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O ministro da Economia disse: 'Conheci Bolsonaro há dois anos atrás.

Desperdício. Há indica passado. Atrás também. Melhor ficar com um ou outro: Conheci Bolsonaro dois anos atrás. Há dois anos conheci Bolsonaro


19/08/2020 04:00

(foto: Mauro PIMENTEL/AFP)
(foto: Mauro PIMENTEL/AFP)

Revisão divertida

Muitos consideram a língua portuguesa pra lá de difícil. Há quem diga que é a mais difícil do mundo. Mito? Verdade? Todas as línguas de cultura têm complexidades. Daí por que estudamos fonética, morfologia, sintaxe. À medida que avançamos nos mistérios do idioma, mais o dominamos. Ele se torna nosso aliado. Permite até que o transformemos em objeto de brincadeiras. Vale o exemplo do texto abaixo, encaminhado por Mirtô Fraga. Ela o encontrou na internet, sem autoria.

A professora de português

1
Professora de português não nasce; deriva-se. Não cresce; vive gradações. Não se movimenta; flexiona-se. Não é filha de mãe solteira; resulta de derivação imprópria. Não tem família; tem parênteses. Não envelhece; sofre anacronismo. Não vê TV; analisa o enredo de uma novela. Não tem dor aguda; tem crônica. Não anda; transita. Não conversa; produz texto oral. Não fala palavrão; profere verbos
defectivos.

2
Não se corta; faz hiato. Não grita; usa vocativos. Não dramatiza; declama com emotividade. Não se opõe; tem problemas de concordância. Não discute; recorre a proposições adversativas. Não exagera; usa hipérboles. Não compra supérfluos; possui termos acessórios. Não fofoca; pratica discurso indireto. Não é frágil; é átona. Não fala demais; usa pleonasmos.

3
Não se apaixona; cria coesão contextual. Não tem casos de amor; faz romances. Não se casa; conjuga-se. Não depende de ninguém; relaciona-se a períodos por subordinação. Não tem filhos; gera cognatos. Não tem passado; tem pretérito mais-que-perfeito. Não rompe um relacionamento; abrevia-o. Não foge a regras; vale-se de exceções. Não é autoritária; possui voz ativa. Não é exigente; adota a norma padrão. Não erra; recorre a licenças poéticas.

Mais do mesmo? Nãoooooo

A professora usa pleonasmos? Talvez. Mas um, com certeza, não figura no discurso da mestra. Trata-se do há...atrás. Por ser condenável, planta batata no asfalto. Ops! Ele caiu na horta de Paulo Guedes. Em entrevista, o ministro da Economia disse: “Conheci Bolsonaro há dois anos atrás”.

Baita desperdício. Há indica passado. Atrás também. Melhor ficar com um ou outro: Conheci Bolsonaro dois anos atrás. Há dois anos conheci Bolsonaro.

Sem originalidade

“Me abstenho de comentar”, disse o ministro. Acertou. Como a professora, o verbo abster é derivado. O paizão: ter. Pai e filho se conjugam do mesmo jeitinho, observadas as regras de acentuação: eu tenho (me abstenho), ele tem (se abstém), nós temos (nos abstemos), eles têm (se abstêm), eu tive (me abstive), ele teve (se absteve), nós tivemos (nos abstivemos), eles tiveram (se abstiveram); se eu tiver (me abstiver), se ele tiver (se abstiver), se nós tivermos (nos abstivermos), se eles tiverem (se abstiverem); eu tenho tido (me tenho abstido); ele está tendo (está se abstendo).

Leitor pergunta

Maria mora só? Mora a só?
Jaime Dutra, Porto Alegre

Só é adjetivo. Quer dizer sozinho. Flexiona-se em número de acordo com o sujeito: Eu estou só porque vivo só. Trabalho só (sozinha) no escritório. Nascer e morrer são atos solitários. Nascemos sós. Morremos sós.

A sós, locução, é invariável. Só aparece no plural: Maria prefere viver a sós. Moramos a sós no mesmo apartamento. Estamos a sós.

Entendeu a manha? A só é cruzamento de jumento com elefante. Xô, monstrengo!

Recado

“Um livro leva a outro."
Jorge Amado

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