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Cursos técnicos facilitam o acesso ao mercado de trabalho

Pesquisa do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) mostra que 72% dos ex-alunos dos cursos técnicos conseguem trabalho no primeiro ano depois da formatura

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postado em 24/01/2015 10:09

Pedro Ferreira

 Beto Magalhaes/EM/D.A Press

Antes mesmo de terminar o curso técnico na área de transporte público, Caroline Dayrell, de 19 anos, já estava empregada na empresa de trânsito de Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, com carteira assinada. Para ela, o fato de ter estagiado dentro da própria escola, o Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet-MG), abriu seu leque de relacionamento com profissionais da área. “Todos os meus colegas de sala conseguiram emprego”, diz.

Gabriel Amaral, da mesma idade, recém-formado no curso técnico em informática do Cotemig, fez estágio por um ano na siderúrgica Vallourec. A qualificação e a experiência renderam a ele uma nova oportunidade em uma empresa de importação e exportação. O jovem gostou tanto da profissão escolhida que pretende continuar investindo nesse mercado, que considera promissor. “Quando comecei o curso técnico não sabia nem se ia gostar da área. Descobri meu caminho! Agora, vou começar o curso superior de sistemas de informação na PUC Minas.”

A constatação de Caroline e Gabriel, de que os cursos técnicos facilitam o acesso ao mercado de trabalho, tem fundamento. Pesquisa do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) mostra que 72% dos ex-alunos dos cursos técnicos conseguem trabalho no primeiro ano depois da formatura. E mais: a renda das pessoas com curso técnico é, em média, 24% maior do que a dos demais trabalhadores.

Caroline foi influenciada pelos pais a fazer o curso técnico, pois “na época nem sabia bem o que era um curso técnico, mas gostei e acabei ficando”, diz ela, que conciliou os ensinos médio e técnico, por três anos. A jovem gostou tanto que só depois optou pela faculdade de engenharia civil. “Se não fosse meu curso técnico não teria emprego hoje. Tenho salário para me manter e ajudar os meus pais em casa”, acrescenta Caroline.

COLOCAÇÃO IMEDIATA

A técnica em estradas Marília Elizabete Soares Brasileiro, de 19, também conseguiu emprego tão logo saiu do Cefet. “Dois meses depois de formada, já tinha emprego. Só não trabalhei antes da formatura por não ter tempo livre.” Hoje, além de trabalhar, Marília faz faculdade de engenharia de agrimensura e acredita que o curso técnico foi a base para sua aprovação no vestibular. “Se não fosse o técnico, nem saberia o que fazer até hoje.”

Thiago Augusto de Castro, de 21, fez eletromecânica no Cefet e diz que valeu muito a pena. “É uma oportunidade de você ser inserido no mercado de trabalho com mais rapidez. Você já sai da escola com uma qualificação.”

BRASIL DEFENDE ENSINO PROFISSIONALIZANTE

De 2.002 entrevistados na pesquisa “Retratos da sociedade brasileira – Educação básica”, encomendada ao Ibope pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), 89% concordam, total ou parcialmente, que o país precisa oferecer mais cursos de ensino médio que também ensinem uma profissão. Para o diretor do Cotemig – Unidade Barroca, na Região Oeste de Belo Horizonte, Emerson Castro, nos últimos anos, o profissional de nível técnico ganhou importância estratégica e passou a ser bastante valorizado. “Os jovens veem hoje a qualificação técnica como uma capacitação que abre portas para o mercado de trabalho”, pontua.

Em 2014, o setor de estágios do Cotemig divulgou 1.186 oportunidades de trabalho e de estágios. O número de vagas disponíveis é mais que o dobro de alunos formados pela escola anualmente. “Ou seja, existem muitos postos de trabalho não preenchidos, aguardando um jovem qualificado. Com o curso técnico, o estudante pode ter renda imediata, porque é possível fazer o técnico juntamente com o ensino médio, com duração de três anos.” Quem já tem o ensino médio pode fazer um curso técnico em um ano e meio.
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