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Dilma se declara 'meio pardinha'

Presidente diz que PSDB nunca se preocupou com o Nordeste

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postado em 10/10/2014 00:12 / atualizado em 10/10/2014 11:59

Grasielle Castro

Ichiro Guerra/Divulgação

Salvador – A presidente Dilma Rousseff (PT) pediu, em tom de brincadeira, uma vaga no Olodum, um dos mais tradicionais blocos afros da capital baiana, durante campanha em Salvador ontem. “Eu inclusive já falei que, quando deixar de ser presidente,  vou ver se eu consigo ali um espaçozinho pra mim (tocar no Olodum). Sou meio pardinha, então  acho que eu passo lá”, disse, em entrevista a rádios baianas.

Nessa quinta-feira, nas passagens pela Bahia, Sergipe e Alagoas, a presidente mirou no ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC). O Nordeste foi escolhido para dar o pontapé na campanha do segundo turno por ser a região onde os palanques regionais já estão definidos e para consolidar o bom resultado obtido pela presidente no último domingo. Lá, ela teve mais de 12 milhões de votos que Aécio. No Piauí, onde iniciou o périplo, ela teve o maior percentual de votos do país. Foi a preferida de 70% dos eleitores.

Em seguida, ela esteve na Paraíba, onde o candidato do PSB ao governo do estado, Ricardo Coutinho, a apoia. Ela criticou a declaração de FHC de que o PT cresceu no país com voto dos menos informados, feita na segunda-feira ao portal UOL. Disse estar preocupada com a afirmação. Segundo ela, seus adversários estão fazendo uma oposição “ridícula” entre as duas regiões, “destilando ódio mal resolvido”. Acrescentou ainda que há uma visão preconceituosa e elitista. “Estão dizendo que meus votos são os dos ignorantes e dos letrados são os deles. Eles não andam no meio do povo, não dão importância ao povo. Querem desqualificar, destilar um ódio mal resolvido”, disse.

Ela destacou também que, desde 2003, 4 milhões de empregos formais foram criados no Nordeste, 1 milhão no governo dela. “Não concordo em aumentar a desigualdade de renda. Levamos mais qualidade de vida para os nordestinos e nordestinas. Lula e eu”, disse.

O discurso da petista incluiu ainda alfinetadas a Aécio Neves, com a intenção de se mostrar como a única candidata capaz de manter as conquistas dos últimos 12 anos. “Somos diferentes dos nossos adversários. Quando tivemos oportunidade, fizemos. Quando tivemos condições, fizemos. E vamos fazer muito mais. Não sei se vocês notaram, mas meu adversário do PSDB tem a mania de dizer que tudo que fizemos e deu certo, ele vai continuar. É muito engraçada essa mania. Por que não fizeram antes quando tiveram oportunidade?”, afirmou.

Na lista de realizações do seu governo e de Lula, ela ressaltou o aumento do salário mínimo e a baixa taxa de desemprego. “Enquanto o mundo desemprega, criamos 21 milhões de empregos com carteira assinada. Defendemos o emprego e o salário dos brasileiros, diante de qualquer crise econômica.”

CONTROLE DO ELEITOR A presidente disse que ninguém controla o voto do eleitor. “Eles vão olhar para a urna e pensar no que é bom para o país e para o povo. Ela aproveitou os eventos para pedir uma “onda que convença as pessoas a votar no 13”.

Dilma também aproveitou para tentar desqualificar o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, já apontado por Aécio Neves como seu ministro da Fazenda, caso eleito, em um tema sensível à população nordestina, o salário mínimo. “Uma coisa muito grave é quando eles implicam com o salário mínimo – e implicar com o salário mínimo é a maior característica desse senhor que foi presidente do Banco Central e agora aparece como um eventual futuro ministro da Fazenda, mas que não vai ser”, disse Dilma. “Ele não gosta do salário mínimo. Eles acham que, para resolver os problemas do Brasil, têm de diminuir o salário mínimo; dizem que o salário mínimo está recessivo. Isso é um escândalo. Essa é a típica proposta que fez com que este país quebrasse três vezes”.

PSB

Dilma disse estar “extremamente tranquila” em relação aos apoios recebidos por Aécio Neves  de outros partidos. PSB, PSC e PV anunciaram adesão ao tucano. A presidente afirmou que confia na população para comparar as duas propostas.