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Cotistas mantêm desempenho alto também no interior

Na Ufop, eles estão entre os que tiraram as 10 maiores notas, inclusive o primeiro lugar na engenharia elétrica. Em Uberlândia e Juiz de Fora, também aparecem no topo da lista

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postado em 27/01/2016 06:00 / atualizado em 27/01/2016 06:57

Márcia Maria Cruz /Estado de Minas , Paula Carolina /Estado de Minas

Marcos Vieira/EM/D.A Press

Os estudantes cotistas aprovados no Sistema de Seleção Unificada (Sisu) 2016 em pelo menos três federais mineiras demonstraram bom desempenho, a exemplo do que ocorreu na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em que os cotistas obtiveram notas melhores do que os estudantes de ampla concorrência em 2013. Na Federal de Ouro Preto (Ufop), os cotistas estão entre os 10 primeiros colocados, inclusive a maior nota geral do curso de engenharia elétrica. Na Federal de Uberlândia (UFU), em pelos menos seis cursos, os cotistas tiveram nota de corte superior à da ampla concorrência. Na federal de Juiz de Fora (UFJF), em pelo menos sete cursos, eles alcançaram notas de corte superiores.

Na Ufop, cotistas ficaram com o terceiro lugar em engenharia civil, quarto em farmácia e pedagogia, quinto em licenciatura, sexto em engenharia de computação, sétimo em letras bacharelado, matemática bacharelado, física licenciatura, serviço social e turismo e nono em sistemas de informação. A universidade informou que ainda não há dados sistematizados deste acompanhamento, mas foram feitas amostragens que constataram que os ingressantes cotistas têm desempenho igual ou superior aos demais. A universidade informou ainda que há casos de estudantes cotistas que são destaque em desempenho, participam de programas de iniciação científica, intercâmbio, representam a Ufop, liderando equipes nos concursos externos, como da construção de aeromodelos na engenharia de controle e automação.

Na UFU, os cotistas tiveram melhor desempenho nos cursos de filosofia noturno com nota de corte de 651,52 contra os 638,14 da ampla concorrência, história (669,76 para 663,64), língua portuguesa (608,56 para 606,28), química (663,74 para 659,75), ciências biológicas bacharelado (646,57 para 645,32) e pedagogia licenciatura noturna (591,84 para 591,20). Na UFJF, os cotistas tiveram notas de corte superiores em cursos como engenharia elétrica com habilitação em sistemas elétricos com 738,58 para 726,10; no mesmo curso, mas com habilitação em telecomunicações obtiveram 736,90 para 723,80; em estatística, 672,06 para 671,18; física diurna, 693,24 para 687,60; e fisioterapia diurno, 738,92 para 729,76.

Na comparação entre o Sisu 2016 e o vestibular 2013, os cotistas na UFMG demonstraram melhor desempenho do que os não cotistas. O pró-reitor de Graduação, Ricardo Takahashi, ressalta que o ano de 2013 é importante como base de comparação porque corresponde ao último ano de entrada pelo vestibular. As cotas representavam 12,5% do total de vagas. Os dados também apontam melhoria nas notas dos cotistas 2016 em comparação com as notas da ampla concorrência em 2014, no primeiro ano que o Sisu foi implementado. Os cotistas de 2016 tiveram melhor desempenho em 36 cursos de graduação. “O aumento da competição pelas vagas, decorrente do Sisu, também causou um aumento da competição entre os cotistas, e estes estão entrando na UFMG mais bem preparados que os não cotistas de poucos anos atrás”, avalia Takahashi.

PERCENTUAIS O coordenador-geral de Educação para as Relações Etnicorraciais do Ministério da Educação, Rodrigo Ednilson, lembra que a Lei das Cotas determina percentuais mínimos para presença de alunos da escola pública, negros e indígenas nas universidades públicas, mas não estabelece os percentuais máximos. Em outras palavras, o número de estudantes aprovados pela reserva de vagas pode ser superior ao mínimo previsto pela lei. Ele lembra que o objetivo das cotas é proporcionar que um segmento tenha acesso à universidade. As notas do cotista tendem a ser menores devido à desigualdade no acesso à educação de qualidade. No entanto, o que ele ressalta é que muitos estudantes que fizeram a opção pelas cotas podem obter – e o estão fazendo – notas iguais e até superiores à ampla concorrência. Isso, na avaliação do especialista, não torna as cotas desnecessárias, pois ainda é pequeno o percentual entre os cotistas que tem obtido notas maiores.

O estudante Douglas Damasceno, de 20 anos, foi o primeiro colocado nas cotas para o curso de medicina na UFMG, com 783,2 pontos e 960 pontos na redação. Autodeclarado negro, Douglas estudou os ensinos fundamental e médio em escola pública. É filho da cozinheira Jucilene dos Santos, de 39, e do autônomo Wilson de Freitas, de 43. “Existe muito preconceito em relação aos cotistas. As cotas mudam a vida de minha gente. Mudaram a minha e de muitos colegas. As cotas vão mudar os rumos das universidades brasileiras”, diz o jovem, que mora na comunidade do Alto Vera Cruz, na Região Leste de Belo Horizonte. A conquista do jovem foi comemorada pela família e por toda a comunidade. “Foi muito gratificante. Serei o primeiro médico da família.”
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