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Professora cria mural com matérias do Estado de Minas para ajudar na formação de jovens

Painel em escola de BH com notícias que enfocam fatos positivos, incentivam os estudantes à leitura diária e cria nova ferramenta pedagógica

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postado em 29/04/2014 06:00 / atualizado em 29/04/2014 07:00

Clarisse Souza

Fotos: Paulo Filgueiras/EM/D.A Press

Qual é a força de uma boa notícia? Em uma escola do Vetor Norte de Belo Horizonte, as pautas positivas impressas nas páginas de jornal se transformam em material para um projeto simples, de baixo custo, mas com grande potencial para informar e educar uma escola inteira. Desenvolvido por uma professora de português da Escola Municipal Hélio Pellegrino, no Bairro Guarani, o mural “Notícia Boa” é um apanhado de notas e reportagens que abordam temas ligados a educação, qualidade de vida e outros assuntos que tenham relação com a rotina das crianças e dos adolescentes. O resultado da iniciativa, que teve início há quatro anos, surpreende até mesmo a educadora. A tentativa de incentivar a leitura deu tão certo que mudou a relação de alunos e funcionários com o jornal. Hoje, o periódico é artigo disputado na biblioteca, e as notícias saem do papel para se tornar assunto em sala de aula e tema de conversa entre os servidores.

A criadora do mural é uma professora de 52 anos, que se formou em letras, mas nunca escondeu a paixão pelo jornalismo. “Sou filha e irmã de jornalistas. Minha relação com o jornal vem da infância”, conta Maria Lúcia Adorno Anconi, que trabalha atualmente na biblioteca da escola municipal. Foi observando o comportamento de alunos que a educadora notou que poderia fazer das notícias objeto de ensino. “Temos algumas turmas do projeto de Educação de Jovens e Adultos (EJA), e há algum tempo percebi que mesmo aqueles que não sabiam ler direito se interessavam pelo jornal e vinham até a biblioteca só por causa dele.”

A escola recebe um exemplar do periódico por dia, e, em vez de apenas ler, os alunos levam para casa alguns cadernos. “Cada um carregava uma parte e, à noite, o jornal havia sumido”, explica a professora. Foi quando ela entendeu que precisava encontrar um jeito diferente de fazer com que a publicação não saísse da biblioteca e ficasse disponível para quem quisesse apreciar o conteúdo. “No início, comecei a grampear as páginas para evitar que fossem levadas. Só depois pensei em fazer um mural, mas que tivesse apenas notícias positivas e que deixasse de fora as coisas ruins, com as quais já temos de lidar todo dia.”

Nasceu, assim, o “Notícia Boa”. Montado do lado de fora da Biblioteca Ângelo Machado, o espaço recebe todos os dias notícias recortadas das páginas do Estado de Minas, único jornal assinado pela escola. As matérias são cuidadosamente selecionadas pela professora, que folheia a publicação em busca de assuntos que possam interessar aos estudantes e também aos funcionários da instituição. “As matérias de tecnologia, por exemplo, chamam muito a atenção dos adolescentes, e eles param para saber das novidades. Os alunos menores gostam das matérias que tenham figuras ou então fotos de crianças da idade deles e, para isso, o caderno Gurilândia é ótimo.”

 

 


NADA SOBRA
O que fica de fora do mural também é aproveitado. Depois de selecionar as boas notícias do dia, Maria Lúcia separa por tema as reportagens que sobraram e as distribui entre os educadores. “Sempre tem uma matéria que fala sobre história, ciência, atividade física, português. Aí repasso aos responsáveis por cada disciplina. Tudo pode ser usado nas aulas.” Além das notícias, artigos de opinião ligados à educação vão parar na sala dos professores, e até as palavras cruzadas têm destino certo. São encadernadas por uma funcionária da escola e doadas no fim do ano aos pais.

A educadora não esconde sua alegria ao falar do projeto. Sempre que vê um aluno ou funcionário parado em frente ao mural, faz questão de fotografar. Em uma das imagens gravadas em seu celular, está a faxineira da escola Jacinta Antônia Cruz, de 56 anos, leitora assídua do “Notícia Boa”. “Depois que a Maria Lúcia criou esse mural, posso dizer que leio jornal todo dia. Gosto porque são assuntos variados, que fazem parte da nossa rotina, e fico mais informada. Depois de ler a gente acaba discutindo sobre o que viu, fala sobre política, sobre o que está acontecendo no país.” A servidora não se contenta apenas com o que é afixado no mural vai atrás do restante do conteúdo. “Gosto, principalmente, das séries de reportagens, como uma que falava sobre o Golpe de 1964. É interessante, porque a gente pode acompanhar por vários dias e saber mais sobre os assuntos”, avalia.

Satisfeita com o sucesso do projeto, Maria Lúcia revela seu desejo de espalhar a ideia para outras instituições de ensino. “É tão simples, qualquer escola pode fazer. Além do jornal, a única coisa que uso aqui é tesoura e fita adesiva. O resto é boa vontade. Vou ficar muito feliz se vir outros professores fazendo o mesmo, porque o material que temos no jornal é muito precioso”, diz.

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