14°/ 31°
Belo Horizonte,
02/SET/2014
  • (5) Comentários
  • Votação:
  • Compartilhe:

Maratona da educação por vagas nas melhores particulares da capital Na disputa por vagas nas melhores escolas particulares de BH, pais passam a noite na fila e crianças e adolescentes se submetem a provas com alto grau de dificuldade

Márcia Maria Cruz - Estado de Minas

Publicação: 15/09/2012 06:00 Atualização: 15/09/2012 07:18

Maria Fernanda quis fazer a seleção e teve o total apoio da mãe, Paula Guatimosin (Juliana Flister/Esp. EM)
Maria Fernanda quis fazer a seleção e teve o total apoio da mãe, Paula Guatimosin

Na luta para matricular o filho nas escolas particulares com melhor classificação no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) e no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) vale tudo: enfrentar filas que varam a noite, cumprir uma verdadeira maratona para inscrever as crianças e adolescentes nos exames de seleção de dois ou mais colégios e cobrar ainda mais estudo e dedicação dos estudantes nos dias que antecedem os exames de seleção. Em Belo Horizonte, as principais instituições de ensino da rede privada preenchem as vagas para o ano letivo de 2013 até o dia 22, trazendo ainda mais estresse para pais e filhos.

Em alguns colégios, a disputa é mais concorrida que o vestibular em muitas faculdades, com índice de até nove candidatos por vaga. Os concorrentes passam por bateria de provas de alto grau de dificuldade dedicam várias horas do dia aos estudos. O medo de falhar e a necessidade de provar competência passam a ser companhias constantes de crianças e adolescentes. Como em outras situações de concorrência em que há mais candidatos do que o número de vagas, a lei da oferta e da procura faz com que o momento seja de competição e a disputa começa hoje, quando os alunos que pretendem ingressar nos colégios Santo Agostinho e Marista Dom Silvério fazem as provas de seleção. Os exames no Santo Antônio, Loyola e Bernoulli serão dia 22.

A adolescente Maria Fernanda Cordeiro Guatimosin, de 12 anos, vai disputar uma das 13 vagas para o 8º ano do Colégio Loyola e para isso estuda pelo menos duas horas por dia. “Vai ser difícil, mas com estudo a gente consegue. Tem que pensar positivamente”, diz. Com consciência do nível de dificuldade das provas, a decisão de mudar de escola foi da menina. “Ela que fez a inscrição, mas achei que era uma boa ideia para que ela pudesse entender processos de seleção. Este não será o único que ela terá de enfrentar ao longo da vida”, afirma a mãe de Maria Fernanda, a representante comercial Paula Guatimosin, de 40.

Noite na fila

Aos pais, além de apoiar os filhos, cabem algumas tarefas mais árduas, como passar até 24 horas em filas para matrícula nas séries de entrada do ensino infantil e fundamental, nas quais as vagas são preenchidas por ordem de chegada. Foi o que ocorreu com o casal Flávia Gomes de Oliveira Lopes e Wagner Klein, ambos de 33 anos, que se revezaram na tarefa para conseguir vaga para Letícia, de 5, no Colégio Espanhol Santa Maria, do Bairro Cidade Nova, na Região Nordeste de Belo Horizonte. O casal chegou à escola no domingo às 10h e conseguiu fazer a matrícula às 8h15 de segunda.

O bom desempenho da escola, que obteve o quinto lugar no estado na lista dos melhores colégios particulares, de acordo com o Enem 2011, e o ensino bilíngue (português e espanhol) foram os motivos que levaram Flávia e Wagner a fazer o esforço. “A escola é muito boa e a criança aprende uma segunda língua”, diz a mãe. Como Flávia, mais 140 pais e mães foram para a fila tentar uma vaga nos primeiros anos do ensino fundamental. Para o maternal 3, foram oferecidas nove vagas, para o 2º período eram quatro vagas e para o 1º ano do ensino fundamental, 17. Nem todos conseguiram e quem chegou depois foi parar em uma lista de espera. “Para o 1º ano, tenho uma fila de espera de 52 crianças”, informa o padre José Fernando de Melo, diretor do colégio.

A procura por vagas, embora ocorra todos os anos, surpreendeu em 2012. “Sempre temos filas, os pais costumam chegar à 1h no dia das inscrições, mas desta vez alguns chegaram na manhã de domingo, quase 24 horas antes”, informou o diretor. Para o 1º ano do ensino fundamental, a inscrição é feita de acordo com a ordem de chegada, mas a partir do 2º ano a escola seleciona por meio de avaliações, que estão marcadas para 6 de outubro.

