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Alunos criam grupos no WhatsApp para trocar informações e resolver dúvidas do Enem

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postado em 29/10/2014 06:00 / atualizado em 07/11/2014 11:30

Valquiria Lopes

Cristina Horta/EM/D.A Press

Mais do que conectados nos estudos. Alunos de colégios de Belo Horizonte que se preparam para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) estão interligados em rede para estudar. Em apenas um toque no celular, são capazes de tirar dúvidas, discutir temas de redação, alertar sobre prazos para inscrições no vestibular e resolver exercícios juntos. Isso se tornou possível por meio de mais um aplicativo das redes sociais. Com o WhatsApp, a troca de mensagens, típica de bate-papo, ganhou tom sério e cada vez mais alunos aderem à novidade, caracterizada pela agilidade e flexibilidade de uso. Com smartphones sempre à mão, e conectados à internet, eles não precisam ligar o computador, acessar e-mails ou fazer ligações para manter contato com colegas. A ferramenta tem sido tão útil em turmas de terceiro ano e cursos de pré-vestibular que estudantes organizaram grupos para a troca de informações. Em alguns casos, até os professores estão cadastrados.

Ponto forte das “salas de aulas virtuais” – como podem ser chamados os grupos de estudo no WhatsApp –, a rapidez para disseminação dos conteúdos é ressaltada pelos alunos. Um deles, o estudante Silas Patrício de Oliveira, de 22 anos, estudante do pré-vestibular Soma e candidato a uma vaga de medicina, explica como a troca de mensagens funciona bem entre ele e os colegas. “Temos a tecnologia a nosso favor, porque, diante de qualquer dúvida, basta dirigir uma pergunta ao grupo que alguém responde quase de imediato”, diz. Outra vantagem, segundo ele, é a possibilidade de enviar fotos das questões retiradas de livros de exercícios nas conversas do aplicativo. “Isso é um grande ganho. Sem essa possibilidade, teríamos que ler ou explicar o assunto para o colega, o que levaria tempo e seria muito mais difícil”, diz o rapaz, que participa de três grupos de WhatsApp relacionados ao Enem.

Assim como Silas, os colegas de cursinho Lucas Ricardo Bandeira de Sousa, de 19, e Nathalie Pâmela Gonçalves de Assis, de 18, não abrem mão do aplicativo. “É uma ferramenta muito prática. Mesmo em casa, estamos interligados, como se estivéssemos em uma sala de estudo, pois podemos gravar áudios explicativos, mandar imagens e discutir formas de resolver determinada questão”, conta Lucas. Nathalie pondera a facilidade de agendar encontros e grupos para estudar. “Não precisamos ligar para cada um. Basta enviar uma mensagem, para todo mundo ser informado”, ressaltou.

Coisa séria

Na casa da estudante Isabella Martini, de 18, aluna do terceiro ano do Colégio Padre Machado, grupo de estudo no WhatsApp é coisa séria. Mas, para ser bem aceito, ela precisou dar explicações para a mãe. “Antes, ela estranhava, porque entrava no meu quarto e eu estava sempre com o celular na mão. Ela entendia que o aplicativo era só para diversão. Depois de mostrar como a gente estuda, troca ideias e tira dúvidas, minha mãe entendeu o lado positivo”, conta a jovem. Na lista de integrantes do grupo de estudos, batizado de Enem 2014, no qual Isabela está cadastrada, está também a colega de colégio Letícia Sadra Tristão Barbosa, de 17. Para a moça, o aplicativo veio em boa hora, para estudantes que estão em busca de uma vaga na universidade. “Este é um momento de muitas dúvidas e o WhatsApp acaba sendo um aliado, pois facilita o acesso não só a colegas, mas, principalmente, aos professores, cujo contato se restringia à sala de aula.”

O grupo Enem 2014 foi criado nas três turmas de terceiro ano do Colégio Padre Machado, justamente para facilitar o caminho dos alunos ao ensino superior. Na lista de docentes desse grupo está a professora de filosofia da instituição Natália Curcio, que destaca somente pontos positivos no uso da ferramenta. Ela conta que, na área em que atua, os alunos podem debater assuntos relacionados a temas abrangentes, como ética, liberdade e, mais recentemente, os rumos das eleições. “Os assuntos são muito variados e o mais importante é que os estudantes têm a possibilidade de ir além dos conteúdos tratados em sala de aula, como informações do noticiário ou alguma novidade sobre as provas do Enem”, diz. Segundo a educadora, o foco dos estudantes no ensino é tão intenso nesta etapa que ninguém desvirtua dos assuntos da escola. “Só vejo ganhos, porque a interatividade é muito grande. Além disso, temos a vantagem de cada aluno manusear seu próprio aparelho e tê-lo sempre disponível, à mão.”

