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Tumulto entre PM e ciclistas expõe desafios para autoridades no carnaval de BH

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postado em 06/02/2016 06:00 / atualizado em 06/02/2016 08:08

Guilherme Paranaiba , Rafael Passos

Facebook/Reprodução
Na esteira do crescimento do carnaval de Belo Horizonte, a capital mineira registrou mais uma confusão que revela o tamanho do desafio para este ano. Desta vez, depois da tensão com o inesperado bloqueio de trânsito provocado por foliões do bloco Chama o Síndico, policiais militares encerraram com prisão e dispersão o encontro de cerca de 700 ciclistas do Bloco da Bicicletinha. A ação motivou a Ouvidoria de Polícia de Minas Gerais a pedir apuração à Corregedoria da PM. Vídeos postados na página do evento numa rede social mostram militares agindo para dominar algumas pessoas e impedir que outras se aproximassem. Houve 26 tiros de balas de borracha, foram lançadas 14 bombas de gás e efeito moral e também acionada uma arma de choque. Participantes do movimento se revoltaram, afirmando que houve truculência e inabilidade. Já a PM alega que reagiu a atos hostis quando tentava desimpedir o trânsito.

O ouvidor de Polícia do estado, Paulo Alkimim, considerou o episódio preocupante. “A polícia deve estar preparada para este tipo de ação, principalmente no carnaval, que hoje conta com a participação de muitas mulheres e crianças”, afirma. Ele conversou com o chefe do Estado-Maior da PM, coronel Marco Antônio Bicalho, pedindo apuração. Se comprovado abuso de autoridade, ele quer punição dos militares envolvidos não só pela corregedoria, mas também pela Promotoria de Direitos Humanos do Ministério Público.

O arquiteto Fernando Tourinho, de 30 anos, foi detido e levado para uma delegacia na Rua da Bahia. Ele relatou que, quando o cortejo chegou à Praça Raul Soares, por volta de meia-noite, a confusão começou. Tourinho disse que uma viatura da Rotam começou a se movimentar em direção aos ciclistas. “Parecia que queriam passar por dentro do bloco e muitas pessoas pediram que eles se acalmassem”, contou. O arquiteto relatou que pulou da bicicleta ao perceber que poderia ser atropelado pelo veículo. Conforme sua versão, a viatura atingiu a bike, que foi parar embaixo do carro.

O ciclista admitiu que ele e outros integrantes do bloco se exaltaram e protestaram. “Fiquei muito nervoso, em estado de choque. Não tem o menor sentido o que a PM fez”, afirmou. Em seguida, os policiais o imobilizaram e o levaram para a viatura, enquanto o grupo condenava a prisão. Ele diz ter sofrido ferimentos leves nos ombros e em um dos pés na ação policial. A PM sustenta ter sido atacada nesse momento a pedradas e pauladas, o que teria levado ao uso de bombas de efeito moral, tiros de balas de borracha e arma de choque.
'NORMAL' O capitão Flávio Santiago, assessor de imprensa da PM, classificou a ação como “normal” diante do apontou como “necessidade de reestabelecer a ordem” e criticou o fato de o bloco não ser cadastrado na Belotur. Como consta do boletim de ocorrência, ele acusa Fernando de ter jogado a bicicleta, atingindo o para-choque da viatura. O PM diz que o bloco tumultuava o trânsito e que não houve solução no diálogo. “Quando temos um evento que não é avisado, ocorrem muitas dificuldades e acontece de entrarmos no circuito no momento que em já houve fechamento do trânsito e em que já há situação de conflito instaurada”.

Um dos organizadores do bloco, Túlio Castanheira rebate a necessidade de cadastramento pelo fato de o movimento ser uma reunião frequente de amigos nas ruas de BH, que têm o mesmo direito de usar as vias que os carros: “Quando aconteceu a confusão, o bloco já estava quase todo na área da Praça Raul Soares, fora das pistas do trânsito, não tem explicação”.
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