um convidado surpreendente que se sentou à mesa sem pedir licença'


postado em 02/12/2019 04:00 / atualizado em 02/12/2019 07:53

Estudantes no funil do Enem: escolas de baixo custo prometem ser opção ao ofertar ensino em tempo integral, de qualidade e a preço justo(foto: Paulo Filgueiras/EM/D.A Press - 10/11/2019)
Estudantes no funil do Enem: escolas de baixo custo prometem ser opção ao ofertar ensino em tempo integral, de qualidade e a preço justo (foto: Paulo Filgueiras/EM/D.A Press - 10/11/2019)

 

Que o mundo da educação vive em constante movimento não é novidade para ninguém, muito menos nos dias de hoje. Dinâmico como a vida mesma, ele surfa entre a tradição, novas tendências, propostas inovadoras ou regressivas e acomodações ao momento econômico e social das comunidades humanas. A comunidade escolar é um “ente vivo”.

 

Aproveitando alguns vazios deixados tanto pela educação pública (gratuita, mas com a sua qualidade contestada e sem conseguir se universalizar) e pela educação privada tradicional (de corte confessional maiormente, com qualidade contrastada, mas acessível a pequena porção da população, pelo alto valor econômico), diversos grupos empresariais enxergaram na educação um ótimo nicho de negócio. Incorporando profissionais competentes e tecnologias de ponta, disponibilizando sistemas de ensino e com um discurso agressivo e sedutor ao mesmo tempo, ocupam hoje um notável espaço na educação brasileira, tanto na educação básica quanto no ensino superior. Mesmo com todo esse esforço, o acesso a uma educação privada de qualidade não conseguiu romper a barreira do econômico.

 

Essas alternativas não conseguiram dar conta de toda a realidade do Brasil, e acabaram consolidando a elitização do ensino e aprofundando a brecha entre uns – minoria – e outros – maioria.

 

Grande parte das famílias das nossas crianças e jovens em idade escolar (calcula-se que 59% das mesmas) sentiram-se forçadas a fazer opções que ou sacrificavam o orçamento familiar ou colocavam as crianças e adolescentes num sistema público de educação descuidado física e pedagogicamente, salvo honrosas exceções, caro para os cofres públicos, sem resultados efetivos e com péssima remuneração para os seus valorosos profissionais. Panorama nada alentador.

 

As escolas de baixo custo vieram para ocupar esse espaço, ofertando um ensino em tempo integral e de qualidade a um preço justo. Surgidas, na sua grande maioria, no meio de startups, com jovens idealizadores vindos de segmentos nem sempre ligados à educação e com um pensamento fora da caixa, elas têm suas raízes ancoradas em iniciativas impossíveis de serem enxergadas pela educação tradicional e seus agentes. Daí a perplexidade dos sistemas tradicionais, que, de repente, se sentem desafiados por um convidado surpreendente que se sentou à mesa sem pedir licença.

 

Uma escola de boa qualidade, em tempo integral (7/8 horas diárias), com lanche e almoço inclusos, assim como o material escolar e os livros, por R$ 1 mil de mensalidade para o ensino médio? Isso é possível? Qual é a mágica?

 

Deixemos claro que, evidentemente, grupos de investidores acreditam nessa proposta, pois enxergam a educação como um grande legado para o país e seu futuro, ao tempo em que se oportuniza a milhões de crianças e jovens que, de outra maneira, estariam praticamente condenados a repetir a trajetória e os padrões de vida e desenvolvimento dos seus pais. O projeto tem um quê visionário, humanista e solidário ao mesmo tempo.

 

Com uma criatividade extraordinária e permanente; com uma gestão moderna, enxuta e eficiente que otimize, ao menos, 50% das funções não docentes por meio da tecnologia; salários equilibrados entre a oferta da escola pública e os da iniciativa privada tradicional; com professores bem formados, engajados e alinhados com a proposta da instituição; reinventando a ciranda de salas de aula em 60% do espaço físico; buscando novas receitas que aumentem em, ao menos, 15% o faturamento da escola e outras iniciativas inovadoras, parece que essa proposta é possível, sim. Isso, levando-se em conta, também, a possibilidade do resultado positivo em escala, em função do crescimento em rede.

 

Claro que nada disso será possível se a proposta pedagógica não for interessante e equilibrada, a metodologia participativa e inovadora, professores e alunos engajados de forma supletiva e enriquecedora e famílias que enxerguem o projeto como a melhor possibilidade na vida dos seus filhos.

 

Não temos dados fidedignos, ainda, para dizer se esse modelo de escola veio para ficar; é cedo e o tempo terá a última palavra. Mas que parece um caminho inclusivo, agregador e interessante, ah, isso parece. Muitas famílias assim o enxergam e agradecem essa nova oportunidade descortinada para os seus filhos.

 

Francisco Morales foi diretor-geral do Colégio Santo Agostinho-BH durante 20 anos. Atualmente, é diretor pedagógico do Grupo Educacional Vereda.


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