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Redação do Enem vira desabafo para 55 mulheres vítimas de agressão

Elas aproveitaram o tema (A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira) para escrever depoimentos sobre violências que sofreram ou de que tiveram conhecimento

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postado em 12/01/2016 06:00 / atualizado em 12/01/2016 07:28

Daniel Camargos /

Entre os milhões de textos escritos nas redações pelos candidatos, 55 chamaram a atenção e chegaram a comover os responsáveis pela correção. O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, destacou que 55 mulheres aproveitaram o tema (A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira) para escrever depoimentos sobre violências que sofreram ou de que tiveram conhecimento. “São redações contundentes, muito fortes, com depoimentos que sensibilizaram os corretores”, detalhou o ministro.

O Ministério da Educação vai publicar, em seu portal na internet, orientações para que essas mulheres procurem os meios adequados para se defenderem. Entre eles, está o telefone 180, da Secretaria Especial de Políticas para Mulheres. “As recomendações serão divulgadas publicamente”, prometeu o ministro.

Mercadante requisitou a consultoria da Advocacia-Geral da União (AGU) sobre a forma de agir e o entendimento foi de que o ministério não entrará em contato com essas mulheres, pois teme que o agressor intercepte o e-mail. “Como temos o compromisso do sigilo, queremos evitar o contato direto com as mulheres que relataram preocupantes situações de estupro e violência, principalmente porque o agressor pode ser uma pessoa muito próxima”, explicou o ministro.

Segundo Mercadante, o tema foi importante não só por levar mais de 5,8 milhões de participantes a refletir sobre a violência contra a mulher, mas para reforçar o combate a essa prática, que, só no ano passado, resultou em 634.862 denúncias ao Ligue 180. O ministro rechaçou as tentativas de críticas que tentaram impor a pecha de ideologização ao tema. “Isso é um fato. O Brasil é o quinto país do mundo onde há mais violência contra a mulher”, afirmou.

Após a aplicação da prova, o tema da redação foi comemorado por grupos feministas. Nas redes sociais, não faltaram mensagens favoráveis à escolha. “A realidade é muito dura, pois neste momento em que milhares de pessoas estão refletindo sobre o tema pra fazer a redação, muitas mulheres estão sendo violentadas, agredidas, estupradas”, postou um grupo.

Inscrições para o ProUni
As inscrições para o Programa Universidade para Todos (ProUni), do primeiro semestre de 2016, estarão abertas entre os dias 19 e 22. O programa oferece bolsas de estudo em instituições privadas de ensino superior. O resultado da primeira chamada será divulgado no dia 25, e o da segunda, em 12 de fevereiro. Para participar, é preciso ter feito o Enem de 2015. Podem concorrer os alunos que cursaram o ensino médio em escolas públicas ou foram bolsistas em instituições particulares, além de pessoas com deficiência e professores da rede pública. As bolsas integrais são para os candidatos com renda familiar bruta mensal por pessoa de até 1,5 salário mínimo. As parciais, para participantes com renda de até 3 salários mínimos mensais. A inscrição pode ser feita no endereço http://siteprouni.mec.gov.br.

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