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UFMG está à caça de alunos para o curso de Medicina Pela primeira vez, instituição convoca em 8ª chamada excedentes da lista de aprovados, inclusive em medicina. São 174 lugares não ocupados e direção atribui fenômeno ao Enem

Flávia Ayer -

Publicação: 25/09/2012 06:00 Atualização: 25/09/2012 06:58

Com as aulas a todo o vapor e em pleno setembro, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), quem diria, ainda está à procura de candidatos para ocupar 174 vagas. A maior instituição de ensino superior do estado convoca excedentes de 49 cursos para se matricular amanhã e quinta-feira. Grande parte das cadeiras vazias (24) está no curso de medicina, o mais procurado da instituição e que, no último vestibular, alcançou a concorrência de 50 candidatos por vaga. Procedimento comum entre as instituições particulares, pela primeira vez, a UFMG chega à oitava chamada de aprovados no vestibular 2012 e ao recorde de 116 excedentes convocados em medicina.

A instituição, que ofereceu 6.670 vagas no processo seletivo do ano passado, atribui o quadro a um fenômeno nacional posterior à adoção do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) no processo seletivo das instituições públicas de ensino superior e tem na medicina, a maior e mais disputada graduação, também seu efeito mais evidente. Com 24 vagas ainda disponíveis, a UFMG já teve este ano um total de 53 cadeiras à espera de estudantes em medicina, o correspondente a 16% das 320 vagas ofertadas.

O histórico de excedentes convocados no curso dá um panorama da situação. Enquanto em 2010, apenas 17 alunos foram chamados para se matricular tardiamente, esse número passou para 109 no ano seguinte, quando o Enem foi substituído pela primeira etapa do vestibular da UFMG. Este ano, o número de excedentes bate novo recorde com 116 alunos já convocados até agora. Bom para a estudante Raquel Gil, de 21 anos. Classificada na 436ª posição em medicina, ela foi a 116ª candidata chamada na oitava lista de aprovados para se matricular na UFMG.

A notícia mudou os rumos da vida dela, que já estava cursando o primeiro período de medicina em Viçosa e agora, de volta a Belo Horizonte, se prepara para ingressar na federal de Minas. “Imaginei que poderia ser aprovada porque no ano passado chamaram 109 candidatos”, conta, sem conter a felicidade. A garota acredita que o grande número de excedentes convocados esteja relacionado a alunos como ela, que fez vestibular em cinco instituições e foi aprovada em todos eles. “Também tentei no Rio e em São Paulo. Com o Enem ficou mais fácil tentar vestibulares em outros lugares”, afirma.

Enem

A pró-reitora de graduação da UFMG, Antônia Vitória Aranha, confirma que o aumento do número de chamadas na UFMG está relacionado ao Enem. “Estamos vivendo uma nova realidade e alunos de todos os cantos se inscrevem nos vestibulares das federais. Isso traz uma diversidade interessante, mas também inconvenientes”, ressalta, citando o caso da federal do Acre. “O curso de medicina no Acre, embora tenha sido bem avaliado, não teve nenhum inscrito na primeira chamada. Isso porque os aprovados optam pela universidade mais cômoda para a realidade dele”, conta.

'Fiquei muito feliz e agora é só festa. Não tenho dúvidas que será um curso de excelente qualidade' - Marianna Fischer, classificada na 404ª posição em medicina (Jackson Romanelli/EM/D.A Press)
"Fiquei muito feliz e agora é só festa. Não tenho dúvidas que será um curso de excelente qualidade" - Marianna Fischer, classificada na 404ª posição em medicina
Apesar de 174 cadeiras não terem sido ocupadas até agora na UFMG, a pró-reitora ressalta não haver risco de vagas sobrarem na universidade. “Elas são destinadas para reopção de curso, rematrícula, obtenção de novo título e transferência de alunos de outras instituições”, garante. Se depender de excedentes como Marianna Fischer, de 22, nem será necessário essa mudança no perfil das vagas. Ela foi uma das aprovadas na sétima chamada para o curso de medicina, abandonou o cursinho e já está frequentando as aulas. “Fiquei muito feliz e agora é só festa. Não tenho dúvidas que será um curso de excelente qualidade”, diz a aluna, classificada na 404ª posição. A instituição classifica o dobro das vagas oferecidas no vestibular.

PALAVRA DE ESPECIALISTA
ALEXANDRE CASTRO, Professor de literatura e diretor de cursinho pré-vestibular

“É o novo modelo”

O aumento do número de chamadas nas federais de Minas é um fenômeno do novo modelo de vestibular adotado. O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) substitui ou faz parte dos processos seletivos e, com isso, abriu os vestibulares das instituições para o Brasil inteiro. O número de aprovados de outros estados aumentou e nem sempre eles migram. Acredito que as instituições darão conta de resolver essas questões rapidamente e que não vá trazer prejuízos.

Inscrições abertas para vestibular da PUC

O vestibular do 1º semestre de 2013 da Pontifícia Universidade Católica (PUC Minas) está com inscrições abertas até 17 de outubro e traz como novidade a abertura dos cursos de biomedicina e tecnologia em agronegócios. As duas novas graduações serão ministradas na unidade de Betim, na região metropolitana. Também foram abertas turmas noturnas de arquitetura e urbanismo e odontologia, no campus Coração Eucarístico, Região Noroeste de Belo Horizonte. A universidade oferece este ano 7.951 vagas, mais de 6 mil delas na capital. Interessados podem se inscrever somente pela internet, no site www.pucminas.br.

Candidatos têm a opção de usar a nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) no processo seletivo ou fazer o vestibular tradicional. De acordo com a PUC, quem escolher usar o Enem concorre a apenas 15% das vagas, sendo que o restante (85%) é direcionado aos alunos que fizerem as provas da instituição. Os preços das inscrições variam conforme o tipo de prova, o câmpus e até mesmo o curso. Os valores vão de R$ 30 a até R$ 200. A mais cara é para o curso de medicina, que teve neste segundo semestre seu primeiro vestibular.

As provas estão marcadas para 11 de novembro em Belo Horizonte e 17 de novembro nos campi do interior e polos de educação a distância. A PUC informa que o curso de biomedicina terá duração de quatro anos e meio e formará profissionais para conduzir estudos e pesquisas que envolvam as áreas da biologia e da saúde. Já o curso em agronegócios terá duração de três anos e formará gestor em empresas do setor agropecuário.

 

Esta matéria tem: (2) comentários

Autor: Carlos Felipe Guimaraes
Vejo essa notícia com certo receio, pois se o nível dos atuais "dotôres", muitos que passam nos primeiros lugares, já não é dos melhores, imaginem só o restante...tomara que eu esteja errado... | Denuncie |

Autor: Geraldo Nascimento
É um sinal claro dos novos tempos vividos pelo país. Sem qualquer sombra de dúvidas, o desenvolvimento de uma nação passa pela educação, e, a democratização do acesso à universidade no Brasil representa uma quebra no "status quo" da elite dominante, responsável pelo atraso em que nos encontramos. | Denuncie |

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