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Febre do 'zapzap' chega à campanha

Equipes de Aécio e Dilma espalham pelo WhatsApp vídeos com apoios e ataques ao adversário

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postado em 16/10/2014 06:00 / atualizado em 16/10/2014 07:30

Daniel Camargos /

A vedete da vez da campanha eleitoral é o WhatsApp. O aplicativo para smartphones, que permite compartilhamento de fotos, vídeos, áudio e texto, é uma febre no país, e os dois candidatos à Presidência da República, Aécio Neves (PSDB) e Dilma Rousseff (PT), surfam nessa onda espalhando, principalmente, vídeos com declarações de apoio e ataques na tentativa de desconstruir o oponente. Do lado da campanha tucana, vídeos feito com o celular com um depoimento de Aécio dirigido ao público do WhatsApp e outro do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) viralizaram, jargão usado por aqueles que trabalham com mídias sociais para classificar uma postagem que se espalha rapidamente entre os usuários. A campanha petista, por sua vez, lançou mão de uma gravação – também com caráter amador – de uma declaração de voto do cantor Chico Buarque.


“É um espaço difícil de medir o alcance, por isso é pouco explorado pelos profissionais,

pois não podem vender o serviço”, afirma Alberto Lage, membro da juventude do PSDB. O secretário estadual da juventude do PT, Miguel Ângelo, diz que percebe o sucesso da tática quando observa que pessoas diferentes e que circulam em esferas distintas compartilham o conteúdo de forma espontânea. “O aplicativo tem influência nas pessoas indecisas, principalmente aquelas que não têm tempo de ver os programas de televisão nem têm acesso a jornais”, analisa Miguel.

A juventude tucana mineira se denomina Turma do Chapéu e, segundo Alberto Lage, o trabalho deles é voluntário. Ele e mais três amigos fizeram um site para fomentar o discurso dos partidários de Aécio, com respostas prontas para os ataques usuais recebidos pelo ex-governador de Minas Gerais. Para chamar a atenção para o site gravaram com Aécio Neves, após uma entrevista coletiva do candidato no Rio de Janeiro. As imagens foram feitas com o celular sem os salamaleques de produção típicos de campanhas eleitorais.

O depoimento do tucano se espalhou – ou viralizou. Na carona do sucesso, um dos fundadores da Turma Chapéu, Gabriel Azevedo, que não é mais filiado ao PSDB, gravou um vídeo com o celular no qual conversa com FHC. O ex-presidente, que é duramente atacado nos programas de televisão da candidata Dilma Rousseff, explica para os partidários de Aécio que a melhor forma de conseguir voto é ir para as ruas.

Choro

O contra-ataque petista se dá em várias frentes. Uma delas foi um vídeo curtíssimo, de seis segundos, com o cantor Chico Buarque dizendo que vai votar em Dilma. Além disso, um dos sites da campanha petista, o Muda Mais, disponibilizou um número para que os militantes do partido denunciem as campanhas contrárias à petista. Um dos vídeos que mais incomodaram a equipe da candidata à reeleição é de uma criança chorando, dizendo que tem medo da Dilma ser reeleita. Outra queixa foi em relação a gravações de pessoas imitando a voz do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) dizendo que não apoia a candidata do seu partido e que votará em Aécio.

A militância do PT também se organiza para divulgar informações sobre a presidente e críticas ao tucano. De acordo com o secretário estadual da Juventude do PT, Miguel Ângelo, as informações são repassadas para os grupos dos militantes, que, por sua vez, repassam para seus contatos pessoais, fora do universo político. “Estamos desconstruindo o nome de Aécio, principalmente, aqui em Minas”, afirma Miguel.