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Ataque da motosserra deixa Savassi menos verde Árvore de 30 anos e 20 metros de altura começa a ser retirada do quarteirão fechado da Antônio de Albuquerque com Praça Diogo de Vasconcelos. Moradores ficaram revoltados

Pedro Ferreira -

Publicação: 11/11/2011 06:00 Atualização: 11/11/2011 08:00

Funcionários da PBH começaram ontem a cortar os galhos. Trabalho de derrubada não terminou e deve continuar ao longo da semana até que toda a raiz seja retirada (Fotos: Paulo Filgueiras/EM/D.A Press)
Funcionários da PBH começaram ontem a cortar os galhos. Trabalho de derrubada não terminou e deve continuar ao longo da semana até que toda a raiz seja retirada

 

O corredor verde que mantém Belo Horizonte mais bonita e com clima agradável está ameaçado. Depois do início do corte de quase 500 árvores ao longo da Avenida Cristiano Machado, Região Nordeste, para implantação do sistema de transporte rápido BRT, o barulho da motosserra não para na Savassi, na Região Centro-Sul, que passa por obras de revitalização. Nessa quinta-feira, a “vítima” foi uma planta do tipo sete-cascas de 30 anos e com mais de 20 metros de altura. Uma multidão de pessoas revoltadas se reuniu ao redor e considerou o ato um “assassinato ambiental”. A árvore fica no quarteirão fechado da Rua Antônio de Albuquerque com Praça Diogo de Vasconcelos e não foi retirada totalmente nessa quinta-feira, o que deve acontecer nos próximos dias.

A árvore – que tem o nome derivado do aspecto do seu tronco, de cascas soltas – teria sido plantada sobre uma antiga pavimentação da via, segundo a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, e suas raízes não tiveram como se aprofundar, correndo risco de tombar com um vento forte. Mas, para muitos, a retirada da árvore é mais uma manobra da prefeitura para melhorar a estética do lugar.

Moradores e trabalhadores da Savassi foram pegos de surpresa pela manhã, com um cartaz avisando que parte da rua seria fechada para o corte da árvore. A vendedora Elizabete Teixeira da Silva, de 55 anos, foi trabalhar triste sabendo que depois de seis anos não teria mais a sombra da árvore para descansar em seu horário de almoço. “É um lugar gostoso, bom para relaxar. Às vezes eu chegava antes do horário e esperava o tempo passar aqui, debaixo dela. Não só eu, mas muita gente que marcava encontros na sombra vai sentir falta”, lamentou.

A bióloga Isabel Nunes, de 47, tentou impedir o corte no grito discutindo com um encarregado do serviço, mas seu esforço foi em vão. “É muito fácil matar uma árvore. Não há um laudo preciso da prefeitura dizendo que oferece risco, mas apenas uma suspeita de que ela não está bem enraizada”, disse Isabel, aos prantos, cobrando das pessoas em sua volta uma reação mais enérgica. “Eu queria que o povo reagisse, mas todo mundo fica apático, achando que não podemos fazer nada”, disse a bióloga. Quando ela chegou, um dos galhos que dividia o peso da copa já havia sido cortado e não teria mais sustentação.

Os funcionários da prefeitura chegaram pouco depois das 8 horas e isolaram a região. Os galhos cortados foram retirados por meio de um guincho e uma retroescavadeira. “Ela vivia cheia de almas-de-gato, bem-te-vis, sabiás e outros passarinhos. Hoje, estão todos em silêncio. Pararam de cantar como se pressentissem o pior”, observou o porteiro de um prédio ao lado, que se identifica por Skilo, de 47 anos.

Justificativa

O gerente de autorização da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Sérgio André de Souza Oliveira, disse que a sete-cascas foi plantada no passado em cima de uma área de asfalto. “Há risco de queda, uma vez que a área debaixo dela está impermeabilizada. É como se ela estivesse num vaso de planta, no caso, a jardineira feita em sua volta, e esse vaso pode virar com raiz e tudo se houver um vento mais forte”, comparou Sérgio André. A árvore se manteve em pé, segundo ele, pois os prédios em sua volta funcionaram como uma barreira para o vento. “Esses mesmos prédios podem canalizar o vento para ela e derrubá-la”, acrescentou.

Sérgio André conta que houve uma escavação próxima à árvore para substituição da rede de água e de esgoto da Copasa, quando o problema foi detectado. “Foi um mal que veio para o bem. Ela poderia cair e fazer vítimas”, afirmou o engenheiro, ressaltando que tomaram a decisão com base em sondagens feitas no entorno da planta e em testemunhos de moradores antigos da Savassi, de que ela foi realmente plantada sobre uma antiga pista de rolamento.


