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Produtor cultural é espancado em BH

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postado em 30/11/2010 07:46 / atualizado em 30/11/2010 09:01

Elian Guimarães

BETO MAGALHÃES/EM/D.A PRESS
O agente cultural, diretor do Centro de Referência Hip Hop Brasil e responsável pelo projeto Hip Hop Educação para a Vida, acatado pelo programa de incentivo à cultura de Belo Horizonte, direcionado a crianças de 6 a 14 anos das escolas municipais da periferia, Hudson Carlos de Oliveira, foi espancado quando se reunia com amigos em um bar em Santa Efigênia, Região Leste.

Hudson teve o maxilar deslocado, afundamento dos dentes, fratura da clavícula e ferimentos nas pernas e braços. Ele está internado no Hospital de Pronto-Socorro João XXIII. Apesar de nenhum dos acusados de atacá-lo terem sido feridos, ele foi indicado como agressor no boletim de ocorrência feito por policiais militares da 3ª Cia do 1º BPM. Um detalhe: Hudson é deficiente físico, tem uma prótese no olho esquerdo e um braço e perna com movimentos limitados. O caso foi encerrado no plantão da 1ª Delegacia de Polícia Civil. A assessoria da PC não informou o nome do delegado nem o teor da ocorrência.

Segundo amigos do rapaz, eles chegaram ao bar e pediram cerveja e porções de batata e bolinho de feijão, quando Hudson foi cumprimentar um garçom que preparava churrasco para uma festa de aniversário. O aniversariante, o jornalista Júlio César de Oliveira Anunciação, assessor da OAB, teria entendido que Hudson comia da carne, paga por ele, e pediu que se retirasse.

Segundo a atriz Patrícia Lanare, Hudson foi cercado pelos amigos do aniversariante e, se sentindo ameaçado, pegou uma garrafa para se defender e ela caiu no chão. “Aí, seis homens se levantaram, um deu um soco em Hudson, que caiu e foi barbaramente espancado pelos demais. O mais impressionante foi o pai do aniversariante, que o incentivou a bater mais; as pessoas gritavam ‘bate mesmo que é bandido’.”

Policiais

Hudson, sangrando, se dirigiu ao 1º BPM: “Ficamos surpresos ao ver um policial o agredindo ainda mais”, declarou o produtor cultural Lelo Silva. A mulher de Hudson, que é jornalista, está apreensiva. Ela tem medo de voltar para casa com o filho de 5 anos, uma vez que, na delegacia, os amigos de Júlio César teriam feito ameaças às testemunhas favoráveis a Hudson. “Eles saíram escoltados. Considero crime de racismo, uma vez que ele é negro e mora em favela. Os demais, bem vestidos, não foram incomodados.”

Dois dos acusados foram encaminhados à delegacia, o jornalista aniversariante e um engenheiro, seu amigo. Júlio da Anunciação negou as agressões: “Apenas pedi que ele se retirasse e parasse de comer o churrasco, porque não era meu convidado. Ele (Hudson) estava completamente embriagado. Virei e ele jogou uma garrafa contra mim. Ela quebrou no chão, um caco provocou um pequeno ferimento no meu pé.”

Júlio não fez exame de corpo de delito. O jornalista reafirmou que não teve participação e diz que, no tumulto, teria procurado defender sua família. Ele negou conhecer quem agrediu o rapaz. O engenheiro também negou envolvimento e disse desconhecer o que ocorreu. O comandante do 1º Batalhão de Polícia Militar, tenente-coronel Cassavari, afirmou desconhecer a ocorrência e que não teria como comentar o caso.