Continue lendo os seus conteúdos favoritos.

Assine o Estado de Minas.

price

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Utilizamos tecnologia e segurança do Google para fazer a assinatura.

Assine agora o Estado de Minas por R$ 9,90/mês. ASSINE AGORA >>

Publicidade

Estado de Minas

A praga da gratidão desbancou o cordial muito obrigado

Modismo espalhado pelas redes sociais, acompanhado da inseparável hashtag, vulgarizou e achincalhou a palavra que expressa agradecimento


postado em 29/06/2020 04:00 / atualizado em 28/06/2020 19:48



Estamos vivendo uma verdadeira praga linguística, a praga da gratidão. Ora acompanhada pela sua quase inseparável hashtag, ora solitária, a palavra gratidão não sai mais da boca e das redes sociais das pessoas. Esqueceram-se do simples e cordial obrigado, leitor. Agora, quem está em alta é a tal da gratidão.

Nascido nas redes sociais, o modismo em questão enterrou a dignidade da lexia gratidão, a qual se transformou no bode expiatório preferido da maioria. Quer ver? Se a autoestima estiver baixa, sedenta por comentários e por curtidas, basta escolher uma foto pseudodespretensiosa, em que haja um decote à mostra ou um cenário invejavelmente paradisíaco e luxuoso. Depois é só escrever, na legenda, a palavra gratidão. Pronto. Ninguém (exceto pessoas como eu, é claro) vai julgar os seus desejos escusos, afinal de contas, você é grato. Pelo silicone, pelo barco, pelo carro, mas é grato.

Pior ainda é quem, em diálogos cotidianos, utiliza gratidão no lugar de obrigado. Ora, quer coisa mais antinatural e esquisita do que isso? Você segura a porta do elevador para o indivíduo e ouve, prontamente, um gratidão. Será que só o meu cérebro trava? Cadê o obrigado, gente? Todos aprendemos na escola: meninos falam obrigado, e meninas falam obrigada. Simples assim. Fora a banalização da coitada da palavra, né? Eu, que sempre fui grata, gratíssima, não consigo mais usar o vocábulo gratidão.

E o mais paradoxal disso tudo: a supervalorização do termo gratidão foi justamente o que o desvalorizou, vulgarizou, achincalhou. Tenho um dó danado das palavras... Já escrevi isso aqui algumas vezes, mas a minha piedade não vai embora, leitor. Sinto tanto pelas lexias desgastadas que sou capaz de não as utilizar justamente para dirimir tamanho sacrilégio. Talvez você também o possa fazer. As palavras, indubitavelmente, serão eternamente gratas a você. Inclusive, eu até já lhe agradeço antecipadamente. Mas sem #gratidão.

Compartilhe no Facebook
*Apenas para assinantes do Estado de Minas

Publicidade