Outras plantas saíram do caminho

Planta estaria em cima de antiga pavimentação da via, conforme a prefeitura (Fotos: Paulo Filgueiras/EM/D.A Press)
Planta estaria em cima de antiga pavimentação da via, conforme a prefeitura
Comerciantes e moradores denunciam que, além da sete-cascas, várias outras árvores foram cortadas com as obras na Savassi, como 12 palmeiras imperiais. O gerente da secretaria de Meio Ambiente Sérgio André de Souza Oliveira discorda. “Houve supressões pontuais de árvores que estavam doentes e eram insignificantes para o paisagismo”, disse Oliveira. Mas, ele confirmou que um angico foi retirado na Rua Paraíba com Cristóvão Colombo para favorecer o desvio de trânsito. “Para nossa surpresa, o angico estava com o mesmo problema da sete-cascas. Foi plantado em cima da pavimentação. Não precisamos nem cortá-lo. Bastou o impacto do cabo de aço que foi amarrado que o angico rodopiou e caiu”, disse.

Na Rua Tomé de Souza com Avenida Getúlio Vargas, também na Savassi, dois ipês-rosados foram cortados também para favorecer a mudança no trânsito. “Eram árvores jovens, de cinco ou seis metros de altura”, disse.


Abre-alas para o BRT

Saboneteira, pau-formiga, ipê-rosa, ipê-rosado e jatobá. Ao todo, 499 árvores começaram a ser cortadas no mês passado no canteiro central da Avenida Cristiano Machado para implantação do BRT. As supressões vão desde a Estação São Gabriel do metrô até o túnel da Lagoinha, no Centro da cidade. Na primeira fase das remoções, pelo menos 30 árvores ficaram no meio do caminho, pois só poderiam ser derrubadas durante o fim de semana, quando o trânsito é menos complicado.

A Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap) informou que está elaborando um projeto paisagístico com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente para ser implantado na Cristiano Machado em substituição às árvores suprimidas. As intervenções na avenida começaram em agosto e a previsão é de que sejam concluídas no primeiro semestre de 2013.


Análise da notícia

Poder público deveria preservar

Cristiana Andrade

É marcha à ré a postura da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) em suprimir árvores em nome do progresso. Em tempos de chuvas torrenciais que arrasam as cidades tamanha a impermeabilidade do solo, falta de sombra para dar o refresco natural para tanto asfalto e a enxurrada de automóveis soltando poluição é de lamentar que tenhamos que conviver com tanta incivilidade do poder público. Ele deveria ser o primeiro a querer conservar um dos seus bens mais preciosos, o meio ambiente, pois só assim é possível haver equilíbrio do clima, das chuvas, dos ventos. Há pouco mais de um mês, árvores começaram a ser derrubadas para o BRT passar na Avenida Cristiano Machado. Quando da construção do Expominas, a cena foi a mesma: vários espécimes ao longo da Amazonas foram para o chão. E o cidadão nunca ouviu falar sobre onde foram plantadas árvores do mesmo porte ou se conseguiram transplantá-las em outro local. Porque a PBH se limita a informar que vai plantar uma centena ou milhar de mudas. Só não diz onde, quando, quais espécies. E com isso, BH vai perdendo parte do que um dia lhe rendeu o nome de Cidade Jardim. Lamentável.
 

Esta matéria tem: (20) comentários

Autor: Maria Mcdo
Porque o UAI tirou esta noticia do destaque? Ela deveria ficar mais tempo. Assim como a verticalização da Serra do Curral, assim como o cortes de inúmeras árvores na Cristiano Machado, assim também acontecerá com a Afonso Pena. Prefeito ASSASSINO DA MOTO SERRA, meu voto vai custar bem caro. | Denuncie |

Autor: Anderson Lima
Põe METRÔ na cidade e nenhuma árvore vai mais precisar ser cortada. | Denuncie |

Autor: Andre Lemos
Engenheiro que trabalha para a prefeitura,so pode ter feito curso por correspondencia,pela competencia em nao conseguir trabalho em uma grande construtora.O que entendem de biologia,ecosistema,planejamento e tracados de cidades?Vejam a merda deles pelo BHTRANS. MUDA BRASIL!CHEGA DE INCOMPETENTES!!!! | Denuncie |

Autor: Guilherme Brandão
É o problema do cabide de empregos. Quem é o encarregado disso? Em BH cortam as saudáveis e de madeira boa e plantam alfeneiros e outras conhecidas pela baixa resistência e fácil queda. Não pensam sequer na importância ecológica das espécies. | Denuncie |

Autor: Luciano A. P.
O título da reportagem é sensacionalista: "Ataque de motoserra deixa a Savassi menos verde". Depois no texto é explicado que a árvore poderia tombar com o vento. Por que não um título? "Árvore que apresenta risco de queda é cortada"? Faltou profissionalismo ao autor ou honestidade? | Denuncie |

Autor: Giovanni Mozelli
Onde vamos parar com tanta degradação ao meio ambiente em prol do "progresso" que na minha opnião é um retrocesso. Não sou da área, mas acredito que haja mecanismos de conciliar o desenvolvimento urbano com o meio ambiente de uma forma mais ampla | Denuncie |

