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Indecisos são aqueles que vão definir eleição no domingo

Praticamente empatados, presidenciáveis têm uma semana para se valer de todas as armas que tiverem na tentativa de trazer para si esses eleitores

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postado em 20/10/2014 06:00 / atualizado em 20/10/2014 08:13

Juliana Cipriani /

Na eleição presidencial que vem sendo considerada a mais disputada desde a redemocratização do Brasil, o voto dos indecisos tem peso de ouro. Praticamente empatados, a presidente Dilma Rousseff (PT) e o senador Aécio Neves (PSDB) têm uma semana para se valer de todas as armas que tiverem na tentativa de trazer para si esses preciosos eleitores. Pelas últimas pesquisas, há um pequeno universo de 5% do eleitorado que, em uma briga a ser definida voto a voto, torna-se importante trunfo a ser conquistado pelos rivais históricos.


O clima de final de campeonato entre dois times rivais torna essa camada de eleitores um nicho ainda mais disputado. A guerra entre as “torcidas”, estimulada pelos candidatos, vem ganhando força nas ruas e nas redes sociais e, com isso, pelo menos os indecisos ouvidos pelo Estado de Minas fazem questão de dizer que no dia da eleição vão escolher um lado. Para eles, os últimos programas de televisão e o debate de sexta-feira serão as principais fontes para chegar a uma decisão. Motivos para ser contra Dilma ou Aécio, segundo os que ainda não se decidiram, não faltam, mas é preciso escolher. A crítica comum aos dois é o nível da campanha, que nos últimos dias, como definem, se transformou em uma gama de troca de acusações políticas e pessoais.

Para o cientista político e professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Carlos Ranulfo Félix de Melo, o eleitor indeciso precisa de uma campanha mais esclarecedora. Neste sentido, o professor acredita que os últimos programas de televisão e o debate serão muito importantes, “desde que o eleitor encontre alguma informação, e não apenas ataques.” “Esse eleitor quer um argumento que o convença”, disse. Pelo quadro atual, Ranulfo explica que os indecisos estão sendo convidados a aderir a dois projetos: um que afirma que o país está muito ruim e deve mudar e outro que diz que ele já está mudando há muito tempo e vai melhorar. “Resta saber no que eles vão acreditar”, afirmou.

O clima de baixaria entre as candidaturas que se estabeleceu na reta final, segundo Ranulfo, serve apenas para demarcar território. Aécio tenta se marcar no campo anti-PT, enquanto Dilma quer que Aécio fique com a pecha de candidato do retrocesso. “Eles usam isso para se aproximar do eleitor. Se ele cai em uma dessas conversas, já está resolvido.”

Os indecisos, como a maioria do eleitorado brasileiro, segundo o cientista, não são ideológicos e deixam para decidir o voto nos últimos dias da campanha. Por isso, qualquer erro de Aécio ou Dilma nesta semana pode ser fatal. O peso maior, para o professor, ficará com o último encontro entre petista e tucano na televisão, marcado para sexta-feira, na Rede Globo. “Em uma campanha empatada, o último debate passa a ser o momento mais importante para as pessoas que querem escolher o voto, mas ele pode não decidir nada também. Se os candidatos ficarem somente nas agressões, pode ter eleitor que prefira anular o voto”, disse.

Conforme mostrou o EM, além dos que não sabem em quem votar e dos que dizem nas pesquisas que pretendem anular a decisão ou deixá-la em branco – juntos, eles somam pouco mais de 10% do total –, um grande número do eleitorado tende a não comparecer às urnas. A se repetir a tendência das eleições de 2002, 2006 e 2010, o número de pessoas aptas a votar que abrem mão do direito vai aumentar no segundo turno em relação ao primeiro. No dia 5 de outubro, 27,7 milhões de eleitores não votaram, o que equivale a 19,39% do eleitorado brasileiro. Para o domingo, a expectativa é que esse contingente suba para 31,6 milhões, ou seja, uma abstenção de 22,2%.

