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Estudantes mineiros têm bom resultado no primeiro simulado do Enem

Estudantes mineiros tiveram o melhor desempenho nas quatro áreas cobradas no primeiro "ensaio" on-line para o teste e instituições do estado lideraram ranking das escolas públicas

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postado em 04/05/2016 06:00 / atualizado em 04/05/2016 08:11

Arte Paulinho Miranda/EM/D.A PRESS

Os estudantes mineiros do 3º ano do ensino médio fizeram bonito no primeiro simulado on-line do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Eles tiveram o melhor desempenho nas quatro áreas do conhecimento cobradas no teste: ciências humanas, matemática, linguagem e códigos e ciências da natureza. Foi de Minas Gerais também o melhor resultado entre as escolas públicas, segundo o Ministério da Educação (MEC). Ao todo, 584 mil concluintes da educação básica de colégios públicos e particulares participaram do teste no sábado e domingo. O estado teve o segundo maior número de participantes, com 10,77% do total. Ficou atrás apenas de São Paulo (16,88%). A procura superou as expectativas dos organizadores, que era de 280 mil alunos, e, por isso, eles decidiram repetir a prova neste fim de semana.


Idealizado inicialmente para os 2,2 milhões de estudantes do último ano do ensino médio, inscritos na plataforma Hora do Enem (http://tvescola.mec.gov.br/tve/serie/hora-do-enem), o simulado estará acessível agora a todos os interessados. O provão teve 80 questões, sendo 60 retiradas de edições anteriores do Enem e 20 inéditas. Entre os participantes, 84% terminaram a prova. Na avaliação das disciplinas, o estado do Rio de Janeiro foi o mais bem posicionado em geografia e o Piauí, em química. Minas Gerais foi destaque novamente, tendo garantido o melhor desempenho em todas as outras matérias.


Na análise geral das áreas do conhecimento, ciências humanas teve a maior média de pontos (534). A de matemática ficou em segundo lugar, com 524, seguida de linguagem e códigos, que registrou 506. Ciências da natureza teve a média de pontos mais baixa (500). A nota máxima em cada uma das áreas foi de 733 para linguagem, 773 para matemática, 749 para ciências humanas e 757 para ciências da natureza.


O MEC verificou ainda o desempenho dos alunos nos conteúdos abordados. Os estudantes se saíram melhor nas questões sobre conceitos de cidadania e democracia (filosofia) e formas de relevo (geografia). Os itens nos quais houve mais erros foram os relativos a geometria analítica: cônicas (matemática) e reações químicas: conceitos gerais (química).
Entre os participantes do simulado de todo o país, medicina aparaceu como o curso mais desejado, seguido por direito, administração, psicologia, engenharia civil, enfermagem, odontologia, educação física, arquitetura e urbanismo e medicina veterinária.

OUTROS TESTES

Estão previstos outros três simulados on-line. O segundo estará disponível em 25 de junho, o terceiro, em 13 de agosto e o último, em 8 e 9 de outubro. A abrangência dos assuntos cobrados nos próximos testes vai avançar conforme o desenvolvimento do aprendizado do ano letivo. O último deles vai corresponder a um exemplo completo de como será o Enem de 2016.


Desde segunda-feira, os estudantes contam com um recurso extra de preparação para o exame no portal Hora do Enem. É o MECFlix, ferramenta interativa que oferece gratuitamente videoaulas e links para portais que auxiliam nos estudos. Durante entrevista coletiva para o balanço do simulado, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, informou que a expectativa é de que quem fizer 100 horas de aulas nessa plataforma tenha uma melhora média na nota do Enem em torno de 25%.

COMPARAÇÃO

Com o resultado imediato do simulado, o estudante pode estabelecer uma comparação com a nota de corte do Enem para o curso e a universidade de interesse. Aluna do Colégio Santo Antônio, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, Flávia Costa Teixeira Viana, de 17 anos, que quer vaga no curso de medicina, considerou válida a experiência. Ela fez o simulado em 3h30 (o tempo máximo era de 4 horas). “Achei as questões entre fáceis e medianas de modo geral e condizentes com o Enem”, disse. Por causa da grande procura, ela teve dificuldade para acessar a plataforma: levou meia hora para conseguir começar o simulado. “Estava um pouco lento e o servidor caía, mas tenho colegas que demoraram muito mais.”


Aluno do Colégio Arnaldo, também na Região Centro-Sul de BH, Pedro Cerqueira Moreira, de 18, conta que já havia estudado algumas das questões que caíram no simulado. “Por isso, não treinei tanto, mas deu para ter uma ideia do Enem, pois o simulado nos deixa bem cansados, é uma prova demorada”, afirmou. A nota desta vez foi maior que nas edições anteriores do exame nacional, quando fez como treineiro. Pedro concorda com a avaliação geral de dificuldade em geometria, química e física: “Tem que prestar mais atenção, pois o teste envolve muitas fórmulas e não sabemos quais vão cair”.


Por meio de nota, a Secretaria de Estado de Educação disse que o resultado no simulado mostra que Minas está no caminho certo no desenvolvimento de políticas educacionais voltadas para a juventude, com ações pedagógicas direcionadas para o ensino médio na rede estadual. Mas acrescentou que o grande desafio é a permanência dos jovens no último nível da educação básica. Dados do PNAD mostram que a evasão dos jovens na idade entre 15 e 17 anos atinge 14%, o que representa cerca de 160 mil estudantes fora da escola, o que está sendo combatido, segundo a nota da secretaria, com “políticas implementadas para os jovens, como a retomada do ensino médio noturno e a reformulação da Educação de Jovens e Adultos”.  A SEE está também atuando com projetos inovadores nas escolas, que permitem aos alunos enfrentar e resolver problemas, competências que são demandadas pelo Enem. “Estamos investindo numa formação em sala de aula construída com um olhar interdisciplinar, o que tem permitido aos nossos jovens dominar diferentes linguagens”, diz a nota.

 

Palava de especialista
Carlos Roberto Jamil Cury professor-adjunto da PUC Minas no programa de pós

 

Longo caminho

“Para avaliar o desempenho de Minas Gerais, é preciso olhar para o passado, quando o estado implementou o ensino fundamental aos 6 anos, pois essa escala de ensino não se faz do dia para a noite. Educação é uma área que rende frutos mais tarde. O segundo dado que devemos considerar é que houve sucessivos esforços para a busca de uma atualização do ensino médio, colocado como prioridade. Foi buscada uma articulação entre as inovações necessárias e o que é cobrado nas avaliações. Os frutos disso também começam a se revelar porque muitos estudantes cursaram em muitos municípios o ensino fundamental em boas escolas, dado o esforço dessas cidades na busca da qualidade, e depois passaram para o ensino médio no estado com um aproveitamento bastante bom. O Enem e o simulado revelam o desempenho, mas precisamos relativizar o exame em si. Revela que houve avanços, mas não nos deixa ver outras variáveis que seriam também importantes para saber se o ensino médio realmente conseguiu alcançar sua finalidade: o de ser a etapa conclusiva da educação básica e não apenas a fase conclusiva daquele teste de amplo alcance, que é o Enem. Outra variável importante é a desigualdade das escolas, ver esses valores estado afora. Debulhar esse resultado valeria a pena para vermos por onde passam os circuitos que poderiam fazer com que essa haste fosse levantada de forma ainda mais elevada.”

 

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