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Educação a distância garante autonomia de estudo

Segundo o MEC, método tem se popularizado cada vez mais. Autonomia é um dos principais desafios dos estudantes

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postado em 17/10/2015 06:00 / atualizado em 14/10/2015 19:16

Estado de Minas

Marcos Santos/USP Imagens

A educação a distância (EAD) no Brasil tem se popularizado cada vez mais. Segundo dados do Ministério da Educação (MEC), 75% das universidades públicas já oferecem cursos de graduação e técnicos dentro do modelo. Nas faculdades particulares, o índice é bem menor: apenas 3%. Mas o empenho em aumentar esse número tem feito da EAD uma boa alternativa para quem não dispõe de muito tempo, seja para uma graduação ou para uma pós.

É o caso de Kelly Cristina Oliveira Costa, de 38 anos. Formada em pedagogia, faz pós-graduação em psicopedagogia pela internet e não abre mão desse modelo. “Sou muito grata por estudar assim. Aprendi muito, inclusive a me disciplinar e a esperar mais pelas coisas, já que nem tudo acontece na hora que a gente quer.” Além da pós, Kelly está fazendo graduação em letras, simultaneamente.

A escolha pela educação a distância veio da necessidade. “Escolhi esse modelo porque já era mãe e tinha um pouco de dificuldade em relação à locomoção, já que moro em Igarapé e, na época, não tinha nenhuma faculdade na cidade. Tinha que ir todos os dias para Betim, e isso era muito difícil com um bebê tão pequeno”', conta. A adaptação veio aos poucos. Acostumada com o modelo presencial, Kelly se sentiu desamparada nos primeiros dias de curso. “Até me arrependi no primeiro momento. Por exemplo, quando precisei procurar a secretaria administrativa da faculdade, tive um choque, já que estava acostumada a ter uma secretaria presente pra mim o tempo todo. O primeiro contato não foi muito bacana, mas hoje não me arrependo mais.”

A autonomia é um dos principais desafios. Seja na graduação ou na pós, o aluno se torna o protagonista da sua aprendizagem, o que exige uma série de competências, como explica Patrícia Genelhu, professora e coordenadora de pós-graduação da UNA Virtual. “O aluno deve ter em mente que um curso de qualidade exigirá dele dedicação, foco e disciplina. Na modalidade a distância, de forma ainda mais efetiva, a demanda não é apenas por disciplina, mas, autonomia de estudo, proatividade, desenvolvimento da comunicação textual, entre outras capacidades.” Dessa forma, o papel dos professores agora é outro: eles passam a ser mediadores.

Para Kelly, essa é uma desvantagem. “Você tem que pesquisar sozinho, buscar as próprias respostas. Não tem ninguém para te cobrar e você não tem ninguém por perto para tirar uma dúvida. Não que isso seja de todo ruim, mas é que nós já somos acostumados a ter um professor ali, sempre ao lado para ajudar.”

Os prós e os contras variam para cada pessoa. Segundo Patrícia, não existe um perfil específico para a EAD. Entretanto, aquele que optar pela modalidade deve ter consciência de que a qualidade do curso depende, essencialmente, do seu empenho pessoal. Essa diferença pode ser muito sentida por quem fez uma graduação presencial e optou pela pós a distância. “O EAD ocorre por intermédio da tecnologia, que possibilita novas formas de abordagem de conteúdo. As dimensões tempo e espaço também se modificam. Como consequências, temos a mudança na forma de relacionamento entre alunos e professores e entre os próprios alunos, que devem buscar novas formas de interação para o compartilhamento de suas experiências e conhecimento.”

ESCOLHA
Além das capacidades exigidas, o aluno deve se atentar quanto à escolha do curso e da instituição. Kelly estudou por quase dois anos em uma faculdade que não era credenciada pelo MEC. Após a descoberta, redobrou o cuidado. “Quando mudei, o primeiro passo foi olhar o registro para saber se era uma instituição autorizada. Também pesquisei a pontuação que ela tinha no Enade.”

É o que aconselha Patrícia. “É importante verificar se a instituição é credenciada para a oferta desse tipo de curso e se cumpre todas as exigências do órgão regulador, além da reputação no mercado e da sua estrutura. Somado a esses pontos, o aluno deve procurar conhecer o projeto do curso (matriz curricular, corpo docente etc.).”

Em relação à especialização, alguns fatores também devem ser levados em conta. Para a professora, o aluno deve pensar em sua estratégia de carreira, em curto e médio prazos. Assim, precisa avaliar se é necessário se atualizar em relação aos conhecimentos relativos a sua formação acadêmica e prática profissional ou se deseja se preparar para uma mudança de carreira, em função de uma nova oportunidade, por exemplo.

A duração dos cursos pode variar entre as escolas. Segundo Patrícia, a exigência para que um curso seja considerado uma pós-graduação lato sensu é de que tenha, no mínimo, 360 horas, independentemente do regime de execução adotado pela instituição e, portanto, do seu tempo de duração. Como não existe um padrão de duração dos cursos, o aluno também deverá pesquisar sobre esse fator, sempre verificando a carga horária mínima exigida.
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