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Estado de Minas

Feliciano ameaça rebelião evangélica

Deputado diz que governo deve lembrar que no ano que vem tem eleição antes de interferir na votação da 'cura gay'


postado em 20/06/2013 06:00 / atualizado em 20/06/2013 07:59

Deputado pastor Marcos Feliciano recomendou 'juízo' a ministros
Deputado pastor Marcos Feliciano recomendou 'juízo' a ministros

Brasília
– Com um discurso inflamado, o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, Marco Feliciano (PSC-SP), ameaçou nessa quarta-feira uma rebelião da bancada evangélica caso o governo interfira na votação do projeto conhecido como "cura gay". Ao negar que a aprovação da proposta na comissão tenha sido uma provocação aos manifestantes que tomam as ruas de vários estados, o deputado disparou ataques a ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, que prometeu mobilizar o governo para evitar que a proposta avance na Casa. Feliciano recomendou "juízo para a dona ministra", disse que ela "mexe onde não devia" e a aconselhou a procurar a presidente Dilma Rousseff porque "no próximo ano" tem eleições.

Nessa quarta-feira foi a vez de o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, seguir a posição de Maria do Rosário e criticar a aprovação do projeto de lei de autoria do deputado João Campos (PSDB-GO) que permite a psicólogos oferecer tratamento para a homossexualidade. "Não é correto um projeto de lei querer estabelecer cura para aquilo que não é doença. Acredito que essa Casa, que fez a Constituição e o SUS (Sistema Único de Saúde), certamente (...) vai julgar que um projeto não pode estabelecer cura para aquilo que não é doença", disse Padilha após encontro com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).

O texto precisa ainda passar pelas comissões de Seguridade Social e Constituição e Justiça. Padilha disse que conversou sobre o tema com os presidentes dos dois grupos e disse acreditar que a questão será tratada "de forma sensata" nelas.

Feliciano incluiu Padilha em suas ameaças. “Estamos sendo achincalhados. Quero saber se os ministros Maria do Rosário e Alexandre Padilha falam em nome da presidente Dilma. Se estiverem falando, vamos tomar providências. Estamos nos sentido rejeitados, agem por preconceito só porque somos evangélicos”, queixou-se ele, no plenário.

Antes, o aviso foi mais explícito: "Queria aproveitar e mandar um recado: dona ministra Maria do Rosário dizer que o governo vai interferir no Legislativo é muito perigoso. É perigoso, dona ministra, principalmente porque ela mexe com a bancada inteira", afirmou. Segundo o deputado, Maria do Rosário deveria procurar a presidente Dilma  antes de falar. "A ministra falar que vai colocar toda a máquina do governo para impedir um projeto, acho que ela está mexendo onde não devia. Senhora ministra, juízo. Fale com a sua presidente porque o ano que vem é político", completou.

Em 2010, um dos motivos apontados para a campanha presidencial ter ido para o segundo turno foi a onda de boatos entre eleitores religiosos contra Dilma.

Recurso O vice-líder da minoria na Câmara, o deputado federal Simplício Araújo (PPS-MA), ingressou ontem com recurso contra a aprovação da "cura gay". No recurso ao presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), o parlamentar afirma que Feliciano usou de manobra antirregimental ao colocar em votação a proposta, atropelando o regimento.

ANÁLISE DA NOTÍCIA

Marketing com o dinheiro público

Toda uma comissão a serviço de um só. Quanto mais polêmica provoca o o deputado pastor Marco Feliciano (PSC-SP), mais popular ele se torna  entre o crescente eleitorado conservador. Depois de cinco adiamentos, a comissão que ele preside aprovou o projeto conhecido como “cura gay”, mesmo sem a mínima possibilidade de a proposta passar no plenário, isso se for aprovado em outras duas comissões: Seguridade Social e Constituição e Justiça. Isso mesmo, seis reuniões de comissão, às custas do erário, para satisfazer o ego da bancada evangélica. E com o repúdio das minorias que a comissão diz representar com o nome de Direitos Humanos e minorias. Além de demonstrar desprezo pelo dinheiro público, Feliciano é surdo à voz das ruas que identifica nas propostas dele o retrocesso que as manifestações pelo país querem afastar. (Patrícia Aranha)


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