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Estado de Minas

Primeiro sim, nerd não

Campeão da UFMG admite não ser fã de tarefas de casa ou de ficar grudado nos livros fora da escola, mas garante que se concentra na aula e absorve o máximo dos professores


postado em 24/01/2012 06:00 / atualizado em 24/01/2012 07:49

Para Gustavo Guimarães, estudar tem sua hora:
Para Gustavo Guimarães, estudar tem sua hora: "É mais fácil gravar o conteúdo em sala de aula, com a ajuda de um profissional, do que sozinho" (foto: cristina horta/em/d.a press)
Ele nunca levou o dever de casa muito a sério, jamais abriu mão do videogame, do computador ou do lazer com os amigos e confessa não gostar nada de ficar grudado em livros. Essa descrição até parece ser de um daqueles estudantes que passam de ano raspando e levantam as mãos para o céu quando não perdem média. Mas o resultado do vestibular da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), divulgado no fim de semana, prova o contrário. O histórico acima pertence ao primeiro colocado geral no processo seletivo: Gustavo Henrique Ribeiro Guimarães, de 17 anos, cujo nome só foi divulgado nessa segunda-feira. Com vaga garantida em engenharia química, o jovem também comemora a aprovação em primeiro lugar no mesmo curso na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e aguarda, ansioso, a divulgação da lista de selecionados nas universidades de São Paulo (USP) e Estadual de Campinas (Unicamp).

Com o cabelo raspado e ainda exausto da comemoração que se estendeu por todo o fim de semana, o belo-horizontino Gustavo resume a fórmula do sucesso. “Para mim, o segredo é usar o professor até que ele não aguente mais. Desde pequeno, sempre tentei captar o conhecimento dos mestres”, diz, garantindo prestar muita atenção às aulas e fazer todo o esforço possível para fixar a matéria ainda na escola. “É mais fácil gravar o conteúdo em sala de aula, com a ajuda de um profissional, do que em casa sozinho”, acrescenta Gustavo, que terminou o 3º ano do ensino médio no fim do ano passado.

Ex-aluno do Colégio Bernoulli, Gustavo ressalta a importância da extensa carga horária da escola e ainda confessa que nunca foi fã dos deveres de casa, tarefa que considera repetitiva e pouco produtiva. “Prefiro fazer os exercícios mais difíceis a ficar treinando com muitas questões fáceis, pois acredito que a fixação do conteúdo por repetição se perde rápido. Por isso, não tenho um bom histórico com para casa”, conta Gustavo, relembrando algumas broncas que já levou por isso. Brincalhão, diz que, em casa, nunca ficou “mais que uma hora grudado em livros” e jamais abriu mão das horas dedicadas ao descanso e à diversão.

Mas, para que ninguém pense que o sucesso é apenas questão de sorte, o estudante narra uma trajetória acadêmica exemplar. Em todo o ensino fundamental, diz nunca ter tirado nota inferior a 80 pontos e, durante os três anos do ensino médio, em apenas quatro vezes ficou abaixo desse patamar. “Posso dizer que tenho orgulho dos meus boletins, sim”, conta Gustavo, que agradece o apoio incondicional dos pais e do irmão.

Destaque

A lista dos 6.607 aprovados no vestibular da universidade, divulgada sábado, comprova a excelência dos candidatos aos cursos de engenharia. Dos cinco primeiros colocados gerais, três disputavam vaga nessa área, sendo o primeiro e o quinto lugares de engenharia química e o segundo de engenharia mecânica. O terceiro classificado, Igor Fernandes, de 19 anos, garantiu lugar em medicina, e a quarta, Débora Lopes, de 18, em direito – os dois foram beneficiados pelo programa de bônus.

A matrícula dos aprovados com entrada no 1º semestre deve ser feita entre 6 e 10 de fevereiro, na Unidade Administrativa 3, no câmpus Pampulha, em Belo Horizonte. Já os classificados para o 2º semestre devem fazer o registro acadêmico de 11 a 15 de junho. Estudantes aprovados para cursos de Montes Claros, no Norte de Minas, devem fazer a matrícula no câmpus regional da UFMG na cidade, na Avenida Universitária, 1.000, Bairro Universitário.

Resultado em meio a batalha judicial

 

O resultado do vestibular foi divulgado em meio a um fogo  cruzado de ações judiciais e questionamentos sobre a nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que substitui a primeira etapa do processo seletivo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). De acordo com o último balanço da Justiça Federal no estado, pelo menos 27 processos em tramitação questionam a correção da prova de redação do Enem ou o uso das notas para seleção de candidatos à UFMG.

Segundo o MEC, em todo o país mais de 120 ações tramitam na Justiça cobrando vistas da prova, sendo que em 79 delas há pedidos de revisão da pontuação. Em entrevista recente ao
Estado de Minas, a juíza da 7ª Vara da Justiça Federal de Minas Gerais, Dayse Starling Lima Castro, que deferiu liminar para que um estudante de Belo Horizonte tivesse acesso à correção do exame nacional, afirmou que mudanças na nota do Enem podem ter reflexos em todas as instituições de ensino que usam a prova para selecionar candidatos.

A UFMG informou que no cálculo da nota final da segunda etapa do processo seletivo a Comissão Permanente do Vestibular (Copeve) usa o banco de dados do Enem fornecido pelo Ministério da Educação. Em caso de recursos contra a pontuação do exame e de alteração no desempenho dos alunos, a universidade depende do comunicado oficial do MEC ou de ordem judicial para mudar a classificação dos candidatos. Se o estudante identificar falhas nessa etapa é possível abrir um processo administrativo com pedido de revisão na sede da Copeve.


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