Continue lendo os seus conteúdos favoritos.

Assine o Estado de Minas.

price

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Utilizamos tecnologia e segurança do Google para fazer a assinatura.

Assine agora o Estado de Minas por R$ 9,90/mês. ASSINE AGORA >>

Publicidade

Estado de Minas

Há 46 anos fui assistir à estreia de um grupo de dança que despontava em BH

O primeiro espetáculo do Grupo Corpo, "Maria Maria", foi num palco improvisado. Saí maravilhada. Na coreografia e na montagem do sonho, os irmãos Pederneiras


13/04/2021 04:00

"Lecuona", que o Corpo estreou em 2004, homenageia o pianista cubano Ernesto Lecuona. Balé é a dança da paixão (foto: José Luiz Pederneiras/Divulgação)

José Maurício para a imprensa e José Maurício Vidal Gomes para os amigos de toda vida fazia parte de minha família. Desde quando morava com a avó em casa dos tempos da construção da cidade, se interessava por tudo que fazia parte da cultura mineira. Desta casa, da qual tenho saudades, está até hoje florescendo em meu jardim uma roseira rara – não tem espinhos e as flores mudam de cor entre o botão e o desabrochar. Ele me deu a muda quando sua avó morreu e se mudou para um apartamento. A casa seria posta abaixo e ele queria ter uma recordação de seu jardim.

Íamos juntos a muitos acontecimentos culturais da cidade, principalmente depois que ele veio trabalhar aqui no jornal. E foi com ele que fui, há 46 anos, assistir à estreia de um grupo de dança que despontava na cidade. O primeiro espetáculo foi realizado em uma garagem transformada em teatro, numa casa antiga da Rua Aimorés. Quem não chegou cedo para ocupar os bancos que formavam a plateia concordava em se assentar no chão.

E foi nesse apoio inusitado que assistimos a um espetáculo que fomos por curiosidade e saímos simplesmente maravilhados. O Grupo Corpo colocou no palco improvisado “Maria Maria”. Na coreografia e na montagem do sonho, os irmãos Pederneiras.

Fundado em 1975, o Corpo estreou no ano seguinte com "Maria Maria". Com música especialmente composta por Milton Nascimento, o balé ficou quase uma década em cartaz e percorreu 14 países.

Prima, ex-aluna de brincadeira de Klauss Vianna, nunca teria imaginado em assistir, na Belo Horizonte daquela época, espetáculo de tamanha versatilidade, beleza e emoção quanto o que vi. E é por causa disso que estou saudando a comemoração que o Grupo Corpo está promovendo para comemorar os 46 anos dessa estreia lendária.

Para comemorar essa trajetória, o Curta! On – clube dos documentários do Curta! no Now, preparou com exclusividade o “Especial Grupo Corpo”, que leva ao streaming quatro coreografias e um documentário sobre os primeiros anos da companhia mineira. A partir deste mês, os espetáculos “21” (1992), “Onqotô” (2005), “Sem mim” (2011) e “Lecuona” (2004) e o  “Documentário Histórico de Maria Maria até Missa do Orfanato”, que conta os primeiros 15 anos de existência do Corpo, estão disponíveis no serviço de streaming.

Liderado pelos irmãos Pederneiras — Rodrigo, o coreógrafo, e Paulo, o diretor artístico —, o Corpo se tornou referência no cenário da dança brasileira e conquistou reconhecimento internacional. Durante três anos, entre 1996 e 1999, a companhia fez residência em Lyon, na França, quando estreou algumas de suas criações coreográficas em terras europeias. Com 40 espetáculos criados até hoje, o grupo já se apresentou na Islândia, Coreia do Sul, Líbano, Estados Unidos, Cingapura, Itália, França e Japão, entre muitos outros.

Confira as sinopses dos espetáculos exibidos no Curta! On:

“21” (1992) – É um divisor de águas na história do Corpo. Depois de atuar por uma década com temas musicais pre-existentes, a companhia mineira volta, com este balé, a trabalhar com música especialmente composta. Da teia de combinações de ritmos e de timbres em torno do número 21, contida nas partituras criadas por Marco Antônio Guimarães — diretor artístico do Uakti —, o coreógrafo Rodrigo Pederneiras criou uma escritura coreográfica cujo pulso, ou impulso, é de transpiração matemática.

“Lecuona” (2004) – Em 2004, o Grupo Corpo rende-se à genialidade do maior ícone da música cubana, o pianista Ernesto Lecuona, e decide abrir uma exceção à regra estabelecida em 1992, de só trabalhar com trilhas exclusivas para colocar em cena o balé que leva o seu nome: “Lecuona”, uma dança da paixão – tortuosa, difícil, divertida, alegre, impossível.

“Onqotô” (2005) – A perplexidade e a pequenez do homem diante da vastidão do universo são o tema central de "Onqotô", balé que, em 2005, marcou as comemorações dos 30 anos do Corpo. Assinada por Caetano Veloso e José Miguel Wisnik, a trilha sonora tem como ponto de partida uma bem-humorada discussão sobre a paternidade do universo.

“Sem mim” (2011) – O mar (de Vigo), que leva e traz de volta o amado, o amigo, é o que dá vida e movimento a “Sem mim”. O balé é embalado pela trilha original urdida a quatro mãos pelo espanhol Carlos Núñez e pelo brasileiro José Miguel Wisnik, a partir do único conjunto de peças do cancioneiro profano medieval galego-português que chegou aos nossos dias.

*Para comentar, faça seu login ou assine

Publicidade