Vítimas da onda de roubos de bicicletas que assusta bairros da Zona Sul de BH têm recorrido a uma prática arriscada na tentativa de recuperar a bike. Como última opção, muitos ciclistas e comerciantes tentam buscar ajuda de traficantes das comunidades próximas. “Muitos desses criminosos não gostam desse tipo de assalto, porque atrai a atenção da polícia para a favela. É triste, pois muita gente recorre a essas pessoas ou a algum contato que tem lá dentro, um funcionário, por exemplo, que conhece o esquema do lugar. A polícia tem que tomar uma atitude mais enérgica, pois, além de pagar impostos, contribuímos com o policiamento comunitário”, afirma Hugo Prado Neto, que teve a loja que vende bicicletas assaltada por seis homens armados e também é ciclista de competição.
Presidente da Mountain Bike BH, o advogado Lucas de Figueiredo Moreira conta que está cada vez mais raro ver bicicletas caras circulando em Belo Horizonte, justamente por causa dos assaltos. “Competidores profissionais treinam em bicicletas mais simples e somente usam as mais caras em competições”, disse. Lucas orienta todas as vítimas de roubo a registrar boletim de ocorrência, não somente para tentar recuperar a bicicleta, mas para auxiliar a polícia na identificação das regiões de maior incidência de crimes e combate.
“Nem todas as vítimas fazem o boletim, achando que é perda de tempo, que a bike não vai ser recuperada. A própria polícia admite que não fica sabendo do problema”, disse Lucas, lembrando que recentemente uma bicicleta modelo feminino, que era única em Belo Horizonte, com pintura especial, foi recuperada na Avenida Raja Gabaglia. De acordo com a Secretaria de Estado de Defesa Civil (Seds), no ano passado apenas 127 vítimas registraram queixa na polícia por furto de bicicleta e apenas nove por roubos (com emprego de violência).
Serviço
A Associação Mountain Bike BH criou na internet um banco de dados de bicicletas roubadas e registra os locais de ocorrência de crimes. Acesse mountainbikebh.com.br
