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Dicas sobre interpretação de texto abre série de matérias sobre avaliações do Enem

A partir desta terça, o Estado de Minas vai abordar cada uma das áreas cobradas na avaliação

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postado em 09/09/2014 06:00 / atualizado em 09/09/2014 06:46

Junia Oliveira /

Cristina Horta/EM/D.A Press

O dicionário traz amplo significado para a palavra texto. Vai desde conteúdo para expressar ideias de um autor, doutrina ou religião, perpassando as artes gráficas, propaganda, anúncios e até sistemas de editoração eletrônica. Como a regra é trazer o cotidiano para a realidade do estudante, nada melhor do que explorar essa diversidade de sentidos para exigir do aluno o que interessa numa das provas mais importantes do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem): habilidade de leitura, interpretação e produção de texto. A partir de hoje, o Estado de Minas traz uma série especial de matérias abordando cada uma das áreas cobradas na avaliação. Professores dos colégios de Minas Gerais mais bem classificados no ranking darão dicas preciosas de como carimbar a entrada para a universidade. Linguagens, códigos e suas tecnologias marcam a estreia, mostrando que interpretação é a chave do sucesso.

Português, literatura brasileira e língua estrangeira (inglês e espanhol) se encontram com características comuns. Tipos e gêneros textuais, variação linguística, funções e figuras de linguagem, gramática e semântica são velhos conhecidos dos alunos que, no Enem, ganham ares de modernidade, tendo como pano de fundo o raciocínio. No primeiro desses tópicos, a professora de língua portuguesa do Colégio Magnum Janaína de Almeida ressalta que a prova é marcada pela diversidade textual e pode cobrar tanto a estrutura quanto o suporte, a linguagem, o público-alvo e os objetivos dos gêneros e tipos. Ela acrescenta que são comuns questões que abordam a interpretação de poemas, charges, artigos de opinião e notícias. “É necessário atentar também para textos não verbais, como obras de arte. Tem aumentado, ao longo das últimas edições do exame, o número de questões sobre os gêneros digitais, sua função social e sua linguagem.”


Essa abordagem está explícita na matriz curricular do Enem. O Ministério da Educação (MEC) quer testar a capacidade do candidato em aplicar as tecnologias da comunicação e da informação na escola, no trabalho e em outros contextos relevantes para a vida; se ele conhece e sabe usar as línguas estrangeiras modernas como instrumento de acesso a informações e a outras culturas e grupos sociais, além da capacidade de compreender e usar até mesmo a linguagem corporal como algo relevante para o dia a dia, a integração social e a formação da identidade. O entendimento da arte enquanto saber cultural e fonte de vários significados, além da análise, interpretação e aplicação de textos e contextos, são outros pontos observados.

A professora lembra ainda que espera-se do candidato reconhecer a existência e a importância da variação linguística, sendo que questões sobre esse tópico frequentemente exigem também que o aluno reflita sobre o preconceito linguístico. Funções da linguagem são, segundo Janaína de Almeida, um dos conteúdos mais recorrentes na prova, enquanto as figuras de linguagem aparecem tradicionalmente nas questões de interpretação de textos literários, sendo também cobradas em textos de humor, charges e tirinhas.

DESAFIOS Aluna do 3º ano e de olho em uma vaga no curso de medicina, Maria Teresa dos Santos Silva, de 17 anos, faz o Enem desde o 9º ano do fundamental e, por isso, tem experiência de sobra para relatar que a prova de linguagens e códigos tem sido coerente nos últimos anos, ao contrário de outras áreas nas quais foram observadas mudanças. Interpretação de texto e figuras de linguagem dominam a avaliação, na opinião da estudante. “O principal é ler os enunciados, prestar atenção e ir preparado e focado para a prova, que é extensa, cansativa e com textos grandes. Se no fim do texto você percebe que perdeu o foco e deve ler tudo de novo, gasta-se muito tempo”, diz.

Maria Teresa estuda em tempo integral no Magnum, faz aulas de redação à noite e no fim de semana estuda por conta própria. Para ela, interpretação e literatura são os itens mais difíceis. “Ter a pegada para algo que é mais subjetivo, no caso da literatura, é meu maior desafio”, afirma.

O estudante Gustavo Mendonça de Oliveira Rezende, de 17, que ainda não escolheu qual curso fará na universidade, mas tende para as exatas, também tem na literatura um ponto de atenção. “Entrar no mundo da literatura brasileira demora, porque é uma matéria que vemos praticamente só no ensino médio. Interpretação é mais tranquilo, pois se tiver atenção suficiente, ela vai te salvar”, diz o garoto.

Em seu terceiro Enem, Gustavo considera que a prova de linguagens e códigos ganhou viés de mais conteúdo ano passado. Segundo ele, em 2012, ainda havia textos grandes e cansativos, ao contrário do ano passado, quando eles estavam mais curtos. Mudanças que para ele são vantajosas para o candidato bem preparado.

DICAS DE PREPARAÇÃO
1- O aluno deve, primeiramente, fazer as edições passadas do Enem para conhecer a prova e ganhar agilidade e segurança. Caso o candidato já tenha feito todas as provas anteriores, deve treinar com o exame para pessoas privadas de liberdade, conhecido como “Enem prisional”.