Sorteio e provas

No Colégio Santo Antônio as provas estão programadas para o próximo fim de semana. A média é de três candidatos por vaga. São 400 vagas distribuídas entre o 1º ano do ensino fundamental e o 3º ano do ensino médio. No primeiro e no segundo ano do ensino fundamental, não há um processo seletivo. Quando ocorre uma procura superior ao número de vagas, o colégio faz um sorteio. As crianças também participam de uma dinâmica em grupo com atividades lúdico-pedagógicas, que de acordo com a instituição tem como propósito identificar o nível de cada aluno para montagem das turmas. Do 3º ano até a 3ª série do ensino médio, os alunos fazem prova compatível com o grau de escolaridade para avaliar as competências nas diferentes áreas do conhecimento.

Este ano, pela primeira vez, o Colégio Santo Agostinho abriu inscrições para o 3ª ano do ensino médio, recebendo 54 candidatos interessados nas 10 vagas oferecidas. Para o 6º do ensino fundamental, são 91 vagas para 150 candidatos, mas a seleção pode ser mais apertada. Vão ser selecionados aqueles que atingirem determinado índice. Caso os candidatos não alcancem o desempenho esperado, as vagas seguem em aberto. Para a 1ª série do ensino médio, são 68 vagas para 224 pessoas, ou seja, três candidatos por vaga.

Vestibulinho proibido

A realização de seleção para ingresso no ensino infantil, o chamado vestibulinho, é proibida pelo Parecer nº 26/2003 do Conselho Nacional de Educação (CNE), mas, como mostrou reportagem do Estado de Minas no domingo, muitas escolas mantêm a prática, sob a alegação de que se trata de atividades lúdicas e pedagógicas.

ROTEIRO DAS PROVAS

Colégio Santo Antônio
Processo seletivo: provas para avaliar as competências básicas dia 22, para estudantes do 3º ano do ensino fundamental até a 3ª série do ensino médio
» Informações: www.csa.g12.br
» Número de vagas: 400

Colégio Loyola
Processo seletivo: análise do boletim escolar e frequência dos alunos a partir do 2º ano do ensino fundamental. Do 2º ao 6º ano do ensino fundamental, provas no dia 22; do 7º ano do ensino fundamental ao 2º ano do ensino médio, provas no dia 29.
» Informações: www.loyola.com.br
» Número de vagas: 227

Colégio Santo Agostinho
Processo seletivo: hoje, com provas para os alunos do 3º ano do ensino fundamental até o 3º ano do ensino médio
Informações: www.santoagostinho.com.br
» Número de vagas: 598
» Número de inscritos: 1, 3 mil

Colégio Bernoulli
Processo seletivo: provas de 22 de setembro a 6 de outubro
Informações: www.colegiobernoulli
» Número de vagas e de candidatos não informado

Colégio Marista Dom Silvério
Processo seletivo: hoje, a partir do primeiro ano da educação, atividades lúdicas de socialização. A partir do 2º ano do ensino do ensino fundamental
» Informações:www.marista.edu.br/domsilvério
» Número de vagas: não informado

 

Tags: celular

Esta matéria tem: (5) comentários

Autor: PAULO SILVA
Lei da oferta e da procura - tem mais gente que vaga, tem seleção. Quanto às cotas, não é tão simples colocar na escola pública e num cursinho, pois dentro das cotas há subcotas, por renda e cor. Penso ser melhor dar melhor educação possível e depois, se for o caso, pagar universidade igual nos USA. | Denuncie |

Autor: Denise Assis
Estamos na época da censura? Deixei um comentario ontem e até agora, nada!! | Denuncie |

Autor: jose miranda
NÃO EXISTE NENHUMA MÁGICA COM RELAÇÃO AO DESEMPENHO DESSES COLÉGIOS, SIMPLESMENTE ELES SELECIONAM ALUNOS QUE JÁ ESTUDAM MUITO,SENDO ASSIM JÁ SAEM NA FRENTE POIS JÁ ESTÃO COM UM GRUPO SELETO DE ESTUDANTES, NÃO É A ESCOLA QUE FAZ O ALUNO E SIM O ALUNO QUE FAZ A ESCOLA. ACHO UM ABSURDO ESSA SELEÇÃO. | Denuncie |

Autor: wam noronha
Não sei se valerá esse sacrifício para pagar altas mensalidades, porque os alunos disputarão metade das vagas ofertadas. Talvez seria mais negócio, ir para ensino médio público e entrar num cursinho e assim passar nas cotas sociais com um pé nas costas | Denuncie |

Autor: Paulo Barbosa
Uma boa educação, já faz uma enorme diferença. Que a qualidade do ensino seja buscada em escolas públicas, como no passado, seja uma constante, pois aqueles que não podem arcar com estes altos custos na educação, também, tenham oportunidade. | Denuncie |

Comentar

Para comentar essa notícia entre com seu e-mail e senha

Caso você não tenha cadastro,
Clique aqui e faça seu cadastro gratuito.
Esqueci minha senha »

Envie sua história efaça parte da rede de conteúdo do grupo Diários Associados.
Clique aqui e envie seu vídeo, foto, podcast ou crie seu blog. Manifeste seu mundo.