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Defesa de Bola põe polícia em xeque

Advogados de Bola exploram pontos fracos da investigação e apontam contradições de delegado

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postado em 25/04/2013 12:49 / atualizado em 25/04/2013 13:14

Landercy Hemerson , Paula Sarapu

Renata Caldeira/TJMG/Divulgação

No terceiro dia de julgamento do ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, no Tribunal do Júri de Contagem, na Grande BH, a defesa avançou na tática de desqualificar as investigações sobre o envolvimento do réu na execução de Eliza Samudio, ex-amante do goleiro Bruno Fernandes de Souza. O delegado licenciado e vereador Edson Moreira, chefe do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa à época das apurações do crime, foi interrogado por quase cinco horas pelo advogado Ércio Quaresma. O depoimento, que revelou contradições em relação às apurações da fase policial, foi interrompido por iniciativa da própria defesa, que promete hoje confrontar o policial com base em laudos da perícia.

Pela manhã, os advogados já apostavam na desqualificação do trabalho policial. O primeiro a ser ouvido foi o jornalista José Cleves, investigado pelo delegado Edson Moreira em 2000. O repórter denunciava corrupção policial quando a mulher dele foi assassinada, em dezembro daquele ano. Apontado como suspeito, ele escreveu um livro em que afirma que as provas produzidas contra ele foram vazias. Cleves afirma que a mulher morreu baleada em tentativa de assalto e que acabou incriminado pela polícia. O jornalista acabou absolvido por unanimidade no Tribunal do Júri.

Ao lembrar o caso, a ideia da defesa era levantar dúvidas e enfraquecer as provas do processo que já condenou o goleiro Bruno e seu ex-braço direito, Luiz Henrique Romão, o Macarrão. Ércio Quaresma explorou as reportagens policiais do jornalista, indicando que poderia ter havido retaliação, e lembrou que Bola e o delegado Edson Moreira também são desafetos.

O promotor Henry Wagner Vasconcelos demonstrou que conhece bem as investigações sobre a morte da esposa do jornalista. Na última intervenção, Henry fez uma pergunta com o objetivo de desconstruir a tese de defesa: “O senhor nos contou que colocaram a arma no local do crime. Mas por que o delegado (Edson Moreira) faria o exame de confronto balístico, sabendo que aquela arma teria sido plantada e que o resultado seria negativo?” Cleves respondeu: “O delegado não sabia da armação e tinha mesmo que solicitar o teste”.

À tarde, foi a vez de Edson Moreira ser ouvido na condição de testemunha, já que está licenciado das atividades policiais. Ércio Quaresma usou mais de quatro horas para alcançar seu objetivo, com trocas de farpas e ironias com a testemunha. As perguntas do advogado eram precedidas de comentários, em sua maioria críticos à investigação, com o objetivo de influir na opinião dos jurados.

Quaresma atingiu seu alvo ao perguntar a Moreira a razão de o luminol, produto usado para identificar vestígios de sangue, não ter constatado material que apontasse que Eliza Samudio tinha sido esquartejada na casa de Bola. O delegado o interrompeu: “Quem disse que Eliza foi esquartejada?" O advogado rebateu: “O representante do Ministério Público, o inquérito assinado por Vossa Excelência, e todos do lado de fora dizem que Eliza Samudio foi esquartejada no local”.

A partir de então, o advogado iniciou seu confronto em relação às perícias realizadas na casa de Bola e a outros pontos da investigação que ele sugere ser falhos. Edson Moreira passou a dar resposta curtas, muitas vezes dizendo que não se lembrava de detalhes. “Não foi a defesa que saiu vitoriosa, mas a Justiça. Amanhã (hoje) vou destruí-lo”, afirmou Quaresma, ao falar sobre a sequência do interrogatório nesta quinta.

O promotor Henry Wagner Vasconcelos disse, após a sessão do júri, que as afirmações dentro do processo é que dão “o alinhamento à Justiça”. “Entre o fato, a morte de Eliza, e a realização dos exames de perícia passaram-se 29 dias. A defesa arquiteta explorar nos laudos da perícia o que ela quer.” O promotor sugeriu uma possível limpeza na cena do crime, na casa de Marcos Aparecido. “O luminol é um produto que é preparado misturando-se uma substância à base de peróxido de hidrogênio (água oxigenada). A borrifação dessa substância remove a mancha sanguínea e inviabiliza o exame do luminol .”
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