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Projeto Pedala BH já atraiu quase cinco mil usuários em menos de um mês

Iniciativa, que incentiva o compartilhamento de bicicletas, ganha adeptos na capital. Apesar disso, regras ainda são desconhecidas por muitos

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postado em 03/07/2014 06:00 / atualizado em 03/07/2014 08:03

Junia Oliveira /

Fotos: Juarez Rodrigues/EM/D.A Press
Tem gente que se senta na calçada para esperar a vez. Outros ficam ali do lado, de butuca, apenas esperando a magrela chegar, já com o celular na mão e prontos para dar o comando. E há quem olhe desconfiado, com ar curioso, pensando em aproveitar também. Inaugurado em Belo Horizonte no mês passado, o sistema de compartilhamento de bicicletas já faz parte da rotina de moradores e turistas. Nas quatro estações instaladas na cidade, é grande a disputa por uma bike. A novidade, porém, ainda causa confusão entre os usuários, que têm dificuldade de entender as regras e cobram informações mais claras.

Na primeira fase do projeto Pedala BH, 40 bicicletas, distribuídas em quatro estações, foram disponibilizadas na Região Central da capital. De acordo com a BHTrans, serão 30 estações em operação em setembro. Até o fim do ano, a cidade vai ganhar outras 40 – 34 na Área Central (Barro Preto, Boa Viagem, Centro, Funcionários, Lourdes, Santa Efigênia, Santo Agostinho e Savassi) e o restante na orla da Pampulha. Cada estação guarda 10 bikes. Para retirar uma delas, basta o interessado se cadastrar pela internet (www.movesamba.com/bikebh), baixar um aplicativo no smartphone ou ligar para o número 4003-9847.

Desde o início do projeto, em 7 de junho, foram feitas cerca de 3,1 mil viagens e 4,8 mil pessoas se cadastraram, informa a Serttel/Samba Transportes Sustentáveis, empresa responsável pelo projeto de compartilhamento, em parceria com o Itaú/Unibanco e a Prefeitura de Belo Horizonte.

Fácil

As amigas Júlia Viotti e Clara Trópia, de 14 anos, têm pedalado na Praça da Liberdade, na Região Centro-Sul. Depois de experimentar o compartilhamento no Rio de Janeiro, Júlia comemorou a adesão de BH ao sistema de transporte sustentável. “É fácil, pois o acesso se dá por aplicativo no celular, além de ser muito agradável, pois a praça é um espaço bonito e amplo”, disse Clara.

As bicicletas podem ser usadas por até 60 minutos, de segunda-feira a sábado, e até 90 minutos, nos domingos e feriados. Depois desse período, a bike é devolvida, mas pode ser retirada novamente em 15 minutos. “Como ainda há poucas, acho justo o rodízio para que todos possam aproveitar”, afirma Júlia. “Quando chegamos, havia apenas uma bicicleta e tivemos de esperar. Mas foi rápido. A pessoa não fica o dia todo com a bicicleta, impedindo os outros de usá-la”, aprova Clara.

É justamente essa regra que tem surpreendido os usuários. Nas estações, um painel informa que o aluguel é gratuito se a bicicleta for usada por até 60 minutos, de segunda-feira a sábado, ou 90 minutos, aos domingos e feriados. Pode-se retirá-la quantas vezes a pessoa quiser, sem pagar nada, desde que a devolução se dê no intervalo de no mínimo 15 minutos entre as viagens.

Quem optar pela diária de 24 horas paga R$ 3. Quem preferir o mês todo tem despesa de R$ 9. Se a opção for pelo pagamento anual, a taxa é R$ 60. Mesmo assim, é obrigatória a devolução e pegar depois de 15 minutos. Quem perder o prazo paga multa de R$ 3 para os primeiros 30 minutos excedentes e, depois disso, R$ 5 a cada meia hora extra. As bicicletas do projeto estão disponíveis das 6h às 23h (para retirada) e até a meia-noite (devoluções).

A estudante Dora Sales, de 15, assustou-se ao descobrir que estava pagando multa. “Não pensei que há necessidade do prazo para quem opta pela diária”, explicou. Ela e a prima Luíza Salles, de 17, revezaram-se na magrela. “É preciso mais bicicletas, porque a demanda em BH é grande”, afirmou Dora.

 

Regras geram contratempos

A professora Alessandra Fernandes Rosa, de 42 anos, batalhou com os filhos, Fernanda, de 7, e Eduardo, de 9, até acertar. Hospedada em um hotel na Praça da Liberdade, ela fez o pedido de liberação pelo aplicativo do celular, sem saber que deveria estar na estação. “A mensagem dizia que apareceria uma luz verde para retirar a bicicleta e fiquei esperando o sinal no telefone. Ainda bem que estou em frente à estação. Diante da demora, resolvi vir aqui para saber o que ocorria”, contou. Quando ela chegou, um rapaz, que também tentava retirar a bike por meio de ligação telefônica, pegava a bicicleta pensando ser a sua. O erro só foi descoberto porque ele foi informado de que a transação com o cartão não fora completada.

“Ainda bem que era uma pessoa honesta. Se não fosse assim, ele poderia sair com a bicicleta que estava registrada no meu cartão de crédito”, lembrou Alessandra. No fim deu tudo certo e as crianças se esbaldaram.

De acordo com a Serttel, estacionar a bicicleta em uma das estações depois de usá-la por até 60 minutos, obedecendo ao intervalo de 15 minutos entre uma viagem e outra – regra válida durante a semana –, é fundamental para garantir a rotatividade do veículo, um bem público e compartilhado.

“A filosofia do sistema é baseada no princípio do compartilhamento, e não de aluguel. Obedecendo a essa regra, o usuário pode usar a bike de graça quantas vezes por dia quiser. As regras estão disponíveis no site do projeto”, informou a assessoria de imprensa do projeto, por e-mail.

O motorista Tiago da Silva Alves, de 25, parou na estação próxima ao Mercado Central. Ele queria alugar uma bike para ir até a rodoviária, mas desistiu ao perceber que teria de se cadastrar. “É complicado, mas interessante. O preço é praticamente o mesmo do ônibus. E posso ficar o dia todo com a bicicleta”, comentou.

O porteiro Paulo Sanches, de 42, costuma sair do Bairro Carlos Prates, na Região Noroeste de BH, em direção ao Vale do Sereno, em Nova Lima, para trabalhar. Ele conta que o projeto é uma oportunidade para sua esposa perder o medo e voltar a pedalar. “Ela quase foi atropelada quando andava de bicicleta”, revela. A ideia do casal é aproveitar os fins de semana na Praça Raul Soares. “É só alugar e aproveitar. Minha preocupação é quanto isso vai durar, por causa de vandalismo”, conclui Sanches.
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