SIGA O EM

Notícia de deslocamento de barragem assusta moradores de Mariana

O desastre voltou a fazer parte do cotidiano da cidade de passado colonial e, principalmente, a ressuscitar a fatídica quinta-feira em que a lama dominou a paisagem, matou gente, deixou desabrigados, e acabou com o meio ambiente

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.
[{'id_foto': 995612, 'arquivo_grande': '', 'credito': 'Arte EM', 'link': '', 'legenda': '', 'arquivo': 'ns62/app/noticia_127983242361/2016/01/28/729065/20160128074156934163e.jpg', 'alinhamento': 'left', 'descricao': ''}]

postado em 28/01/2016 06:00 / atualizado em 28/01/2016 07:42

Gustavo Werneck, Enviado especial

Arte EM

Mariana –
O fantasma de 5 de novembro volta a assombrar os distritos e subdistritos atingidos pelo rompimento da Barragem do Fundão, em Bento Rodrigues, a 50 quilômetros do Centro Histórico de Mariana, na Região Central. No início da tarde de ontem, por volta do meio-dia, trabalhadores e todas as demais pessoas que estavam na área que restou da comunidade de Bento Rodrigues receberam a ordem expressa para deixar essa “terra arrasada” pela lama que vazou da estrutura da mineradora Samarco.

O desastre voltou a fazer parte do cotidiano da cidade de passado colonial e, principalmente, a ressuscitar a fatídica quinta-feira em que a lama dominou a paisagem, matou gente, deixou desabrigados, acabou com o meio ambiente em Minas e Espírito Santo, até o Oceano Atlântico, na pior tragédia socioambiental do país. “A gente fica apavorada. Já vivemos tudo aquilo, sofremos tanto, perdemos nossas casas e agora vem esse susto novamente”, disse Marinalva dos Santos Salgado, viúva, que hoje mora em Mariana, numa casa alugada pela Samarco e tenta, com mais sete pessoas, recuperar a produção de pimenta-biquinho, uma tradição em Bento Rodrigues.

Rapidamente, o boca a boca se espalhou pela cidade e arredores. “Pensei que fosse em Saramenha, entre Mariana e Ouro Preto, mas é na Barragem do Fundão, que é próxima da de Santarém”, confundiu-se um comerciante já apavorado com a possibilidade de rompimento. Depois, mais calmo, ele ficou sabendo que se tratava, segundo anunciou a empresa, de “uma movimentação de parte da massa residual de Barragem do Fundão devido às últimas chuvas”. A mineradora explicou ainda que “de forma preventiva, e seguindo seu plano de emergência”, orientou os empregados, “que atuam próximo à área afetada, a deixar o local”. Ao sair, nenhum deles quis dar maiores detalhes sobre o ocorrido. Como se tivessem sido treinados para um momento desses, todos demonstraram calma e orientaram as pessoas a deixarem o local o mais rápido possível.

BOATOS E VERDADES A notícia se espalhou pela região e alguns já falavam em novo rompimento e que sirenes haviam sido acionadas para alertar a população. Segundo a Samarco, isso não foi necessário. O analista de sistemas Leonardo de Souza Silva, de 30, também ficou preocupado com as primeiras notícias que chegaram boca a boca: um amigo de um trabalhador de uma firma havia falado em rompimento. Depois, ele soube que a chuva causara o estrago.

 

Na portaria da Samarco, perto da Barragem de Germano, começaram a chegar, por volta das 16h, carros da Polícia Militar do Meio Ambiente. Na sequência, helicópteros da PM e dos Bombeiros sobrevooaram a região da Barragem do Fundão. Autoridades entraram pela portaria principal da empresa. Um assessor de imprensa da Samarco entregou nota de esclarecimento e disse que os diretores não dariam entrevista. Não foi divulgado o número de pessoas que teriam sido obrigadas a deixar o local.

Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação
600