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34% dos aprovados na UFMG desistem de fazer matrícula

Número de estudantes que desistiu da maior federal do estado é sete vezes maior do que o do ano passado

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postado em 28/01/2014 00:12 / atualizado em 28/01/2014 09:42

Junia Oliveira /

 Leandro Couri/EM/D.A Press

Recorde na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Pela primeira vez na história recente da instituição, mais de um terço dos aprovados no vestibular não se matriculou. Na segunda chamada do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), cuja lista foi divulgada nessa segunda-feira pelo Ministério da Educação (MEC), 1.214 candidatos foram convocados para a UFMG. Isso equivale a 34,3% do total de 3.535 vagas oferecidas no primeiro semestre para os câmpus de Belo Horizonte e Montes Claros, no Norte do estado.

O número de estudantes que desistiu da maior federal do estado é sete vezes maior do que o do ano passado, quando 164 concorrentes foram convocados em segunda chamada – 2,45% de um total de 6.670 vagas. Desses, foram 106 em BH e 58 no interior. Em 2013, a UFMG usou o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) como substituto da primeira etapa do vestibular, mantendo a segunda fase com concurso próprio.

No primeiro ano dela de participação no Sisu, o curso com o maior número desistências foi letras (noturno) - 46. A segunda carreira com a maior quantidade de alunos que não quis estudar na UFMG foi uma das mais tradicionais da universidade: direito. No curso noturno, que oferece 100 vagas, 35 candidatos tiveram o nome na segunda lista de convocados. Nos cursos de pedagogia e odontologia, a proporção é ainda maior.

Quase metade das vagas ainda não estão ocupadas. Foram 32 convocados em cada um dos dois cursos para completar o total de 66 e 72 vagas, respectivamente.

Em enfermagem, o fenômeno foi parecido: houve 28 desistências entre as 48 disponíveis. O curso de administração noturno chamou a atenção mais uma vez. Ele terminou as inscrições do Sisu como o mais disputado da UFMG e o sétimo no país, com 134,92 estudantes em busca da mesma vaga. Mas, na hora de efetivar a matrícula em primeira chamada, apenas 24 alunos compareceram. Vinte e seis cadeiras estão à espera de seus calouros.

Em Montes Claros, a desistência impressionou. Das 240 vagas oferecidas em seis cursos, apenas 46 foram preenchidas. A maior quantidade de matrículas foi registrada em administração (10). Agronomia teve seis e engenharia agrícola e ambiental, nove. Já a engenharia de alimentos, a florestal e zootecnia tiveram, cada um, sete calouros confirmados.

Fenômeno

Professor aposentado da UFMG, Jacques Schwartzman afirma que essa é a primeira vez que tantas vagas são abertas em segunda chamada. Ele atribui o fenômeno ao efeito Sisu. “A mobilidade proporcionada hoje por esse modelo de seleção faz com que os alunos optem por aquilo que acharam melhor, seja a universidade mais perto de casa ou a melhor instituição”, afirma.

O especialista em ensino superior e políticas públicas para a educação acredita que os desistentes podem ser, principalmente, estudantes de outros estados, como o paulista, que optaram por esperar o resultado de instituições como a Universidade de São Paulo (USP). Além dos próprios mineiros, que escolheram ir para outras cidades, como Rio de Janeiro e também São Paulo. “Sem a barreira da mobilidade, fica mais fácil se transferir para outras unidades”, diz. Apesar das hipóteses, o professor considera cedo qualquer avaliação. “É algo novo, que ainda teremos de estudar para saber o que realmente está ocorrendo”, destaca.

A UFMG foi procurada, mas ninguém se pronunciou sobre as vagas ofertadas em segunda chamada. A matrícula dos convocados será feita entre os dias 31 deste mês e 4 de fevereiro. Os interessados em participar da lista de espera têm até 7 do mês que vem para se manifestar pela internet (http://sisu.mec.gov.br).
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