Autor: José Moura
Pois é e há mais de 20 anos solicitamos o corte de uma árvore que ameaça cair sobre o imóvel de minha mãe no bairro prado e a prefeitura se recusa dizendo que a mesma está ótima! Está ótima para inundar a garagem e encher as calhas de folhas e sementes e apavorar minha mãe de 80 anos a cada chuva! | Denuncie |

Autor: Alberto Cristian Amancio Ferreira Rosa
Gosto muito de ver notícias com justificativas bem elaboradas. A árvore tem 30 anos e corre o risco de cair com um vento. Em 30 anos nunca ventou nesse lugar? Talvez ela esteja ali antes dos prédios e já tenha passado por situações de muita ventania nesses trinta anos e não caiu. | Denuncie |

Autor: Daniela+Gomes Magalhaes de Paula
Concordo plenamente com a Análise da Notícia feita pela Cristiana Andrade. Outra consequência sentida pelos moradores de BH é o aumento de problemas respiratórios, já que o ar da cidade está cada dia pior! | Denuncie |

Autor: Fernando Aranha
O problema é ter engenheiro a frente d orgão ambient.Para ele o melhor negócio é concretar tudo.Orgãos como esses deveriam ter a sua frente proficionais q trabalhem com sustentabilidad,como geógrafos e outros.Estou falando de gente q se preocupa com o ambiente q vivemos.Por q não remover o asfalto? | Denuncie |

Autor: Ricardo Girão
Trabalho para uma empresa de Chapecó/SC. Em visita dos colegas, o que mais os impressiona são as grandes árvores em meio a metrópole. Márcio Lacerda conseguiu perder meus próximos votos. | Denuncie |

Autor: Eugenio Assis
Imbecis da Preferitura que se acham acima da verdade. Enquanto grandes cidades do mundo apostam em verde BH vai no caminho contrário. A cidade já está muito quente e poluída. Eu não vejo a prefeitura plantar árvores. Na Av Ant. Carlos não plantaram nada ainda. Pq o EM não faz uma reportagem? | Denuncie |

Autor: Bruno M.
Triste isso! Outro dia estava reparando num folder de propaganda da linha verde que divulgaram antes do início das obras. Quem puder procurar, reparem na arborização da propaganda e na real que existe lá. Cortaram trocentas árvores e plantaram bemmm poucas. O papel aceita tudo né... | Denuncie |

Autor: Marcelo Ferraz Trindade
Este é o prefeito "profissional"que colocamos na prefeitura...vejam o que está ocorrendo no metro quadrado mais caro de BH...imaginem o que vai acontecer na zona norte.MATA DO PLANALTO E DO ISIDORO, se não dermos o grito vai tudo pro chão...MOBILIZAÇÃO,NA ELEIÇÃO 2012 MARCIO LACERDA NÃO...GRAÇAS DEUS | Denuncie |

Autor: Carlos Cardoso
Cadê o Ministério Público nessas horas? Gostam tanto de encher o saco de quem produz, com um milhão de leis ambientais, mas para o pode público pode tudo? Aqui em MG todos estão nos bolsos do governo estadual e municipal. Não há independência, infelizmente, logo na terra dos inconfidentes! Vergonha! | Denuncie |

Autor: Alexandre Júnior
É DEVER DO ESTADO PRESERVAR A NATUREZA. ASSIM SERIA MELHOR A IMPLANTAÇÃO DE MAIS ARVORES, O PREFEITO COM ESSA ATITUDE DE DEVASTAÇÃO, CAUSA UMA INIMIZADE, JÁ É O CASO DO FILHO DELE, AGORA ISSO, MAS UMA COISA QUE ACHO CORRETO FOI A CICLOVIA, VAMOS PESAR NAS PRÓXIMAS ELEIÇÕES, AMBIENTE É PRIORIDADE. | Denuncie |

Autor: Rogério Souza
engraçado como é a imprensa.. Se a prefeitura corta as arvores, é criticada.. Mas quando alguma cai em epoca de chuva sobre carros, etc.. também é criticada por não ter feito a poda, fala que é descaso. | Denuncie |

Autor: Ricardo Teixeira
Aqui na R. Antonio Julio Barreto no Santa Amélia a PBH exterminou 6 árvores no ano passado e não replantou nenhuma. E agora ainda arrancaram o asfalto da única rua que dá acesso a essa rua, e deixou na pista de terra, toda esburacada. Merecia uma reportagem. Disseram que acabou o asfalto pra arrumar. | Denuncie |

Autor: Frederico Alexandre
A fim de atender a empreiteiras as árvores de BH foram destruídas e PIOR esse corte em " V" tira o centro de gravidade da árvore e o risco dela cair é MUITO MAIOR, é um absurdo pegar empreiteira pelo volume, ou seja, quanto mais corta mais ganha | Denuncie |

Autor: Leia leia
nao entendo esse progresso! O punto forte do Brasil è proprio a sua flora e fauna, nao podemos progredir destruindo o nosso tesouro principal. Os politicos poderiam ir em Dinamarca e visitar a empresa IKEA, que conservam e valorizam seus parques nacionais aproveitando de sua riqueza. | Denuncie |

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