Beto Magalhães/EM/D.A Press

» Fernando Campos Figueiredo,
31 anos, designer gráfico


Estou acompanhando esses debates, mas ficam algumas dúvidas ainda, estou dividido. Estou querendo mudança, mas não estou tão confiante. Queria mesmo ver alguma mudança de verdade, porque tem bastante tempo que o PT está no poder e não concordo com um governo com tanto tempo de um partido, aí gosto de ver alguma coisa diferente. Quando entra sangue novo, acho que pode mudar muita coisa, mas eu não estou tão confiante nesse governo do PSDB pelos problemas que tiveram antigamente. Era jovem ainda, mas cheguei a acompanhar alguma coisa. E também porque acho que o PT fez alguma diferença, deu para ver algumas mudanças de uns anos para cá. Acho que está tudo muito igual, debates com os mesmos assuntos de sempre, mas estou tentando decidir conversando também com quem entende de política para tentar decidir aí nessa reta final.

Beto Magalhães/EM/D.A Press

» Ronaldo Luiz dos Anjos,
34, vendedor


Não sei. Aécio não acho que é um candidato ainda adequado para a Presidência do Brasil e a Dilma não sei se vai continuar fazendo um bom governo. Acho que o governo dela foi regular, não foi péssimo nem também muito bom. Acho que precisa combater mais a corrupção e a violência. Vou ver os últimos debates para tentar decidir, porque neles dá para ver quem é o candidato melhor para o Brasil. No primeiro turno, votei na Marina. Agora não penso em anular, vou decidir ainda no final da campanha. Vou ver o que cada um dos dois tem que pode me motivar no final da campanha. 

Beto Magalhães/EM/D.A Press

» Arthur Guilherme Almeida de Souza,
22 anos, arquivista

Essa eleição está tendo muita acusação, então, fica meio difícil escolher. Ficam acusando de algumas coisas erradas. No primeiro turno votei na Marina. Meu voto está mais para o lado do Aécio mas ainda tenho um pé atrás com ele. Não vejo programa eleitoral. Sei lá, acho que vou usar as informações que pego, os debates. Mas o Aécio tem muitas coisas também que a Dilma acusa e o Aécio acusa a Dilma, aí não sei. Acreditar é meio difícil, alguns casos do Aécio que ela usa no debate eu sei que é verdade. E a Dilma, é só lembrar do governo dela. Nesses dias que faltam para a eleição vou me informar, pegar um pouco mais de informação dos dois. Anular não penso. 

Beto Magalhães/EM/D.A Press

» Michele Cristina de Oliveira,
27 anos, fotógrafa


Estou indecisa, porque nada acontece no país, infelizmente. Mesmo sabendo que a gente tem que votar, não sabe o que vai acontecer, imagina-se que qualquer um que ganhar vai continuar do mesmo jeito. Até pelos debates a que assisti, a dúvida aumenta mais ainda porque a única coisa que acontece é eles ficarem jogando coisas na cara um do outro, parecendo lavar roupa suja. Jogam coisas que realmente aconteceram no país, no caso da Dilma, o PT está tirando direitos do trabalhador, diminuindo nossas vantagens. Por exemplo, o seguro desemprego pelo tempo que trabalhasse tinha até seis meses, agora diminuiu para cinco, daqui a pouco vai diminuir para quanto? Fica difícil, a gente tem essa dúvida porque você não tem certeza de nada. E o PSDB, não tenho muita lembrança, não sei se já esteve na Presidência, mas eu sempre votei no PSDB. O meu voto seria para Marina, mas como ela não se classificou para o segundo turno.

Beto Magalhães/EM/D.A Press

» Alex Magno da Silva,
40 anos, auxiliar autônomo


O que a gente está vendo é só um criticando o outro, proposta que é bom nada. Falta ter mais certeza do que eles vão fazer para saúde, escolas. Para decidir vou ver o último debate, tenho que escolher um dos dois porque voto nulo não decide eleição. No primeiro votei na Marina e agora estou indeciso. Estou esperando é proposta mesmo, procurando conhecer o que eles pensam, porque até agora tem sido só um criticando o outro. No último debate e nos programas está um alfinetando o outro.