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Estado de Minas

O Irã não é para principiantes. É para craques!

O país dos aiatolás é a terra dos persas. Eles inventaram o xadrez, jogo que exige inteligência, estratégia e paciência


postado em 12/01/2020 04:00 / atualizado em 10/01/2020 13:31

Recado
“Escrever bem a própria língua é uma forma de patriotismo.”
Lucie Delarme-Mardrus
(foto: ATTA KENARE/APF)
(foto: ATTA KENARE/APF)

Da terra de Sherazadee as 1.001 noites
Que medão! O confronto de Washington com Teerã parecia levar a outra guerra no Oriente Médio. Drones americanos mataram o general mais importante do Irã. E daí? Todos esperavam uma resposta à altura, que levaria a reação violenta dos Estados Unidos. Erraram. O Irã lançou mísseis contra duas bases gringas no Iraque. Ninguém morreu. Ufa!

Sem amadorismo
O Irã não é para principiantes. É para craques. O país dos aiatolás é a terra dos persas. Eles inventaram o xadrez, jogo que exige inteligência, estratégia e paciência. São características que orientaram a retaliação iraniana e a estratégia de Sherazade paraescapar da morte.

Foi assim
Shariar era o rei da Pérsia. Um dia descobriu que a mulher dele tinha um namorado. Furioso, mandou matar os dois. Mas não ficou satisfeito. Decidiu se casar todas noites com uma noiva. Na manhã seguinte, mandava-a pro outro mundo. Como acabar com a barbaridade? Sherazade, a bela e esperta filha do primeiro-ministro, teve uma ideia. Pra aplicá-la, tinha de se casar com o rei. O pai não queria de jeito nenhum. Mas ela insistiu. Ele aceitou. Na primeira noite, a jovem começou a contar uma história fabulosa. Interrompeu-a na parte mais interessante. Pra conhecer o final, o rei a poupou. Na noite seguinte, a rainha terminou a primeira história e começou outra. Interrompeu-a no clímax. Na noite seguinte, terminou-a e começou outra. E assim se passaram 1001 noites. O rei, apaixonado, desistiu de matar a rainha. Dizem que ela conta histórias até hoje. Ele não se cansa de ouvir.

Fantasia sem fim
Você conhece Ali Babá e os 40 ladrões, Aladim e a lâmpada maravilhosa, Simbá, o marujo? São histórias que Sherazade contou pro marido. Elas e as outras estão no livro As mil
e uma noites.

As persinhas
O persa enriqueceu o português. Nossa língua tem muitas palavras do reino de Sherazade. Algumas delas: laranja, limão, berinjela, pijama, tafetá, cáqui, quiosque, divã, lilás, jasmim, chacal, caravana, bazar, xeque.

Sem confusão
Cheque é de banco. Pode ter fundos ou não. Daí cheque com fundos, cheque sem fundos (não fundo).
Xeque é a jogada de xadrez (xeque-mate) ou o título de poderosos árabes (xeque saudita).

Antes dos aiatolás
Xeque vem do persa xãh. Significa rei. No idioma do Irã, deu xá – título que se dava ao mandachuva do país antes da revolução dos aiatolás. Daquelas bandas veio o jogo de xadrez. Daí a expressão xeque-mate (o rei está morto).

Asas pra voar
Do Irã, Sua Majestade deu uma voltinha pelo árabe. Virou xeque ou sheik. Na língua do Corão, quer dizer chefe, ancião, soberano. Em Pindorama, a palavra ganhou fama com a novela O sheik de Agadir. Faz muito tempo.

Sabia?
Em 1934, a Pérsia mudou de nome. Virou Irã, que significa terra
dos arianos.

Clube linguístico
Muitos pensam que o Irã é país árabe. Não é. Só é árabe o país que fala árabe. O Irã fala persa.

Leitor pergunta
Na coluna Dicas de Português de quarta-feira, li esta frase: “É possível que Paulo haja visto as manifestações do Chile". Do Chile ou no Chile?

>> Flávio Martins de Andrade, Brasília

Ambas as formas estão corretas, mas dão recados diferentes:

Manifestações do Chile qualificam as manifestações. É o mesmo que manifestações chilenas. Na sintaxe, o termo recebe o nome de adjunto adnominal. Manifestações no Chile indicam o lugar. A duplinha é um adjunto adverbial.


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