Tempo precioso

Mas há quem faça alertas sobre o uso. Para o economista e educador Wille Muriel, que é diretor-executivo da Carta Consulta, as vantagens da interatividade, mobilidade e velocidade da informação transmitida pelo WhatsApp não podem se perder com troca de assuntos fora de contexto. “Temos um universo de pontos positivos, até porque os jovens dominam muito bem a ferramenta, bem como outras redes sociais. Mas brincadeiras, piadas e vídeos não relacionados ao ensino não cabem em grupos de estudo, porque vão tirar a atenção num momento em que o tempo de estudo é precioso”, afirma. Ele ressalta, ainda, que o aprendizado não deve se resumir à troca de experiências e tira-dúvidas entre os colegas. “O aluno deve ter tempo para estudar, resolver questões, fazer redações e ler. Isso é fundamental”, garante.

Com os smartphones sempre ligados em rede, os alunos Filipe Buril e Lucas Soares, ambos de 19, e Clara Almeida e Breno Cardoso, admitem que hora ou outra surge uma brincadeira no grupo. “Claro que o foco é tirar dúvidas e ficar informado sobre datas de inscrições. Mas, de vez em quando, alguém manda uma ‘zoação’. Cabe à gente voltar ao assunto e não se distrair”, explica Lucas. E mesmo com tantas notificações de mensagens chegando, Clara explica que é possível se concentrar. “Basta colocar o grupo no silencioso. Assim ele não atrapalha”, comenta. Os alunos que estudam no pré-vestibular Soma e fazem parte de grupos de estudo no WhatsApp avaliam a ferramenta. “Sem dúvidas, tem mais pontos positivos do que negativos. É um aplicativo muito útil”, conclui Filipe.

Cartão de confirmação
Os inscritos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) deste ano já podem conferir seus cartões de confirmação de inscrição. O sistema de consulta ao cartão está disponível na página do exame na internet (http://enem.inep.gov.br/). Para acessá-lo, conferir e imprimir o documento, é preciso informar CPF e senha. Os cartões enviados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), via Correios, começarão a
chegar aos endereços informados no ato da inscrição pelos participantes. Quem não receber o cartão, não conseguir imprimi-lo pela internet ou constatar erro no documento deve entrar em contato com o atendimento ao participante, pelo telefone 0800-616-1 61.

FIQUE ATENTO
Confira os dias das provas

Dia 8 de novembro
Ciências humanas e suas tecnologias e Ciências da natureza e suas tecnologias
» Tempo para a realização: quatro
horas e meia

Dia 9 de novembro
Linguagens, códigos e suas tecnologias, Redação e Matemática e suas tecnologias
» Tempo para a realização: cinco horas e meia

O Enem é composto por quatro
provas objetivas, com 45 questões
de múltipla escolha cada, e uma redação.
Os portões de acesso aos locais de prova serão abertos às 12h e fechados às 13h (horário oficial de Brasília).

Motivos que podem eliminá-lo do Enem
» Fazer qualquer consulta ou comunicar-se com outros participantes durante o período das provas.
» Portar lápis, caneta de material não transparente, lapiseira, borrachas, livros, manuais, impressos, anotações e quaisquer dispositivos eletrônicos como, máquinas calculadoras, agendas eletrônicas ou similares, telefones celulares, smartphones, tablets, ipods®, pen drives, MP3 ou similar, gravadores, relógios, alarmes de qualquer
espécie ou qualquer transmissor, gravador ou receptor de dados, imagens, vídeos e mensagens.
» Usar óculos escuros e bonés, chapéus, viseiras, gorros ou similares.
» Portar armas de qualquer espécie, ainda que tenha autorização para porte.
» Ausentar-se em definitivo da sala de provas antes de decorridas duas horas do início da aplicação.
» Receber quaisquer informações referentes ao conteúdo das provas, de qualquer membro da equipe de aplicação do exame ou de outro participante.


Fonte: Inep

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