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Entidade vê alunos nivelados após ingresso nas universidades pelo sistema de cotas

Associação que representa federais sustenta que queda de rendimento temida com política de cotas não se verificou e avalia como positiva a oferta de mais vagas que o previsto em lei

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postado em 29/08/2013 06:00 / atualizado em 29/08/2013 06:43

Patrícia Giudice , Valquiria Lopes

Marcos Vieira/EM/D.A Press
O temor de que houvesse queda na qualidade do ensino nas universidades públicas com a aprovação da Lei de Cotas não se confirmou, pelo menos no primeiro semestre de 2013. É o que mostra análise feita pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), que avalia como positivo o desempenho dos alunos que ingressaram neste ano pelo sistema de cotas sociorraciais. Para o presidente da instituição, Jesualdo Pereira, o critério não deve ser visto como preocupante na hora de aumentar a reserva de vagas acima dos percentuais obrigatórios da legislação. O que pode pesar, segundo ele, são os aspectos econômicos, já que para os alunos carentes as instituições precisam garantir apoio financeiro, com a finalidade de evitar a evasão.


“Vimos que não houve impacto do ponto de vista do conhecimento. A diferença de notas entre cotistas e não cotistas foi residual e pouco significativa”, garante Pereira. No entanto, para alunos de baixa renda, a universidade deve considerar se será capaz de dar suporte ao estudante com alimentação, moradia ou bolsas de permanência para que, por necessidade financeira, ele não precise deixar a instituição para trabalhar.


Mesmo com a avaliação positiva da Andifes, há alunos ainda preocupados, mesmo apoiando a política de reserva de vagas. João Pedro Emery, de 17 anos, saiu de Divinópolis, na Região Centro-Oeste do estado, para morar sozinho em Belo Horizonte e se preparar melhor para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Ele tenta uma vaga no curso de engenharia civil e se mudou para estudar em uma escola particular de melhor qualidade. Aluno do Colégio Santo Antônio, ele disse que teme o efeito da política de cotas sobre os alunos do ensino privado: menos vagas disponíveis na livre concorrência. “Concordo que o programa promove a justiça social, mas o fato é que vai ficar bem mais difícil entrar em uma federal”, disse.


Para o diretor Pedagógico da Educação, Inovação e Tecnologia Consultoria (EIT), Jorge Luiz Cascardo, o que se tem visto nos últimos anos é um aumento no número de candidatos e estabilização na quantidade de vagas ofertadas nas universidades. Essa dificuldade aumenta ainda mais para quem estuda em escola particular. Ao mesmo tempo, segundo ele, o Sistema de Seleção Unificada (Sisu) dá a possibilidade ao aluno de distribuir sua busca por acesso ao ensino superior. “Os alunos, independentemente de estudarem em escolas públicas ou privadas, têm que pensar que, em qualquer situação que queiram vencer, depende do esforço deles, tem que ter qualidade no trabalho deles, senão não vão entrar com facilidade”, afirmou o especialista.

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