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Psicóloga defende que todo ano escolar traz mudanças e metas diferentes

Trote, nem pensar. Coordenadora pedagógica enxerga que a tradição marca a passagem de uma maneira muito negativa

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postado em 25/01/2014 14:52 / atualizado em 25/01/2014 15:25

Celina Aquino /

Jair Amaral/EM/D.A Press

Toda passagem de ano é um processo de transição, opina a supervisora pedagógica do ensino médio do Magnum Buritis, Cristiane Augusta Lopes. Por isso, ela defende que a despedida do ensino fundamental não deve ser tão marcada. No colégio, a equipe trabalha com os alunos o aumento das responsabilidades ao longo do ciclo anterior, mostrando que no ensino médio é hora de aplicar os conceitos aprendidos nos anos que passaram. “Não acredito em um ritual de passagem. Todo ano é uma mudança, a meta é que vai ser diferente. Agora, eles devem pensar em Enem e vestibular, mas desde a primeira série sabiam que iam enfrentar isso. Naturalidade é o segredo, pois tudo na vida que é abrupto traz sofrimento.”

Para dar mais segurança aos estudantes, alguns professores seguem de um nível para o outro. O Colégio Magnum promove eventos que integram turmas dos dois segmentos para que eles possam trocar experiências. “Observo que a maior preocupação dos alunos é com o aumento do número de disciplinas, que passa de oito para 13. Por isso eles precisam ter mais planejamento, organização, saber distribuir o tempo e se conscientizar de que a fase é de investimento para o futuro”, comenta. Ainda no ensino fundamental, os estudantes desenvolvem trabalhos interdisciplinares e até simulado do Enem para se acostumar com o volume das matérias. Para trabalhar a ansiedade em relação à escolha do curso superior, há na grade curricular do ensino médio a disciplina de orientação vocacional.

Maior cobrança

Com serenidade, a estudante Deborah Mendes, de 14, reconhece que está na hora de dar adeus ao ensino fundamental. Ela sabe que as responsabilidades vão aumentar, mas, como está acostumada a seguir uma rotina de estudos, planeja apenas dedicar mais tempo às atividades escolares, já que o número de matérias vai aumentar. “Estou tranquila em relação à mudança, mas dá um frio na barriga começar a pensar no futuro. Tenho que escolher uma coisa que vou fazer para o resto da vida, então tem que ser uma decisão muito certa”, diz. Deborah pretende definir a profissão ainda este ano.

Dinâmicas

Trote, nem pensar. A coordenadora pedagógica do Centro Universitário Newton Paiva, Ana Lúcia Fernandes Paulo, enxerga que a tradição marca a passagem de uma maneira muito negativa. Há nove anos, ela desenvolve um projeto, chamado de trote solidário, com uma proposta diferente de acolhida aos calouros. No primeiro mês de aula, a pedagoga desenvolve dinâmicas de integração que culminam com um evento de socialização, servindo de quebra-gelo. “A entrada na universidade implica uma série de transformações na vida do estudante. No ensino médio, o ambiente é conhecido, quase uma família. Ao chegar na universidade, há uma necessidade de estabelecer novos vínculos de amizade.”

No trote solidário, Ana Lúcia também conversa com alunos sobre expectativas, ansiedades e medos. “A maior expectativa deles é ter sucesso profissional. Muitos já entram na universidade pensando o que vão ter de retorno na faculdade e perguntam sobre a possibilidade de estágio logo no primeiro período.” A pedagoga alerta que é necessário ajudar os universitários a adquirir maturidade para assumir ainda mais responsabilidade. O aluno que chega à universidade precisa ser comprometido com o curso que escolheu, mostrando dedicação e organização para lidar com uma agenda lotada de atividades.

Recém-aprovado no curso de publicidade da Newton Paiva, o estudante Gabriel Miguel de Miranda, de 18, acredita que os próximos quatro anos vão exigir o maior esforço de toda a sua vida escolar. O auxiliar de escritório se prepara para se dedicar ao estudo e ao trabalho, o que requer ainda mais empenho. “Acho que vou me sair melhor na faculdade, porque na escola não me dava bem com as matérias da área de exatas. Vou ter muito trabalho pela frente, mas vou estudar o que realmente gosto.” Mesmo apreensivo, Gabriel garante que está animado para enfrentar o longo caminho, porque no fim virá a conquista de se formar. O estudante já pensa, inclusive, em pós-graduação.
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