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Brasileira está entre as finalistas para fazer viagem a Marte

Moradora de Porto Velho está entre os 100 finalistas do projeto Mars One, que pretende enviar 24 pessoas para colonizar o Planeta Vermelho em 2022. Mesmo sabendo que se trata de uma viagem sem volta, ela se mostra entusiasmada: 'Quero realizar meu sonho'

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postado em 24/02/2015 09:00 / atualizado em 24/02/2015 10:27

Mirelle Pinheiro /


Esqueça tudo que você viu nos consagrados Interestelar, Gravidade ou qualquer outra ficção científica de Hollywood. A verdadeira jornada no espaço não será exclusividade de norte-americanos e pode contar com o protagonismo de uma brasileira. A professora Sandra Maria Feliciano, 51 anos, moradora de Porto Velho, está entre os 100 finalistas a uma viagem sem volta cuja missão (de verdade!) é colonizar Marte. A candidata contou  detalhes da aventura, enquanto se comparou ao português Pedro Álvares Cabral: “Ele também não tinha noção do que encontraria”.

O fato de ser uma viagem sem volta não assusta a pretendente a astronauta. “Mesmo se não fosse assim, eu ficaria por lá. Minha missão é colonizar Marte, e é isso que vou fazer”, disse, determinada. Se for selecionada, a brasileira será funcionária da iniciativa Mars One, receberá um salário (o valor ainda não foi informado) e participará de um treinamento por oito anos antes de embarcar para o espaço, em 2022. “Não estou interessada em dinheiro, não sei quanto vou receber. Quero fazer isso para realizar meu sonho. Já pedi aposentadoria e recusei um mestrado na Espanha para me dedicar ao projeto. Ir para Marte não é só um desafio, é uma necessidade. Alguém tem de começar”, destacou.


Ciente dos futuros percalços, ela se considera uma desbravadora e esbanja coragem (tal qual os protagonistas dos filmes hollywoodianos) ao falar do que a espera: “Aqueles que forem serão os desbravadores, espremidos em pequenas naves, podendo alcançar uma morte horrível ou a glória de entrar para a história”.

Fascinada por ficção científica, Sandra nasceu na terra do astronauta brasileiro Marcos Pontes. “Só pode ser a água de Bauru (SP)”, brincou. O interesse pelo desconhecido surgiu quando ela tinha 6 anos. “Quando assisti a Neil Armstrong pisando a Lua, fiquei encantada. Decidi que era isso que queria fazer.” Aos 9 anos, mudou-se para Rondônia, onde se formaria em direito e administração.


Apesar de (ainda) não ser astronauta e de dar aulas em uma universidade, ela se dedicou a escrever livros sobre o espaço. Os antigos — Parte 1 é uma das obras, cuja história mistura ciência espacial e descobertas arqueológicas da região amazônica, associadas a relatos mal esclarecidos sobre a formação de um planeta.

Foi ao pesquisar sobre Marte para outro de seus livros que Sandra soube do projeto Mars One. “A princípio, fiquei com receio, sem saber se era confiável. Depois, vi que cientistas ganhadores do Nobel estavam envolvidos. Eu me inscrevi e, até agora, deu tudo certo”, acrescentou, referindo-se ao holandês Gerard’t Hooft, Nobel de Física em 1999.

A família de Sandra ainda está se adaptando à ideia de ter um parente em outro planeta. “Meu pai acha sensacional, contou para todos os vizinhos. Meus irmãos me chamaram de louca”, revelou. Sandra mora sozinha, não é casada e não tem filhos, mas é muito próxima de seus pais e irmãos: “Claro que vou sentir falta deles, mas haverá um link de comunicação, com um delay de 17 minutos. A gente vai poder conversar e contar novidades, mesmo que com atraso”.


Mars One/divulgação

SELEÇÃO

O projeto vai escolher 24 pessoas para colonizar o Planeta Vermelho. Entre os pré-selecionados, estão cientistas e acadêmicos com idades entre 19 e 60 anos. Ao fim do processo, 12 homens e 12 mulheres serão lançados no espaço dentro de pequenas cápsulas.

Para concorrer ao posto de astronauta, a brasileira teve de gravar um vídeo de apresentação totalmente em inglês (dominar o idioma, língua oficial da missão, é pré-requisito). Ela ainda está no nível básico do inglês, mas contou com ajuda dos professores do curso que frequenta. No início, eram mais de 200 mil candidatos. Após a fase de entrevistas on-line, restaram apenas 100.

Sandra integra o grupo com 50 homens e 50 mulheres que atravessaram com sucesso a segunda rodada. Os candidatos vêm de todo o mundo: 39 das Américas, 31 da Europa, 16 da Ásia, sete da África e sete da Oceania. “O grande corte de candidatos é um passo importante para sabermos quem tem as qualidades certas para ir a Marte”, disse o holandês Bas Lansdorp, cofundador e diretor-executivo da fundação Mars One em comunicado oficial.

O treinamento de oito anos começa com preparação psicológica. Em seguida, os candidatos vão receber treinamento técnico em áreas como medicina e engenharia. Na terceira e última etapa, grupos serão enviados, durante três meses, para diferentes países, onde vão simular a convivência em Marte. O ritual se repetirá anualmente, até a data da missão.

Enquanto isso, em 2016 serão enviados o satélite de comunicação e rovers (uma espécie de robô explorador) para checar o local onde a colônia será instalada. Entre 2018 e 2020, serão enviados os diversos módulos contendo alimentação, água, oxigênio, painéis fotovoltaicos e o restante do equipamento.

Em 2022, sairão os casulos, que serão também os hábitats, com aproximadamente 52m² para cada casal. O módulo contém quarto, sala, banheiro, aérea de hidroponia (técnica especial de cultivo) e higiene. Ao pousar no planeta, esses módulos ficarão abaixo do nível do solo, para impedir a incidência de radiação nas “casas”.

ALERTA DO MIT
O projeto Mars One é visto com desconfiança por muitos especialistas e, segundo alguns cientistas, tem poucas chances de êxito. Recentemente, um estudo feito por pesquisadores do Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT) concluiu que os desbravadores de Marte devem começar a morrer após 68 dias no planeta. O grupo de especialistas chegou a essa conclusão depois de analisar dados científicos disponíveis sobre a missão. Segundo o informe de 35 páginas, divulgado em outubro passado, os astronautas devem morrer asfixiados. As plantas, que teoricamente devem alimentar os colonos, produzirão oxigênio demais, e a tecnologia para equilibrar a atmosfera ainda não foi desenvolvida. Além disso, os colonos dependerão do envio de peças de reposição em uma missão que poderá custar US$ 4,5 bilhões, uma cifra que, segundo os autores do informe, aumentará com o envio de outros equipamentos.

 

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