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Às vésperas de deixar UFMG, reitor comemora transição bem-sucedida

Clélio Campolina diz que a instituição progrediu nas áreas de graduação e pesquisa. Reitor comemora performance dos cursos de doutorado

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postado em 23/02/2014 08:28

Junia Oliveira /

Cristina Horta/EM/D.A Press
 

Nos últimos quatro anos, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) assistiu à mudança mais profunda do processo de admissão de alunos registrada em sua história. Primeiro, veio o bônus. Depois, o Enem e o Sisu, que causaram temor – e furor –, mas vieram para ficar. Decisões ousadas e controversas marcaram a gestão do reitor Clélio Campolina, um dos responsáveis pela adesão da maior instituição pública de ensino superior do estado ao vestibular nacional unificado.

“As políticas de inclusão foram adotadas sem qualquer comprometimento da qualidade”, afirma Campolina, que deixa o cargo em 17 de março. Como legado de sua administração, o reitor destaca avanços na graduação e na pós-graduação, além de progressos nas áreas de pesquisa, extensão e na internacionalização da UFMG. Tudo isso vem ocorrendo dentro de um verdadeiro canteiro de obras, fruto da expansão do câmpus, e em meio a inovações tecnológicas.

Uma das principais novidades é o parque aquático do Centro de Treinamento Esportivo da UFMG (CTE), vinculado à Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional, cuja inauguração está prevista para março. Construído perto do Centro Esportivo Universitário (CEU), o espaço, concebido em parceria com o governo do estado, é considerado o mais moderno do Brasil e despertou o interesse de delegações de países que participarão das Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro. Os comitês olímpico e paralímpico britânicos negociam com a UFMG o uso das instalações para o treinamento de seus atletas.

A partir de junho, o biotério vai fornecer ratos e camundongos que permitirão à UFMG atender toda a demanda de Minas Gerais por animais de laboratório. Em outro ponto do câmpus da Pampulha, o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) aguarda a instalação de um centro de pesquisas.

A UFMG se abriu para o mundo: obras de cinco centros de estudos internacionais estão entre os marcos da atual administração. “Precisamos estar atentos ao nosso tempo, ver onde o Brasil vai se inserir e qual o papel da universidade. Por isso, desenvolvemos uma política de internacionalização muito ativa”, explica Clélio Campolina.

Quatro estrelas

Rankings nacionais e internacionais de avaliação refletem este momento da UFMG. A instituição está na ponta das avaliações da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes): 49% de seus cursos de doutorado apresentam padrão de excelência internacional. O reitor faz questão de destacar: a instituição é a única brasileira que alcançou as quatro estrelas concedidas pela empresa inglesa QS World University Rankings, uma das mais importantes avaliadoras da qualidade de ensino superior do mundo. No Brasil, a UFMG se destaca no Índice Geral de Cursos (IGC), avaliação do Ministério da Educação. Sua média é 5, a maior nota.

Ao analisar o futuro, Clélio Campolina diz esperar o fim das políticas afirmativas. “Essas medidas devem ser temporárias. Se não for assim, a desigualdade não acabou”, adverte. O reitor defende também a participação cada vez maior da sociedade nas universidades. “Elas funcionam um pouco como redomas, pois somos um país de gente que não teve alfabetização adequada”, observa, lembrando que o cidadão passa em frente ao câmpus Pampulha, sabe que ali fica a UFMG, mas jamais entra.

Ganho social

De acordo com Campolina, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e o Sistema de Seleção Unificada (Sisu) são irreversíveis. Ambos representam um “ganho social”, reforça o reitor da UFMG.

A opção pelo Enem, adotado no vestibular de 2011 como substituto da primeira fase do concurso, foi uma das maiores polêmicas da gestão Clélio Campolina. “Rompeu-se a tradição de vestibular consolidado. Nos lugares que frequento, ouvia que eu iria acabar com a universidade”, revela.

Entusiasta desse processo, o professor acredita em melhorias na base da educação. “Essa medida terá um efeito extraordinário sobre a escola pública. As pessoas verão o desempenho de cada unidade e o município terá de criar condicionantes, pois a sociedade vai se mobilizar”, ressalta.

Nova gestão

Professor titular do Departamento de Ciências Econômicas da UFMG, o reitor Clélio Campolina, de 70 anos, será sucedido por Jaime Arturo Ramirez, de 49, professor do Departamento de Engenharia. O novo reitor assume em março. Cada pró-reitoria prepara relatório sobre ações em andamento para que os projetos tenham continuidade. “Não há conflito com a próxima gestão. A instituição é permanente, nós somos temporários”, garante Campolina.

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