2- Como a avaliação é extensa e cansativa, o tempo é um ponto crítico. Um bom exercício é simular ao máximo a situação de aplicação do exame. Para resolver os testes dos anos anteriores, escolha um local calmo e separe o tempo disponível para a prova de linguagens. Um bom exercício é cronometrar o tempo por questão e tentar se superar a cada “simulado”.

3- Depois de fazer as edições passadas, o candidato deve conferir o gabarito e procurar, entre seus erros, se há conteúdos recorrentes. Esses tópicos devem ser o foco do aluno nessas últimas semanas até a prova.

4- A resolução de grande parte das questões depende, majoritariamente, de interpretação de texto. Por isso, leia bastante até a prova para treinar a compreensão textual. Sugere-se a leitura de artigos de opinião, editoriais, notícias, charges e tirinhas – gêneros que aparecem com frequência na prova.

5- Analisando as provas passadas, observam-se conteúdos e competências recorrentes. O candidato deve priorizar, nesse momento, a revisão dos seguintes tópicos: tipos e gêneros textuais, variações linguísticas, funções e figuras de linguagem, literatura, gramática aplicada e semântica.

Na hora “h”

1- Use os últimos minutos antes do início da prova para se acalmar e se concentrar.

2- Preste atenção às fontes dos textos-base das questões. Eles frequentemente dão “dicas” das respostas.

3- Comece a questão pela leitura de seu comando. Assim, a leitura do texto-base será mais proveitosa e o candidato economizará tempo na resolução do item.

4- Grife, no texto-base e no comando da questão, as informações mais importantes. Se necessário, faça breves anotações ao longo do texto. Assim, se for necessário voltar à questão posteriormente, seja para
resolvê-la, seja para revisá-la, o aluno economizará tempo.

5- Não perca muito tempo em apenas uma questão. Caso fique em dúvida entre duas alternativas, o que é muito comum durante a prova, destaque-as e passe para a frente. Retorne a esses itens quando tiver terminado a prova.

FONTE: Janaína Rabelo Cunha Ferreira de Almeida/ Professora de língua portuguesa do Colégio Magnum Nova Floresta

 

Angelo Pettinati/Esp. EM/D.A Press
Depoimento
Paulo Felipe Filardi Mendonça
18 anos, aluno do 2º período de controle e automação da UFMG

“Estudei minha vida toda no Colégio Magnum e, atualmente, estou cursando engenharia de controle e automação na UFMG. Para conseguir se sair bem nessa ‘quase maratona’ que é o Enem, o candidato deve, primeiramente, se conhecer muito bem. Sabendo quais são suas dificuldades e características, é possível criar estratégias de estudos e de planejamento de tempo, para antes e durante a prova. Ele deve também conhecer bem o regulamento, para adquirir mais confiança e impedir uma desclassificação por besteira. Fiz o Enem em todos os anos do ensino médio, o que me ajudou a conhecer previamente a prova e contribuiu para eu conseguir manter a calma e controlar o nervosismo. Também fiz diversos simulados e outros exercícios, tanto no Magnum quanto on-line. Com calma, tranquilidade e, principalmente, confiança nos estudos e conhecimentos prévios, o sucesso é garantido.”


Foco no processo de construção

Foi-se o tempo em que os candidatos a uma vaga na universidade tinham como companheiros de estudo uma longa lista de livros a serem lidos para os vestibulares. Embora sem autores específicos, na era Enem, literatura brasileira não perde a importância, sendo necessário o conhecimento do processo de construção do texto, de acordo com a professora de literatura do Magnum Márcia Cristina Lembrança de Carvalho. “O aluno precisa ser um bom leitor de textos de todos os tipos e formatos. Além disso, é fundamental conhecer a história da literatura brasileira”, destaca.

Outra dica é ler poemas e textos de todos os autores do Brasil, principalmente os dos séculos 20 e 21, que aparecem com recorrência nas provas, como Manoel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Graciliano Ramos, João Cabral de Melo Neto e Clarice Lispector. Márcia destaca que “a variação linguística é fundamental na medida em que os autores modernos privilegiam os diversos falares”. Ela deixa claro que os estudos de textos do Enem são feitos com base na teoria literária: funções de linguagem, gêneros literários, estilos de época, figuras de linguagem, intertextualidade.

Tudo isso a partir de dado contexto de época e sem perder de vista a norma culta da língua. A professora de português do colégio Janaína de Almeida afirma que como o foco da prova de linguagens do Enem é a interpretação de texto, a revisão de tópicos de gramática aplicada e semântica é imprescindível nas últimas semanas antes da prova.

“O aluno deve concentrar seus estudos nas relações lógico-semânticas. São muito comuns questões em que se cobra o uso dos conectivos, com destaque para as conjunções, e a percepção da presença da ambiguidade.”

Língua estrangeira não foge às regras. A professora Eliane Falce destaca que o aluno deve, antes de tudo, prestar atenção ao enunciado das questões e focar no que ela pede, antes mesmo de ler as opções propostas.
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