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Corte em programa que financia pós-graduação agrava situação em universidades federais

Contingenciamento de recursos ameaça estudos de ponta. "É um momento crítico", diz pró-reitor da UFV

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postado em 11/07/2015 06:00 / atualizado em 11/07/2015 07:20

Márcia Cruz - Enviada especial

Fotos: Leandro Couri/EM/D.A Press

Viçosa e Ouro Preto -  Um novo corte de verbas federais ameaça as atividades de pós-graduação e pesquisa de universidades federais de Minas e do país. Em dificuldades desde o início do ano por conta do contingenciamento de recursos, instituições receberam ontem aviso de que a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), fundação do Ministério da Educação (MEC), cortará em até 75% as verbas deste ano do Programa de Apoio às Pós-graduações (Proap), que financia custeio e manutenção da produção científica de ponta. Com a redução em uma das principais fontes de recursos para as universidades, pesquisadores de áreas importantes em federais do interior de Minas preveem situação dramática neste segundo semestre.

“Esse corte do Proap é um fato histórico, nunca aconteceu algo assim na histórica recente da pós-graduação brasileira”, reagiu o pró-reitor adjunto de pesquisa e pós-graduação da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), Alberto Fonseca. Ele prevê dificuldades para a pesquisa na instituição. “É muita incerteza para fazer o planejamento. É muito desconfortável todo início de semana não saber se vai haver recursos para custear laboratórios e pesquisas de campo”, afirmou. Na Universidade Federal de Viçosa (UFV), o corte também terá impacto. “É um momento crítico para a pesquisa”, disse o pró-reitor de pesquisa e pós-graduação da UFV, Luiz Alexandre Peternelli. “Isso (o corte) dificultará a participação de estudantes e professores em eventos científicos, composição de bancas de defesa, trabalhos de campo e publicação de resultados científicos”, acrescentou.

A redução de verbas do Proap é novo complicador em um cenário de poucos recursos em universidades públicas do interior de Minas. A reportagem do Estado de Minas percorreu laboratórios nas federais de Ouro Preto e Viçosa e ouviu relatos de apreensão de pesquisadores. “O atraso no repasse das verbas atrapalha as pesquisas. Professores de centros de referência internacionais viriam ajudar em nossas pesquisas, mas as viagens estão suspensas. Nós tínhamos algumas reservas, mas já estamos sentindo os efeitos”, afirmou um pós-doutorando do laboratório de entomologia (estudo dos insetos) do  Instituto de Biotecnologia Aplicada à Agricultura (Bioagro), da UFV. Ele pediu para não ser identificado.

Os pesquisadores contam que fazem o que podem para evitar a suspensão das pesquisas, mas há cada vez mais entraves. Quando o motor do eixo giratório de um equipamento essencial à pesquisa no laboratório de entomologia estragou, por exemplo, os alunos recorreram ao serviço de manutenção da universidade, mas foram surpreendidos com a informação de que o equipamento não poderia ser consertado. “Levamos para consertar, mas para que isso fosse feito, tivemos que comprar uma lixa e uma serra”, contou o doutorando em entomologia Edmar de Souza Tuelher. O sonho do jovem pesquisador em fazer o doutorado-sanduíche no exterior também terá que ser adiado, diante da crise. “Não consegui sequer protocolar o pedido.”

No Laboratório de Cultura de Tecidos Vegetais, faltam desde reagentes básicos até um freezer para temperaturas de 80 graus negativos. O projeto para compra do equipamento, no valor de R$ 120 mil, foi aprovado por uma agência financiadora, mas apenas R$ 12 mil foram liberados. No câmpus da UFV de Rio Paranaíba, um aparelho de raios X está parado porque não há dinheiro para trocar um tubo que custa R$ 30 mil.

Fotos: Leandro Couri/EM/D.A Press

Novo ciclo


O corte de verbas em 2015 contrasta com a expansão da pós-graduação em algumas universidades nos últimos anos. A UFV conta com 44 programas de pós-graduação, totalizando 2.818 alunos, a maior parte deles, 1.441, está no doutorado. “Tivemos uma expansão grande com o Reestruturação e Expansão das Universidades (Reuni). Agora, tivemos os cortes”, lamentou Luiz Alexandre Peternelli. Na próxima semana, haverá um encontro do Fórum de Pró-reitores de Pesquisa (Foprop), em que pesquisadores buscarão alternativas para a crise. Além da UFV e Ufop, a UFMG também recebeu ontem aviso da Capes de que haverá cortes no Proap, mas a assessoria da universidade informou que não comentaria o assunto. Desde o início do ano, laboratórios da UFMG, como os do Departamento de Química, também registram falta de materiais básicos. Por causa do corte no Proap, a Universidade Federal da Bahia (UFBA) anunciou paralisação das atividades.

 

 

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Mário
Mário - 11 de Julho às 18:04
Como o Brasil quer ter alguma inserção global se corta a verba, que já é pequena, para pesquisas avançadas em Universidades. Vamos continuar a ser um país periférico e atrasado em relação ao países de capitalismo central, respondendo por menos de 1% das pesquisas e do comércio mundial. Essa é a pátria educadora!!! Lamentável.
 
Juvelino
Juvelino - 11 de Julho às 13:02
É isso mesmo o que eles querem! Que não haja mais pesquisa nenhuma! Querem o nosso atraso não só econômico e social, como também científico e em todas as áreas que eles possam sabotar! Não é coisa só do atual governo não! É uma força ruim e muito poderosa que age sobre este país desdo seu descobrimento e advinha quem está no meio? Já dei uma dica! kkkkkk
 
Utsch
Utsch - 11 de Julho às 12:51
Alô eleitores da Dilma! PT saudações! Leram a reportagem? Conseguiram entender? Se é petista, tem dificuldades... Então, eu explico: Essa é a "Pátria Educadora", é isso mesmo, o slogan utilizado pelo governo que vocês (trollados), colocaram lá no Planalto. Agora, é sentar e chorar. O Brasil pode estar até mal. Mas, eu posso bater no peito com orgulho e dizer: Eu NÃO VOTEI nessa "barafunda" para presidente! Já vocês... Ardam e "mordam a fronha"!
 
Eduardo
Eduardo - 11 de Julho às 09:29
Brasil, pátria educadora!