
Comerciantes e moradores do trecho inicial da Avenida Vilarinho, entre as avenidas Dom Pedro I e Cristiano Machado, na Região de Venda Nova, em Belo Horizonte, preveem um novo transtorno com o avanço das obras do transporte rápido por ônibus (BRT, sigla em inglês), aposta da cidade para solucionar problemas de mobilidade urbana. O viaduto em construção em frente ao Shopping Estação e à Estação Vilarinho do metrô encobriu boa parte de uma grade para escoamento de água pluvial, até então responsável por evitar enchentes na região.
A estrutura ocupava quase toda a largura da Avenida Vilarinho, no sentido Centro, mas praticamente desapareceu com a evolução das obras do viaduto há cerca de quatro meses. Segundo moradores e trabalhadores da área, a passagem para escoamento do asfalto tinha acabado com o problema das inundações, como a de 1997, que matou três pessoas por afogamento, tendo as águas atingido a altura de cinco metros.
O comerciante Antônio Avelino Madureira, de 61 anos, mora e trabalha na região há mais de 20 anos. Ele conta que já assistiu a várias enchentes no local e, na mais pesada delas, em 1997, conseguiu escapar, pois seu imóvel é alto e também tem uma entrada pela Rua dos Marmelos. “Há cerca de cinco anos, a prefeitura instalou a grade para escoamento da água e resolveu o problema dos alagamentos no início da Vilarinho”, diz o dono de uma fábrica de picolés. Ainda segundo ele, em 2010, parte da grade foi encoberta por intervenções na avenida, mas mesmo assim a água ainda escoava, sem causar grandes alagamentos e chegando apenas à porta da fábrica do comerciante.
Antônio Madureira conta que, na ocasião em que parte da grade foi soterrada, esteve na Câmara Municipal de Belo horizonte e conseguiu, por meio do vereador Léo Burguês (PSDB), pedir providências ao então responsável pela Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap), Fernando Antônio Costa Janotti, para reabertura de grades e bocas de lobo no entorno. “Desde então nada foi feito. Agora, com o avanço do viaduto do BRT soterraram quase tudo”, acrescenta Antônio.
PREJUÍZOS Apesar de a próxima temporada de chuvas ainda estar distante, a apreensão no local é muito grande, pois não há informações sobre abertura de novas vazões para a água. O comerciante diz que ouviu de um agente da BHTrans que um projeto será desenvolvido para o escoamento de água assim que o viaduto estiver pronto. Porém, o prazo para conclusão do BRT é dezembro, mês em que normalmente as chuvas já chegaram.
Dono de uma loja especializada em ar-condicionado para veículos, Ednilson Augusto de Pedro, de 41, teme uma chuva forte sem um escoamento. “Não podemos correr o risco de prejuízos se a água voltar a encher a avenida como antes”, diz ele. Com a oficina repleta de carros, Frederico Ribeiro da Silva, de 34, nem imagina o tamanho dos danos se a água invadir o seu estabelecimento. “Quem conhece a Avenida Vilarinho sabe que na hora que a água vem é de uma vez, não dá tempo de fazer nada”, diz ele.
De acordo com a assessoria de comunicação da Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura, toda a área inicial da Avenida Vilarinho está em movimentação em função das obras. Acrescenta que as mudanças no que diz respeito ao escoamento da água fazem parte do processo e vão melhorar o sistema de drenagem que já existe no local.
