SIGA O EM

Entender os fenômenos químicos e físcos do dia a dia ajuda candidatos na prova do Enem

Na sexta reportagem da série sobre o teste, veja dicas para se sair bem nas provas de Ciências da Natureza

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 07/10/2014 06:00 / atualizado em 07/10/2014 06:47

Márcia Maria Cruz

Brun Granato/Divulgação

Saber como funciona um chuveiro, uma panela de pressão ou a tela touchscreen pode ajudar a conquistar uma das sonhadas vagas em uma universidade. Entender como os fenômenos químicos, físicos e naturais podem ser observados no dia a dia é uma habilidade exigida de estudantes do ensino médio e pode ser parte das questões da prova de ciências da natureza do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Na sexta reportagem da série sobre o teste que se tornou porta de entrada para grande parte das universidades públicas e particulares, o Estado de Minas enfoca os conteúdos de química, física e biologia.

De acordo com o Ministério da Educação (MEC), é importante que o estudante compreenda que os aprendizados científicos devem ser promovidos em comum ou de forma convergente, pela biologia, física, química. Composta por 45 questões, a prova é aplicada no primeiro dia, junto com a prova de ciências humanas. Uma mesma situação pode gerar questões para as três disciplinas. O exame pode apresentar um determinado medicamento, pode ser requerido do aluno informar as funções químicas, se é um álcool, éter ou alcano. “A prova já cobrou sobre o DNA com perguntas de biologia”, exemplifica o professor de física e diretor do Elite Vale do Aço, Jean Zanone.

 O Enem está assentado em cinco eixos cognitivos: domínio de linguagem, compreensão de fenômenos, enfrentamento de situações, construção de argumentação e elaboração de propostas. “O domínio da linguagem, compreensão de fenômenos e enfrentamento de problemas são os três eixos mais recorrentes na prova de ciências da natureza. Podemos dizer que, nessa ordem, demonstram um nível de complexidade crescente das questões”, informa André Castro, professor de química e coordenador pedagógico do colégio Elite.

Apesar do esforço, a prova não é completamente transdiciplinar. Em outras palavras, é possível identificar separadamente o conteúdo de cada uma das áreas do conhecimento. “A interação mais forte é entre química e biologia”, diz. No conteúdo de física, os temas mais recorrentes são da cinemática, área que compreende o movimento e seus componentes, como aceleração e velocidade. As ondas sonoras, eletromagnéticas e a radiação também são abordadas nas questões. A matriz energética brasileira é uma temática em evidência, que pode render questões para o Enem. “Na parte de física, pode ser cobrado o funcionamento da máquina térmica ou a relação de energia nas hidrelétricas.”

Em química, os conteúdos mais recorrentes são a produção e conversão de energia, a identificação de funções orgânicas e reações, tratamento e formas alternativa de obtenção de água. O aluno precisa dominar a linguagem para falar das funções orgânicas. “Todos os anos temos uma questão envolvendo funções orgânicas. São perguntas mais simples, meramente de identificação”, pontua André. Outras questões mais complexas exigem que aluno seja capaz de solucionar problemas. “A prova é pedagogicamente bem planejada.” De modo que acertar uma questão mais complexa, mas errar uma elementar, será considerado na pontuação geral.

Meio ambiente Na parte de biologia, são exigidos conhecimentos sobre ecologia e meio ambiente. É importante entender as relações entre os seres vivos, como o mutualismo, que consiste em interação ecológica na qual há vantagens recíprocas para as espécies que se relacionam; o parasitismo, relação na qual um organismo (o parasita) se associa a outro ser vivo (o hospedeiro) com a finalidade de se alimentar às suas custas; e o amensalismo, que consiste na inibição do desenvolvimento de indivíduos de uma população graças à excreção de substâncias por uma parte de outra espécie. “Ao todo são 11 modelos que o aluno precisa saber definir e identificar exemplos”, ensina o professor de biologia do curso preparatório Elite, Cléuber Coelho Duarte.

