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Laboratórios da UFMG já são afetados pela crise

Na Faculdade de Odontologia, uma das consequências do arrocho é a falta de materiais para aulas práticas

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postado em 21/09/2016 06:00 / atualizado em 21/09/2016 07:23

Junia Oliveira /

Com menos dinheiro em caixa, profissionais e estudantes da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) avaliam até onde será possível chegar driblando a crise. Na Faculdade de Odontologia, uma das consequências do arrocho é a falta de materiais para aulas práticas. Professores avisaram em sala que, neste semestre, qualquer atividade que dependa de liga de metais, por exemplo, não poderá ser realizada na disciplina de materiais dentários. A matéria trabalha com insumos para restauração dentária e depende de diversos equipamentos. Evitar desperdício se tornou palavra de ordem. Afinal, toda economia é pouca para estender a duração de produtos. “A professora pediu para guardar um material com que trabalhamos, porque não haverá dinheiro para comprar matéria-prima para aulas futuras. Então, provavelmente, vamos reutilizá-lo”, conta uma aluna que pediu anonimato.

Para ela, o prejuízo é grande. “Vamos usar um material com o qual já aprendemos a lidar, ou seja, é como se repetíssemos a aula, porque não poderemos fazer outra atividade por falta de matéria-prima. E é esse material que deveríamos aprender a manusear que usaremos depois em um paciente”, avalia. “Os professores falam que não sabem como farão, porque houve corte grande na verba do curso de odontologia. As clínicas (de atendimento ao público externo) estão paradas por causa da greve dos servidores técnico-administrativos, mas, quando voltar, o atendimento será difícil por causa dessa falta de materiais.”

BANDEJÃO O Diretório Central dos Estudantes (DCE) aguarda um posicionamento formal da Reitoria sobre a real situação da universidade e sobre as prováveis consequências da restrição orçamentária. A coordenadora-geral, Ana Clara Franco, diz que os alunos já estão sentindo os impactos da crise, até mesmo no bolso. As aulas voltaram mês passado com alta no restaurante universitário: o bandejão passou de R$ 4,15 para R$ 5,60. “As bolsas também estão sendo pagas com atraso, editais para iniciação científica remunerada não estão sendo abertos e há menos bolsas de mestrado. Já estamos sentindo alguns impactos e achamos que vai piorar no semestre que vem”, diz.

Ana Clara teme ainda cortes na assistência estudantil. “Houve avanço no ingresso de pessoas na universidade, mas elas precisam permanecer e o primeiro item a ser cortado nessa crise será a assistência”, acredita. Segundo ela, por enquanto não faltam itens básicos do dia a dia da universidade, como papel higiênico (que chegou a sumir dos banheiros no câmpus Pampulha no ano passado), mas a situação preocupa: “Querem cada vez mais sucatear o que é público. Este semestre, algumas coisas estão garantidas, porque já estão aprovadas no orçamento do ano passado. Mas, para 2017, não sabemos como ficará”.

Crise desde 2015

A UFMG foi atingida duramente em suas finanças no ano passado. Houve suspensão de pagamentos de contas de água e luz e demissão de terceirizados. Em repasses do Ministério da Educação (MEC), foram perdidos R$ 50,7 milhões, dos R$ 263 milhões inicialmente aprovados pela Lei Orçamentária Anual (LOA). Para enfrentar o cenário, a universidade anunciou interrupção de obras e lançou um plano de adequação orçamentária com cortes de 16% no custeio da administração central (pró-reitorias e diretorias) e de 50% nos recursos de capital (obras, equipamentos e investimentos). Um fundo de emergência de R$ 2 milhões foi criado para atender à pós-graduação. A previsão era de um déficit de R$ 22,8 milhões no fim do ano passado.

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