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Estado de Minas ANNA MARINA

Obesidade é fator de risco para a COVID-19

Alerta vem de pesquisas realizadas na França e do especialista brasileiro Cid Pitombo, editor-chefe da publicação norte-americana Obesity Surgery


postado em 11/05/2020 04:00

(foto: Cícero Lopes/CB/D.A Press)
(foto: Cícero Lopes/CB/D.A Press)

Nem só os idosos correm mais riscos com a danada da pandemia. Mesmo os mais jovens com excesso de peso não estão em faixa privilegiada. E quem não é especialista, mas apenas sofredor, paga preço alto por todas as novidades que vêm surgindo a respeito da COVID-19. Como ainda não se definiu muito bem de onde o novo coronavírus apareceu, se vai sumir ao longo dos meses e de tudo que se recomenda para acabar com a vida normal e comercial do mundo, as notícias chegam de todos os cantos, de todos os países. A última que recebi vem da França.

De 27 de fevereiro a 5 de abril, pesquisadores do Instituto Lille Pasteur examinaram 124 pessoas internadas com coronavírus. Descobriram que 47,6% eram obesas e 28,2% tinham obesidade mórbida (quando o índice de massa corporal é superior a 35). A proporção de obesos que precisaram de ventilação mecânica se mostrou maior em comparação aos não obesos: 85,7% foram entubados.

Desde fevereiro, o médico Cid Pitombo, editor-chefe da publicação norte-americana Obesity Surgery e coordenador do Programa Estadual de Cirurgia Bariátrica do Rio de Janeiro, vinha alertando as autoridades brasileiras para o alto fator de risco que a obesidade apresenta para o agravamento da COVID-19. De acordo com o especialista, o comportamento do vírus no obeso brasileiro deve ser similar ao constatado na França.

“O obeso é um inflamado crônico. Minha tese de doutorado na Unicamp foi justamente sobre os efeitos dos agentes inflamatórios produzidos pela gordura, principalmente pela gordura visceral, sobre a resistência insulínica e produção do diabetes, além das doenças coronarianas e o fígado. Os vírus de alto impacto no organismo são mais graves entre os obesos por conta dessa condição da doença”, destaca Cid Pitombo.

O Ministério da Saúde já admitiu que a obesidade é o principal fator de agravamento de casos de coronavírus entre pessoas abaixo de 60 anos. Pitombo informa que os médicos têm procurado entender melhor a COVID-19 e os motivos que levam o vírus a se manifestar mais severamente em alguns pacientes. A idade já foi constatada como um dos fatores mais importantes para decidir o risco de mortalidade, mas agora a obesidade também foi identificada.

“Estudos que estão chegando da França e dos Estados Unidos ajudam no planejamento hospitalar para o enfrentamento da COVID-19 no Brasil. As unidades de saúde precisam observar melhor o obeso e o obeso mórbido que apresentam sintomas, pois a chance de o quadro se agravar, de internação e de o paciente ser entubado é maior”, afirma.

No entanto, é importante destacar que o risco aumenta para obesos não operados. “Aqueles que já passaram pela cirurgia bariátrica e estão no peso da meta não pertencem a esse grupo de risco. A maioria desses pacientes já resolveu as doenças associadas, como diabetes e hipertensão, por conta da cirurgia, e tem risco igual ao da população saudável”, destaca Cid Pitombo.

De acordo com o médico, a obesidade tem relação direta com imunossupressão, ou seja, menor poder de reagir a doenças. Além disso, o obeso tem menor resposta a vacinas contra gripe, hepatite e tétano.

Pitombo e sua equipe multidisciplinar, formada por psicólogos, nutricionistas e clínicos, montaram grupos de WhatsApp e vêm postando vídeos nas redes sociais para orientar o cidadão. A iniciativa se mostrou bem-sucedida. Os vídeos tiveram mais de 100 mil visualizações em apenas uma semana.


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