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Estado de Minas

Três famílias de vítimas do trânsito gritam por justiça

Acidentes que mataram quatro pessoas foram causados por motoristas suspeitos de embriaguez. revolta de parentes e amigos marcou enterros


postado em 11/10/2011 06:00 / atualizado em 11/10/2011 07:09

Van escolar que causou tragédia na Via Expressa na madrugada de domingo ficou destruída(foto: juarez rodrigues/EM/D.A PRESS)
Van escolar que causou tragédia na Via Expressa na madrugada de domingo ficou destruída (foto: juarez rodrigues/EM/D.A PRESS)
No caminho de Bruna Danielle Corrêa Santos, de 18 anos, cheia de sonhos, cruzaram dois motoristas que estariam dominados pelo efeito do álcool. Há um ano e cinco meses, uma colisão frontal na MG-424, em Pedro Leopoldo, na Grande BH, assustou a família e trouxe o primeiro drama. Bruna ficou gravemente ferida, com problemas na perna, placas e pinos pelo corpo e convulsões frequentes. De acordo com testemunhas, o motorista do carro que causou a batida afirmou que teria bebido uma garrafa de uísque. No domingo, quando ela já estava praticamente recuperada do baque sofrido com a primeira batida, veio a tragédia. Outro acidente, na mesma MG-424, voltando de uma festa de aniversário, desta vez em Vespasiano, também na Grande BH.

Depois que um adolescente de 17 anos sem habilitação perdeu o controle de uma van, Bruna, que era passageira do veículo, morreu na hora. Ela foi enterrada nessa segunda-feira em Confins, também na Grande BH, sob comoção de parentes e amigos. Novamente, testemunhas informaram que o motorista havia bebido. Outro que também morreu no acidente foi Jimim Walker Soares Vandes, de 17 anos. O sepultamento dele foi realizado em São José da Lapa, também foi marcado pela emoção.

“No sábado à noite a Bruna me ligou e disse que queria ir em uma festa em São José da Lapa. Falei com ela para me esperar chegar em casa para conversarmos, mas, quando cheguei, ela já tinha saído. Por volta das 3h liguei de novo e ela disse que já estava entrando na van que a traria de volta, mas não tive mais notícias”, conta a mãe de Bruna, Daniela Corrêa Santos, de 36 anos,  também sobrevivente do primeiro acidente sofrido pela filha. Naquela ocasião, ela estava com as duas filhas, a irmã e um amigo quando um carro invadiu a contramão na MG-424. “Minha irmã estava dirigindo e tentou tirar para a mão contrária, mas ele acabou se assustando e também jogou para a mão de direção dele”, diz Daniela. O resultado foi uma colisão frontal que trouxe uma placa de platina na bacia de Daniela, um acidente vascular cerebral para a irmã e pinos e placas nos corpos das duas filhas, inclusive Bruna. O motorista do carro que causou a batida até hoje não foi responsabilizado, segundo a mãe o padrasto de Bruna, Carlos Eduardo Costa.

 

Uma das adolescentes que sobreviveu ao acidente de domingo já recebeu alta do Hospital Risoleta Neves e se recupera de um corte na perna esquerda. E.A.M., de 12 anos, informou que é vizinha de Bruna no Bairro Lagoa dos Mares, em Confins, e foi convidada com a irmã, J.P.M.S, de 19, pela vizinha para a festa. Segundo ela, o adolescente D.A.F.F, 17 anos, que causou o acidente, buscou as meninas na porta de casa e aparentava ser mais velho, por isso, ninguém desconfiou da pouca idade do rapaz. Ainda segundo ela, na ida a viagem transcorreu sem nenhum problema. Porém, na volta, disse que o motorista inabilitado estava “completamente bêbado”, sem condições de andar normalmente. “Como ele estava muito embriagado, achamos que outra pessoa levaria o veículo. Eu e minha irmã entramos no carro e dormimos”, conta.


Sem esperança

A mãe de Bruna ficou transtornada. “Ouvi falar que o condutor da van perdeu o controle quando foi dar um beijo na namorada. Ele deu o beijo e eu perdi um dos meus maiores tesouros”, desabafa. Depois de dois acidentes causados por bebida alcóolica, ela perdeu a esperança na responsabilização dos culpados. “Não adianta nada. Nunca ninguém será punido nesse país. Não acredito na justiça dos homens, apenas na divina”, desabafou .

A Polícia Civil informou que o menor que dirigia a van foi ouvido nessa segunda-feira e liberado. Vai responder a processo por ato infracional e pode ficar internado. Ele se recusou a fazer o teste do bafômetro e o exame de sangue no IML. Já o pai do menor e quem entregou a chave da van ao adolescente pode ser processado e pegar até um ano de cadeia. O proprietário do veículo, Júlio César Costa Aires, de 40 anos, disse que alugou a van para um primo fazer transporte escolar. O filho do primo então, segundo testemunhas, teria emprestado a van ao menor.

 

 


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