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BH tem mais de 800 apreensões de menores a cada mês A maior parte das apreensões é impulsionada pelo envolvimento com drogas, que cresceu 441% na cidade de 2005 a 2010

Arnaldo Viana - Estado de Minas

Glória Tupinambás -

Publicação: 13/11/2011 07:07 Atualização: 13/11/2011 07:36

Desde os primeiros passos, o menino A. via os dois irmãos traficantes exibirem, em casa, tênis de marcas, bonés importados e camisas oficiais de times de futebol. No dia em que completou 9 anos, ganhou de presente de um deles a responsabilidade de acompanhá-lo, como segurança, em um baile funk. Nas mãos do garoto, uma pistola 765, que ele mal conseguia segurar. A. não sabia, mas naquele dia estava deixando a infância para trás e entrando no pior dos mundos, o do crime. “Meus pais batiam, davam conselho. Tentavam me segurar. Mas larguei tudo, parei de estudar e entrei para a droga. A maconha e o crack, para mim, foram dinheiro e curtição”, diz hoje o jovem franzino, de 15 anos, menos de 1,5 metro de altura e 11 passagens pela polícia por tráfico, roubo, porte de arma e tentativa de homicídio na defesa de uma boca de fumo.

Uma folha corrida ainda mais farta está no prontuário do acusado de matar três pessoas e balear 12 no mês passado, na Região Noroeste de BH. Por trás do suspeito, de 17 anos, um enredo de crime e vingança relacionado ao tráfico. As histórias e origens são várias, mas o destino dele, de A. e da maioria dos 27 menores apreendidos a cada dia em BH é um só: drogas e violência. O vício e o crime cruzam a trajetória de crianças que trocam o lar pelas ruas, deixando para trás a família e a escola. Meninos e meninas amadurecem precocemente, longe dos ensinamentos da vida cidadã, e se transformam em jovens infratores. Deixam de ser Maria, José ou João e ganham uma inicial nas páginas policiais. São uma pedra no caminho das incipientes políticas públicas e uma dor de cabeça para a sociedade.

Violência doméstica, o apelo da sociedade de consumo, a atração exercida pelo dinheiro supostamente fácil do tráfico ou tendência à delinquência são alguns dos fatores por trás dos 200 menores ainda não considerados infratores abordados diariamente nas ruas da capital por serviços de assistência social. São também argumentos que ajudam a explicar o caminho dos mais de 2 mil jovens recolhidos anualmente em centros de internação e privação de liberdade do estado por crimes como tráfico, homicídio, estupro, roubo, latrocínio, lesão corporal e porte de armas. Com 18 ou 21 anos, eles ganham a liberdade e voltam ao convívio social sem perspectivas, porque, na reclusão, não aprenderam o suficiente para uma sobrevivência digna.

Ciranda sem volta

Nas ruas, crianças e adolescentes ganham intimidade com o nebuloso mundo das drogas e da violência imposta para manter o vício. Nos últimos cinco anos – de 2005 a 2010 – o número de casos envolvendo o uso e o tráfico de entorpecentes entre crianças e adolescentes teve aumento de 441% em Belo Horizonte, passando de 832 para mais de 4,5 mil ocorrências no ano passado. Atualmente, quase a metade (45,7%) dos crimes registrados no Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Autor de Ato Infracional de Belo Horizonte (CIA/BH) está diretamente relacionada às drogas. Os demais, na avaliação da juíza Valéria da Silva Rodrigues, titular da Vara Infracional da Infância e da Juventude de Belo Horizonte, têm a maconha, o crack, a cocaína e os solventes como pano de fundo.

Segundo a magistrada, há uma mudança no perfil dos crimes, com a migração dos menores dos crimes violentos para o tráfico nos últimos anos. “Na Vara da Infância e da Juventude, 45% dos casos são de venda e uso de drogas. Outros 10% dos crimes são contra o patrimônio, mas a maioria deles furta e rouba para transformar o produto em entorpecentes. Os homicídios e tentativas de homicídio somam 1%, mas temos consciência de que são ocorrências de disputa por drogas. Por isso, batemos na tecla de que a repressão e a punição têm de caminhar juntas com a prevenção e o tratamento, pois o município hoje é carente de locais para acolher adolescentes usuários e dependentes químicos”, afirma Valéria Rodrigues.

A análise ajuda a entender o caso de barbárie que chocou Belo Horizonte no último mês, quando um infrator de 17 anos matou três pessoas e baleou outras 12, com o apoio de dois comparsas, usando uma pistola calibre 380, nos bairros São Salvador e Glória, na Região Noroeste da capital. As investigações, que culminaram com a prisão de D.H.S.D. na semana passada, num sítio em Jaboticatubas, na Grande BH, trouxeram à tona um histórico de violência e criminalidade. O ataque de fúria teria sido motivado pelo assassinato do irmão Iago Duarte, em março, por envolvimento com traficantes. A mãe deles, Gislândia Duarte, também foi acusada de tráfico e chegou a ser presa. Em apenas dois anos, o acusado acumulou 12 passagens pela polícia.

Esta matéria tem: (6) comentários

Autor: Bernardino Soares de Oliveira Cunha
1º - O ECA estabelece que os Adolescentes devem ficar de 6 meses a 3 anos após cometerem atos graves. Porém, os adolescentes não eram apreendidos (Descumpriam o ECA). 2º - NÃO É MENOR, é adolescente. Pq? porque menor são todos abaixo de 18 anos e adolescente é um recorte de 12 anos a 18. ENTENDEU EM? | Denuncie |

Autor: francisco fornero
poe eles para estudarem numa penitenciaria agricola de dia trabalham de noite estudam se nao fizerem isso fiacam mais tempo na cadeia | Denuncie |

Autor: francisco fornero
minha cara magistrada eles tem tratados com um adulto,prevencao nao resolve pois os pais nao tem controle sobre eles tem que ser punido numa cadeia separada de outros marginais adulto mas ficar preso a partir do momento que ficarem meses em confinamento dentro de uma cadeia eles pensarao melhor | Denuncie |

Autor: francisco fornero
continua em 1973 um amigo policial hj ja morreu mas por morte natural pegava esse pivetes deliquente e levava no rio piracicaba e soltava ele de cabeca para baixo da ponte e dizia esse nao vai me dar trabalho no fututro e olhe que isso e a mais de 40 anos atras ate hj estao com os mesmos problemas | Denuncie |

Autor: francisco fornero
continua sao presos chegam na delegacia sao presos e soltos dai a 3 dias sao presos de novo pelo mesmo crime tem policial em contagem que nem prende mais menor e nem atende chamado quando envolve menor pois o juiz manda soltar assim que chega na delegacia continua | Denuncie |

Autor: francisco fornero
bh tem esse numero e o brasil todo idem devido a tal do estatuto dda crianca o estatuto e para proteger o menor e nao deliquentes que ja sao presos com quadrilha assalto a mao arnmada enquanto existir esta Eca agora me diga destes 800 acredito que mais de 50 por cento sao os mesmos deliquente conta | Denuncie |

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