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Julho Verde chama atenção para cânceres de cabeça e pescoço

Quanto mais cedo tumores forem diagnosticados, maior a chance de cura


postado em 09/07/2020 04:00 / atualizado em 08/07/2020 20:15

Com essa quarentena que não conseguimos superar, foi só na semana passada que fiquei sabendo que uma de minhas primas, amiga querida de infância em Santa Luzia, tinha perdido sua filha mais velha, uma moça muito bonita, por causa de um câncer na cabeça. Por uma dessas coincidências da vida, julho foi batizado de mês Verde, que destaca o câncer exatamente nessas áreas. E recebi um texto de Bruna Bonaccorsi, mineira formada pela Faculdade de Ciências Médicas, pós-graduada em rádio-oncologia no Instituto Nacional do Câncer, no Rio de Janeiro, e rádio-oncologista no Instituto de Radioterapia do Hospital São Francisco, da capital, que faz parte da minha vida, pois foi lá que fiz minha radioterapia com Miguel Torres, que esteve uma temporada no Mater Dei e, até onde sei, voltou para lá. O São Francisco era o único hospital da cidade que possuía aparelhagem especial para o tratamento. Vamos às informações da especialista:

“Em meio à pandemia, chegamos ao mês de julho e, diante de tantas inseguranças acerca do futuro, existe uma certeza: a prevenção contra o câncer não pode parar. Este mês é chamado pelos especialistas em oncologia de Julho Verde, um alerta para chamar a atenção da população para os cânceres de cabeça e pescoço. As neoplasias de cabeça e pescoço englobam todos os tumores que surgem nessa região. Os mais comuns são os tumores de orofaringe, de cavidade oral, laringe, hipofaringe e nasofaringe.

Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), a estimativa é que surjam mais de 15 mil novos casos de câncer da cavidade oral, neoplasia responsável por cerca de 6 mil mortes ao ano. Na maior parte das vezes, são tumores evitáveis, decorrentes de maus hábitos de vida. Má higiene oral e vírus HPV são outras causas desses tumores. A maior parte dos pacientes são do sexo masculino e a maioria considerável tem histórico de tabagismo e alcoolismo durante a vida. O risco do câncer da cavidade oral, por exemplo, é 30 vezes maior para quem fuma e ingere álcool.

Muitas vezes, o câncer aparece como uma simples dor de garganta ou uma ferida na boca que não cicatriza. Em alguns casos são percebidos nódulos no pescoço pelo próprio paciente. Esse perfil de paciente, historicamente, demora a procurar atendimento pelo próprio desconhecimento do risco do surgimento do câncer ou mesmo por descuido. São tumores com grande chance de cura, a maior parte com tratamento cirúrgico, outros curáveis apenas com radioterapia, e há casos em que precisarão também de quimioterapia. O tratamento envolve uma equipe multidisciplinar com cirurgião de cabeça e pescoço, oncologista clínico e rádio-oncologista. O diagnóstico se dá através da anamnese e exame clínico. Quanto mais avançado o diagnóstico, mais penoso será o tratamento e mais difícil a reabilitação do paciente após o período.

Outros profissionais são de extrema importância na reabilitação desses pacientes. O dentista, o fonoaudiólogo e o psicólogo fazem um trabalho em conjunto com os médicos que é essencial ao paciente com câncer de cabeça e pescoço. A reabilitação é difícil, mas pode ser alcançada. A manutenção dos hábitos ruins também contribui para a não obtenção da cura. Alguns pacientes insistem no tabagismo, por exemplo, o que acaba por diminuir consideravelmente a eficácia do tratamento. Se a causa é o cigarro, continuar fumando é extremamente prejudicial para o paciente. O temor pelo tratamento e os efeitos colaterais, e a possibilidade de sequelas permanentes são causas importantes para o paciente também não procurar atendimento médico. Mas, ressaltando, quanto mais cedo for diagnosticado, menor a chance de complicações.

Em julho, a Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço, Regional Minas Gerais, promoverá uma série de eventos on-line abertos aos profissionais da área de saúde e à população em geral, principalmente aos pacientes e familiares, visando esclarecer as dúvidas sobre diagnóstico e tratamento das principais neoplasias de cabeça e pescoço. As aulas serão às terças e quintas-feiras, às 19h, e no sábado (18), às 16h. Pela rede social @sbccpmg é possível acompanhar os eventos”. 

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