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O que tem me afligido mais é a situação dos conhecidos que dependem do dia a dia para viver

Como a grana está começando a faltar, não são poucos esses profissionais que já estão programando a volta ao trabalho mesmo diante da quarentena do coronavírus


postado em 02/04/2020 04:00


Trabalhando desde os 15 anos e durante vários deles acumulando o que sempre foi o principal e o do coração que é ser jornalista, vivia sonhando com um tempo em que poderia ficar sem nenhuma obrigação dentro de casa. Agora que a histeria mundial me obriga a guardar essa quarentena que busco compreender e aceitar, estou me sentindo uma presa sem sentença. A falta de previsão para que esse tipo de reclusão termine agrava mais a impaciência. Agrava o problema o fato de não poder me encontrar com amigos queridos, que emprenhados pela onda de terror que cerca o mundo ficam sem coragem de dar as caras. Não sei por quanto tempo essa abstinência de contato vai durar, mas espero que não seja muito longa.

A curiosidade é que nos últimos tempos perdi praticamente todo o interesse de sair de casa. Quando tenho que sair, tenho logo vontade de voltar. Mas como sempre fui avessa a qualquer tipo de proibição, a quarentena está provocando em mim efeito mais rápido e inexplicável que as pílulas contra depressão que tomo diariamente, receitadas pelo super e internacional neurologista Francisco Cardoso. Vai entender a cabeça humana.

Para passar o tempo, tenho fuxicado a casa daqui e dali e encontrado coisas das quais nem me lembrava mais, como os escritos de minha mãe sobre a sonhada viagem que fez à Europa, levada por mim como presente pelos seus 70 anos, contra a vontade de toda a família, que não achava prudente levar “uma velha” para fora do país. Pelo texto que deixou, estou recordando como ela cumpriu com toda galhardia a programação, andando cinco a seis horas por dia, visitando museus, monumentos, conhecendo lugares com os quais sonhava ver por causa de suas inúmeras leituras, já que era uma devoradora de livros.

Num de seus relatos sobre Roma, ela conta de uma noiteem  que fomos a um restaurante, onde um conjunto tocava e cantava. Ela gostou tanto quando eles cantaram Aquarela do Brasil que tratou logo de aplaudi-los. O grupo percebeu logo que ela era brasileira, pediu então a eles que tocassem Mulher rendeira, como eles não conheciam, ela não teve dúvida: cantou folgadamente, recebendo aplausos gerais.

Voltando à atual situação, o que tem me afligido mais é a situação dos conhecidos que dependem do dia a dia para viver. Como na minha família e entre os conhecidos tem de tudo um pouco, a previsão é de penúria para quem está sem poder atender clientes diários. Como a grana está começando a faltar, não são poucos esses profissionais que já estão programando a volta ao trabalho. Muito bem que o governo mostre sua cara de apoio à pobreza e doe R$ 600 mensais para quem vive de serviços informais. Mas e quem tem profissão formal, com pagamento dos impostos devidos e não está tendo qualquer tipo de rendimento? Vai recorrer a quem?

Deus que nos ajude a esclarecer as cabeças governantes para que a emenda não seja pior do que o soneto. E as pessoas, em lugar de morrer de coronavírus, não morram de fome. 

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