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Estado de Minas Coluna

Como eu conheci o rei Pelé em uma viagem para a Itália em 1987

Ex-jogador preencheu todas as expectativas e, ainda no aeroporto italiano, foi reconhecido por um grupo de asiáticos: algazarra total


31/10/2020 04:00 - atualizado 31/10/2020 07:25

Pelé ao ser coroado rei após jogo contra a Seleção da Áustria, em 1971: ex-jogador comemorou recentemente seus 80 anos(foto: Revista O Cruzeiro/Arquivo EM %u2013 11/7/1971)
Pelé ao ser coroado rei após jogo contra a Seleção da Áustria, em 1971: ex-jogador comemorou recentemente seus 80 anos (foto: Revista O Cruzeiro/Arquivo EM %u2013 11/7/1971)

Deixei passar muitos dias da publicação de todas as homenagens prestadas aos 80 anos de Pelé para contar como o conheci e como ele preencheu todas as expectativas que rolavam pelo mundo em 1987.

Como aconteceu em outras viagens, fiz parte também de um convite que a Fiat fez ao jogador e a um grupo de jornalistas para visitar sua fábrica em Milão.

Como estava mais ou menos ataché, não tinha razão profissional para acompanhar a programação. E como queria ir a Milão para conhecer a igreja e o Santo Sudário de Cristo, não perdi o bonde. Deixei meu marido com as responsabilidades oficiais e botei o pé no mundo.

O comandante da caravana era o atual governador de São Paulo, João Doria, que, na época, comandava a Embratur. Já o conhecia de meses antes, quando fui com Carlos Carneiro Costa assistir ao lançamento de um condomínio fechado em São Paulo, que tinha a participação de Doria. Sabia de seu refinamento e vi que da tal viagem só poderia sair coisa boa. E não deu outra coisa.

Embarcamos para a Itália em primeira classe, depois de todos nós termos sido apresentados ao Pelé. A viagem foi normal, era direto para Roma, mas não sei por qual razão tivemos que fazer uma parada técnica – não me lembro mais se foi em Bolonha ou em Milão.

Só sei que ao botarmos o pé na pista do aeroporto, chegava também um voo de algum país asiático. E, surpresa das surpresas, alguém do outro voo reconheceu Pelé. Ele foi cercado, assediado, cumprimentado, os homens queriam todos ser fotografados com ele.

Foi um tempo quente que movimentou o aeroporto e Pelé, depois de uma noite de viagem, atendia todos com a maior simpatia e atenção. É claro que fiquei pasmada de ver aquela popularidade, vinda de passageiros de um voo que não tinha a menor noção da presença do jogador brasileiro no local – e nem tampouco como seriam bem recebidos por ele.

Chegando em Roma, fomos para o Hotel Excelsior, na Via Vitório Venetto, que era o máximo de cinco estrelas da época. Assim como a Via Vitório Venetto era o máximo de tudo o que era fino na cidade, desde os cafés na calçada, ocupados dia e noite pela fina flor do turismo internacional, até lojas de lançamento de moda e acessórios. Não havia nada melhor e mais legal em matéria de turismo.

E por lá ficamos, com um sucesso extra: a polícia da cidade isolava a porta do hotel, de um lado e outro, para impedir o avanço dos turistas e italianos em cima do “Rei Pelé”.

Entrar e sair do hotel transformou-se em uma ação bastante complicada para os hóspedes normais, a presença do maior ídolo do futebol internacional balançou não só a Via Vitório Venetto como a imprensa local, com repórteres e fotógrafos tentando uma exclusiva com o ex-jogador.

A entrevista coletiva de Pelé foi concedida em um auditório repleto de imprensa e convidados especiais. Ele respondia a todas as perguntas, sem deixar ninguém falando sozinho. De lá, fomos almoçar na embaixada do Brasil, que fica em belo prédio da bela Praça Navona.

Na época, representavam o Brasil dois mineiros já bem conhecidos daqui – Lúcia e Paulo Tarso Flecha de Lima. Não foram poucos os funcionários da casa que quiseram ser apresentados ao rei. Foi uma tarde muito legal, depois fomos para o hotel porque, no dia seguinte, seria realizada a programação oficial da viagem, a visita à fábrica da Fiat em Milão.

Aproveitei por não ser presença “oficial” na caravana para dar um grande bordejo a pé por Milão. Seguindo o mapa para chegar à capela do Santo Sudário, vi uma livraria e comprei um livro que leio sempre, Coração, do italiano Edmundo de Amicis.

Com o livro em punho, rumei para a capela. Decepção: o Santo Sudário não estava exposto, tinha sido retirado para uma temporada de recuperação. No centro da capela, uma urna onde o Sudário fica habitualmente, estava colocada. E, de certa forma, serviu para pedir graças a Deus.

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