

“Quem selecionou esses pontos como os mais importantes do município? Esses prédios sobrevivem ou foram destruídos? O que conseguiu se preservar e o que se perdeu? No Album, há matéria para pesquisas futuras, que podem investigar a recuperação cartográfica dos territórios inundados por hidrelétricas e pesquisar a identificação do que era considerado patrimônio antes da instituição da política nacional de preservação, na década de 1930”, constata a historiadora Maria Lúcia Prado Costa. Ela e a geógrafa Maria de Lujan Seabra foram as idealizadoras e organizadoras do projeto. Ambas trabalham na Fundação 18 de Março, entidade que financiou o trabalho.

Divisões

PERSONAGEM DA NOTÍCIA: MARIA LÚCIA PRADO COSTA, coorganizadora do projeto
Livro da família
O exemplar do Album Chorographico Municipal do Estado de Minas Geraes utilizado na digitalização publicada na internet pertence à família de Maria Lúcia Prado Costa, de 54 anos, coorganizadora do projeto. Foi adquirido por seu falecido avô, Homero Costa, quando ele morava em Machado, município do Sul mineiro. “Ninguém sabe como ele teve acesso ao livro. Não era historiador, nem ligado ao poder público”, conta a neta, formada em história pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Ao longo dos anos, o volume circulou de mão em mão e ficou bastante danificado. Está sob os cuidados do Arquivo Público Mineiro, que deverá restaurá-lo. “No começo, não sabia que ele era raro, mas sempre fiquei maravilhada com sua beleza”, conta Maria Lúcia. Em setembro, a historiadora viaja para Lisboa, em Portugal, onde divulga a obra na quarta edição do Simpósio Luso-Brasileiro de Cartografia Histórica.