Também são elaboradas questões referentes a programas de saúde. É importante saber os vetores de determinadas patologias, em geral mosquitos, barbeiros e morcegos, e também causadores de doenças, como vírus, bactérias, protozoários e vermes. Na área de genética, é importante saber sobre DNA e RNA e suas aplicações como biotecnologias. Por meio de DNA, por exemplo, como se pode se fazer teste de paternidade e identificar uma pessoa.

Estratégias Estudante do 3º ano do ensino médio Marina de Assis Fernandes, de 17 anos, além do tempo dedicado ao colégio, estuda mais sete horas diariamente por conta própria. “Como é muita incerto sobre o que irá cair, é preciso estudar todo o conteúdo”, diz. No ano passado, ela fez o Enem como treineira, o que lhe dará tranquilidade para tentar este ano para valer. Como deseja uma vaga de medicina em uma universidade federal, ela precisa ter bom desempenho em todas as provas. Como tem facilidade em ciências da natureza, procura se dedicar bastante à matemática.

Caio César Peixoto Bretas, de 18 anos, aproveita o conteúdo das aulas presenciais do 3º ano para se preparar. “No último ano do ensino médio, não temos tempo para nada. Por isso, presto muito atenção aos professores.” Juntamente com tempo dedicado à escola, ele estuda outras cinco horas diárias. Para ele, é importante fazer muitos exercícios de física e química para aprender a matéria. “Além dos exercícios da apostila, pegou outros livros na biblioteca para me exercitar.” No ano passado, ele tentou como treineiro e a redação foi a pedra no sapato.

DEPOIMENTO

Gustavo Heringer - 19 anos, 2º período de medicina na UFMG

“Na época em que estava fazendo cursinho preparatório, a minha dedicação era exclusiva. Assistia às aulas das 7h às 12h30. Na parte da tarde, estudava por conta própria e também participava de monitorias até as 18h. À noite, deixava para ler conteúdos mais leves. Biologia, química e física são as matérias de que mais gosto. Não tem segredo. No domingo, estudava menos. Procurei descansar bastante para poder render. Tem que ter equilíbrio entre estudar e descansar. Tinha afinidade com o conteúdo de ciências da natureza, mas procurava dividir o tempo de preparação com as outras disciplinas de que eu não gostava tanto, como história e geografia. Consegui ver todo o conteúdo do Enem no terceiro ano. Fiz o terceiro, tentei e não passei. O cursinho foi importante para uma revisão. Fiz mais um ano de curso preparatório para tentar de novo. As provas são grandes, cansativas e estressantes.”

DICAS

1) Focar os estudos. Como o tempo é curto para estudar todo o conteúdo, o ideal é se concentrar no que, com certeza, será cobrado.

2)  Refazer provas de edições anteriores do Enem para se habituar com o formato e treinar o tempo para resolução das questões.

3) Dar atenção ao entendimento dos fenômenos químicos e físicos em vez de decorar equações. As questões costumam ter viés teórico.

4)Em casa, tentar entender o funcionamento dos aparelhos eletrodomésticos e tecnologias de forma geral.
Há dois anos, uma das questões era sobre o funcionamento da tela touchscreen. Entenda os aparelhos que estão à sua volta.

NA HORA “H”

1) Preste atenção no enunciado. Com a interpretação de textos, você pode resolver as questões mesmo que não tenha uma embasamento forte do conteúdo.

2)  Chegue no dia da prova com uma estratégia de resolução das questões bem definidas. Pense quanto tempo destinará à a realização de cada uma das provas e para passar a limpo o gabarito. Como a prova de ciências da natureza é realizada no mesmo dia da de ciências humanas, o aluno terá quatro horas e meia para a realização das questões.

3) Em caso de um “branco”, tenha consciência de que o conhecimento não desapareceu. Se tiver ficar nervoso, peça para ir ao banheiro, levante, respire, lave o rosto e retorne. O “branco” é algo momentâneo.

4) Tenha em mente que nenhum candidato consegue fechar a prova. Vão aparecer questões difíceis. O propósito é acertar o número maior de questões. Coloque uma interrogação no que você não souber e, se tiver tempo, volte a ela, mas nunca fique parado em um ponto da prova.

Tags:
Comentários O comentários não representam a opinião do jornal;
a responsabilidade é do autor da mensagem.