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Mudanças nas regras do Enem provocam polêmica entre estudantes

Alteração que impede entrada de jovens mais cedo nas universidades é questionada

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postado em 20/05/2015 06:00 / atualizado em 20/05/2015 06:47

Sandra Kiefer /

Ramon Lisboa/EM/D.a press

As mudanças nas regras do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), anunciadas na segunda-feira pelo Ministério da Educação (MEC), não demoraram a repercutir nos cursos preparatórios, especialmente a norma segundo a qual fica vedado trocar o 3º ano do ensino médio por cursinhos na expectativa de queimar etapas e entrar mais cedo nas universidades. O edital do Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais (Inep) do MEC deixa claro que “o participante menor de 18 anos no primeiro dia de realização do exame e que concluirá o ensino médio após 2015 não poderá utilizar os seus resultados individuais no Enem”.

Os maiores prejuízos serão para os alunos que já contavam com as regras anteriores para chegar precocemente ao ensino superior. “O que vai ser dos colegas que abandonaram os estudos no 3º ano para conseguir a certificação pelo Enem? Só na minha antiga turma do colégio, sei de três que fizeram isso”, afirma Luiza Cassino, de 20 anos, estudante do pré-vestibular Determinante, na Savassi. Mas há também quem critique os que querem pular etapas. “Não acho certo. Já vi alunos até com 16 anos estudando em cursinhos. Por falta de maturidade, eles querem que as aulas preparatórias sejam iguais às do colégio, em que os professores cobram notas e provas. Acaba atrapalhando quem está levando a sério o pré-Enem”, critica Camila Azalim, de 19, que há dois anos vem tentando a aprovação. “Não quis pular etapas. Iria perder o diploma de 3º ano, concluído em um colégio com nome bom”, completa a colega das duas, Isabela Lobo, de 19.

De acordo com a nova regra, estudantes menores de 18 anos que não concluirão o ensino médio em 2015 só podem usar os resultados do Enem para “fins de autoavaliação de conhecimentos. A mudança ocorre porque, nos últimos anos, adolescentes têm conseguido na Justiça o direito de usar o Enem como vestibular antes de terminar o 3º ano, o que é contestado por instituições de ensino. Entre alunos provenientes de escolas particulares de Belo Horizonte, era comum ocorrer uma debandada para intercâmbios no exterior, no 2º ano do ensino médio. Quando esses estudantes retornavam, no período correspondente ao segundo semestre do 3º ano, algumas famílias usavam o artifício de matriculá-los no pré-Enem, como forma de ganhar tempo.

Para estabelecer o novo parâmetro, o edital do MEC toma por base a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), de 1996. A certificação de ensino médio, diz a legislação, é restrita a maiores de idade e o ingresso no ensino superior está reservado a quem já terminou a educação básica. “No 3º ano regular, os colégios já preparam os alunos para o vestibular. A diferença é que vou sair com diploma da minha escola”, observa Luiza Carvalho, de 17. Com esse objetivo, ela está conciliando as aulas do cursinho com as da escola. Para dar conta dos dois, entretanto, deixou a instituição de ensino mais “puxada” já no 1º ano, optando por cursar os dois últimos anos em um colégio de menor nível de cobrança, com a concordância dos pais.

Embora já seja norma, a necessidade de concluir o 3º ano das escolas regulares divide opiniões de especialistas em educação. Para o diretor do Determinante, Rafael Ribeiro, pular o último ano do ensino médio nem sempre é sinônimo de perda de qualidade: “Depende muito do perfil do aluno. Se ele souber estudar por si só, a nota que ele tirou no Enem servirá como prova de que ele domina o conteúdo exigido”, defende. Já o diretor pedagógico do curso Unimaster, Irisval Neto, pós-graduado em Enem, há o risco de se buscar apenas atualização de conteúdo nos cursinhos, deixando de lado a formação de valores. “O pré-Enem é conteudista, próprio para alunos que já chegam com maior maturidade. Os colégios se preocupam também com a socialização do aluno, que está no auge da adolescência”, compara o professor, que atua em um grupo que oferece os dois tipos de formação. (Com agências)

O que muda em 2015

Exigência do diploma


Nos últimos anos, adolescentes têm conseguido na Justiça o direito de usar o Enem como vestibular antes de terminar o 3º ano, o que é contestado por instituições de ensino. O edital proíbe menores de idade de usar a nota do teste para certificação de conclusão do ensino médio. O Inep informou que poderá convidar esses treineiros a fazer o Enem digital.

Fechamento dos portões

Para evitar vazamentos, a prova só começará às 13h30, meia hora depois do fechamento dos portões. Isso significa que os dois horários não mais coincidirão. Haverá de 30 minutos para os estudantes se organizarem nas salas.

Inscrições

As inscrições vão de 25 de maio a 5 de junho. São 205 mil vagas em mais de 150 instituições públicas de ensino superior.

Valor da taxa


A taxa subiu de R$ 35 para R$ 63. São isentos os concluintes do ensino médio em 2015 matriculados em escolas públicas e os que declararem carência.

Cartões de confirmação


A partir deste ano, o MEC não enviará para a casa dos candidatos os cartões de confirmação de inscrição. Para acessar informações como local de prova, bastará entrar no site do Enem.

Data das provas


24/10 (ciências humanas e ciências da natureza) e 25/10 (linguagens, códigos e suas tecnologias, redação e matemática).

Isenção da taxa

Outra mudança é que o estudante que faltar sem apresentar justificativa não terá isenção da taxa de inscrição no ano seguinte

Fonte: Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais (Inep), órgão do Ministério da Educação (MEC) responsável por organizar a prova
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