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Alunos do Coleguium fiscalizam infrações contra o meio ambiente na escola

Estudantes do maternal ao ensino médio têm a responsabilidade de cuidar para que a sujeira e o desperdício passem longe do ambiente de estudo. Têm ainda poder para autuar 'infratores'

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postado em 05/06/2014 06:00 / atualizado em 05/06/2014 06:59

Junia Oliveira /

Beto Magalhães/EM/D.A Press
O adesivo colado na blusa indica: o dono daquele uniforme é mais que um aluno, é um fiscal da natureza. Esta semana, estudantes do maternal ao ensino médio do Coleguium, em BH, assumem um papel e tanto na escola. Eles têm a responsabilidade de cuidar para que a sujeira e o desperdício passem longe do ambiente de estudo. Têm ainda poder para autuar “infratores”. Cada turma conta com quatro ou cincos agentes de fiscalização. Se flagrarem alguém fora da linha, jogando papel no chão, desperdiçando água e sabonete nos banheiros ou qualquer outro ato nada sustentável, estão aptos a emitir a autuação. Ela nada mais é do que um bilhetinho, mas, embora simbólica, é carregada de significados.

Professores estão instruídos a conversar com quem desrespeitar as regras, levar o caso para a turma e tratar a questão de forma didática, mostrando porque o ato não foi bom e não se deve repeti-lo. Os fiscais também foram orientados a tratar o colega com delicadeza, deixando sempre claro qual o motivo da autuação. “Não se trata de punição nem de expor o aluno”, afirma a professora de ciências do 4º e 5º anos do fundamental na unidade do Bairro Manacás, na Pampulha, Luciana Bargas.

A iniciativa de cuidar do próprio ambiente surgiu a partir de estudo sobre a dengue e, numa vistoria pela escola, em busca de focos do mosquito causador da doença, percebeu-se que o espaço poderia ficar mais limpo se houvesse a colaboração de todos. A cada ano, um tema é trabalhado nas campanhas que mobilizam todo o Coleguium, com abordagens que variam de acordo com as séries, na semana do meio ambiente. Em 2012, diante do grande número de copos descartáveis usados na unidade, cerca de 9 mil por mês, os educadores mudaram a forma de consumo de utensílios plásticos. Os professores aproveitaram para trabalhar o processo de decomposição do plástico. Desde então, garrafinhas e bebedouros se tornaram parte da rotina da garotada.

Ano passado, o desafio foi ficar um dia sem água na escola. Registros fechados impediram o uso de bebedouros, torneiras e descargas. Pais e alunos foram informados previamente e cada um tratou de levar a sua provisão. “Foi uma forma de mostrar, drasticamente, que isso pode ocorrer. Tínhamos o recurso de usar a água em caso de necessidade, mas os alunos tiveram o sentimento do que ocorrerá se não cuidarmos da água”, diz a coordenadora pedagógica do ensino fundamental I, Michelle Reis. Ela ressalta que a ideia é começar a conscientizar a meninada desde cedo. “É mais fácil aprender quando novo. As pessoas mais velhas são mais teimosas e não aceitam ser ensinadas pelos novos. As crianças são a esperança de mudança do nosso panorama”, diz.

Entre os alunos, a tarefa foi aceita com orgulho. Na turma da professora Luciana, os 14 alunos são fiscais da natureza. Amanda Mol Mattos Santos, de 9 anos, acredita que num intervalo de no máximo uma semana as melhorias serão visíveis. Para Maria Clara Andrade Almeida, também de 9, pensar na natureza é levar em conta o mundo inteiro. Júlia Castro Cardoso, da mesma idade, conta que aprendeu muito com as experiências passadas: “Ano passado, ficamos sem uma gota d’água até no banheiro. Serviu para sabermos o quanto ela é importante”.

O garoto Yusef Salomão de Abreu Bedê relata que a fiscalização será simples: “Vamos cuidar de todos os ambientes que estão sujos e avisar ao aluno que ele está degradando o verde”. Amanda e Maria Clara acreditam que as mesmas atitudes deveriam ser tomadas pelos adultos. “Acho que tem jeito de educá-los. Conversando e explicando, vão entender que meio ambiente é coisa importante”, afirma Amanda.
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